Lembranças do 7 a 1: Repórteres da Goal relembram o fatídico jogo

A derrota histórica sofrida pela Seleção Brasileira é comentada pela nossa equipe

A trágica goleada de 7 a 1 sofrida pela Seleção Brasileira frente a Alemanha na Copa do Mundo de 2014 está longe de ser esquecida. Os gols de Muller, Klose, Khedira, Kroos e Schürrle estão eternizados na memória do torcedor brasileiro como a pior derrota do selecionado nos seus 100 anos de história.

O sentimento de vergonha, perplexidade, tristeza e humilhação, tomou conta de cada um que estava presente ou não no Mineirão. A esperança que muitos depositavam na seleção durou apenas nove minutos depois que a bola começou a rolar. E a partir daí, toda a ilusão construída do 'melhor futebol do mundo' desmoronou e a maior derrota de todos os tempos ficou eternizada na memória do brasileiro.

Nesta quarta-feira, o histórico jogo da semifinal do Mundial completa um ano, e os repórteres da Goal relembram o fatídico dia. E você, lembra o sentimento que teve? Recorda o que estava fazendo e onde estava naquele 8 de julho de 2014?

Veja as lembranças dos jornalistas da Goal:

Felipe Torres - Editor-chefe Goal Brasil


Felipe Torres no Mineirão durante a cobertura do Mundial / Créditos: Arquivo pessoal

"Fiquei sem reação. Cobri a Seleção durante a Copa do Mundo. Foram 45 dias ao lado dos canarinhos, seja em jogos ou em Teresópolis. Aquele 8 de julho, era uma data especial, um momento especial para mim. Sou mineiro, de Belo Horizonte, e trabalhava para um jornal local. Nunca imaginei reportar um duelo de semifinal de Copa do Mundo, no Mineirão. Ainda mais um Brasil x Alemanha. Achava que a Seleção ia perder. Até comentei com um amigo no ônibus da imprensa, que nos levava ao estádio: "Se for eliminado, que o Brasil não perca de muito". O jogo começou, os gols alemães aconteciam, um após o outro. Ao meu lado, na tribuna, jornalistas não acreditavam naquilo. Foi surreal. Meu chefe estava na cadeira ao lado. Virei para ele e disse: "Não sei como escrever este texto. Pela primeira vez na minha carreira, não tenho palavras para contar o que estou presenciando". Ele me disse: "Esse deve ser o relato do seu primeiro parágrafo". A zona mista foi um caos! Nunca sofri muito com a Seleção, sempre fui apaixonado pelo meu clube. Portanto, não doeu tanto. Mas feriu nossa honra, perdemos respeito perante ao planeta. Hoje, posso contar que vivenciei um momento histórico naquela tarde/noite, no Mineirão. Eu vi os 7 a 1!".

Tauan Ambrosio - Repórter

"Na época, estávamos fazendo uma cobertura específica para cada seleção aqui na Goal. Eu fiquei responsável pelos times do Grupo G, e até por isso acompanhei bastante a Seleção Alemã ao longo do torneio. Foi apenas após o jogo contra a Argélia que o time engrenou de vez, mas enfrentar o Brasil em casa seria difícil. Mesmo sem o Neymar – era o que todos pensávamos.

Quando o primeiro tempo terminou já com goleada, foi um choque. O resultado já era histórico, mas não dava para imaginar que o segundo tempo seguiria na mesma toada. E dentre o jogo histórico, o vexame histórico... ainda teve o Klose quebrando o recorde de gols marcados em todas as edições de Mundiais. Era muita informação para a coluna que eu tinha que escrever após o apito final, mas na verdade era impossível não ficar atônito com tudo aquilo.

A Seleção que virou o pesadelo dos brasileiros / Créditos: Getty Images
 

Todos nós sabíamos que tinha um clima de ‘oba-oba’, que faltava padrão de jogo na Seleção... mas o meu foco tinha que ser em cima do time alemão. E escrever elogiando o algoz do maior vexame que o nosso futebol já deu (dentro de uma partida) não foi difícil. Apesar dos 7 a 1, no fim das contas minha sensação pessoal foi positiva: por fazer parte da cobertura realizada e por ter testemunhado um acontecimento que receberia um capítulo próprio em um eventual livro sobre a história do futebol no mundo."

Tiago Domingos - Repórter

"Sinceramente, eu curti a história sendo feita. Eu já tinha acompanhado in loco uma eliminação da Seleção Brasileira, na Copa do Mundo de 2006, e a minha sensação após o jogo foi mais de felicidade por ter visto um grande jogo do Zidane do que tristeza pelo Brasil ter deixado o torneio. Ou seja, há muitos anos eu não tenho mais essa relação de torcedor com o time da CBF.

Naquela terça-feira, eu já estava em casa descansando depois de ter passado três semanas trabalhando diariamente e viajando vendo os jogos para os quais tinha ingresso. Após ficar atônito nos primeiros 30 minutos, tratei de ligar o rádio (para ouvir mais uma transmissão além da tv) e "mergulhei" no Twitter para já acompanhar a repercussão. Uma pena o jogo ter virado quase um amistoso depois, com a Alemanha respeitando o Brasil, pois poderíamos ter visto a maior história de todas as Copas do Mundo (se é que já não é).

Assim como oito anos antes, eu sofri mais pelas pessoas que realmente acreditavam na Seleção Brasileira do que pela própria equipe. Mas o resultado em si talvez fosse a única forma possível para botarmos um fim na soberba de "eterna melhor seleção do mundo" e de que podemos sempre ser campeões independente dos erros que cometemos, principalmente na parte administrativa."

Livia Muniz - Repórter


Livia Muniz acompanhou Argentina ...... no Mané Garrincha / Créditos: Arquivo pessoal

"Estava aqui no site, o jogo e o meu plantão começavam exatamente a mesma hora. Eu imaginava que seria bastante complicado para a Seleção, principalmente sem Neymar, mas jogando em casa, ainda confiava que o Brasil pudesse chegar à final. O que aconteceu nos primeiros 20 minutos foi tão avassalador, tão inacreditável, que eu não consegui ficar triste ou nervosa, ou simplesmente ri. Ri porque era tão inacreditável, que se tornou ridículo.

Particularmente, sempre fui fã da Seleção Brasileira. Bem, eu nasci em 93, lembro nada do título em 94. Em 98 eu tinha cinco, mas lembro pouquíssimo também, e mesmo assim tenho dúvidas se são lembranças minhas ou de coisas que vi depois na TV e em vídeos. A minha primeira Copa de verdade foi 2002, quando fomos mais uma vez campeões. 

Então analisem o cenário: eu, uma garotinha de nove anos, que 'conheceu' a Seleção Brasileira em um momento fantástico de três finais seguidas em Mundiais, maior seleção da virada do século. Não tinha como crescer hater do Brasil depois disso.

Mas em 2014, seja pelo fato de já trabalhar com esportes, pela forma ridícula como tudo aconteceu ou pelo cenário político que vivíamos, eu não consegui ficar mal ou chorar pela derrota. Eu ri, fiz piada, xinguei o David Luiz (não porque tava chateada, mas só porque ele merece mesmo), mas não consegui ficar triste. Decepcionada talvez, afinal era mais uma Copa em casa com mais uma derrota (e muito pior do que aquela pela qual Barbosa foi execrado). Mas não triste. 

Acho que futebol brasileiro merecia essa porrada, de verdade."
 

Matheus Harb - Subeditor da Goal

"Eu também acompanhava o nosso trabalho no site naquele fatídico dia 8, já tendo encerrado a cobertura do Mundial em Porto Alegre. Tive a chance de acompanhar a saga alemã para vencer a Argélia na prorrogação, e tinha ficado pouco impressionado com o que vi. Acredito que isso, aliado ao afã nacionalista que tomou parte da população, me fez acreditar em uma vitória apertada, e a classificação à tão sonhada final.

Durou alguns minutos, até que o desequilíbrio emocional da Seleção desse as caras e deixasse o Müller sozinho pra abrir o placar. Ali eu lembro de já pensar: "complicou". Depois, com o gol do Klose, já era diferente: "se for pra levar assim, que vire goleada de uma  vez". A partir daí, tudo era motivo de deboche e graça, apesar de, em parte, pensar "não acredito que isso esteja mesmo acontecendo"

Foi uma surra muito necessária pra entender a dimensão do buraco negro que o futebol brasileiro se tornou, pelo menos, desde a década passada. Como jornalista, então, ficou uma lição ainda maior. Não é à toa que o bordão do "7 a 1 foi pouco" apareça a cada demonstração de retrocessos no futebol daqui, e nos desmandos da Dona CBF (não a Lúcia, vejam bem)."

Argentina x Bélgica no Mané Garrincha, em Brasília / Créditos: Livia Muniz - Arquivo pessoal

Rodrigo Calvozzo - Subeditor da Goal

"Durante a Copa do Mundo recebi a missão de cobrir as equipes do Grupo A, onde estava a Seleção Brasileira. Desde o início da competição o time de Felipão não havia convencido, porém após superar dois adversários do próprio continente e por estar jogando ao lado da torcida, era até possível acreditar que as coisas dessem uma engrenada. Porém a traumática saída de Neymar, caiu como uma bomba e bastou ver as feições angustiadas dos jogadores durante a execução do Hino Nacional para que eu achasse que as coisas não estavam normais. É claro que jamais imaginaria quem fosse ocorrer um atropelamento como requintes de crueldade como aquele, mas bastou a bola rolar para notar que nada daria certo naquela partida.

Ainda no primeiro tempo já sabia que meu colega Tauan Ambrósio seria o responsável pelo texto analítico da partida, já que ele era o responsável pelos times do Grupo da Alemanha e já ali não tinha dúvida de que o sonho do título em casa tido ido por água abaixo. Como gosto da tese "se te derem limões, faça uma limonada", decidi acompanhar cada lance através das redes sociais, que passaram a ser uma tremenda fonte de memes e brincadeiras hilariantes, típicas dos brasileiros que adoram rir dos seus próprios dramas. 

A surra foi inesquecível e deveria ter servido pelo menos para que tentássemos recolocar o nosso futebol na linha. Porém, ao que tudo indica, esse foi o primeiro de muitos "7x1" que levaremos, pois a coisa anda feia para a nossa Seleção e ainda temos a soberba de achar que não precisamos aprender nada com os nossos adversários."

Guilherme Schneider - Repórter

"Não me leve a mal, mas sou do time dos otimistas - artigo que parece escasso atualmente no país. Não acredito em manipulação de resultados em jogos decisivos. Logo, desconverso qualquer insinuação sobre o fatídico 7 a 1 ter sido 'comprado'.

A Alemanha era (e ainda é) um timaço. Ao contrário do Brasil de Felipão (e agora de Dunga). Assisti com uma esperança teimosa na vitória da Seleção Brasileira, empurrada por aquela 'torcida-gourmet' padrão Fifa.


Guilherme Schneider no Mineirão para Bélgica x Argélia / Créditos: Guilherme Schneider - Arquivo Pessoal

A Alemanha atropelou. Lá pelas tantas a esperança de um virada foi para o espaço. Só conseguia rir - aquele riso de nervoso. Ninguém esperava uma goleada dessas. Eu realmente esperava que o Brasil fosse chegar nas finais.

O melhor dos negócios foi vender o ingresso da decisão do 3º lugar. Aquela Seleção Brasileira mostrou um completa desequilíbrio emocional, contaminando até mesmo o meu otimismo bobo. Ao menos ficou a sensação de ser contemporâneo a um dos resultados mais impressionantes das Copas do Mundo."

Cássio Santestevan - Repórter

"Foi surpreendente. Eu estava no plantão, no site, desde mais cedo, acompanhei a preparação para o jogo. Esperava vitória alemã, mas não do jeito que foi. A partida, na minha análise, foi resultado de escolhas técnicas e táticas ruins, abatimento dos jogadores brasileiros pela ausência de Neymar, e de um grande jogo alemão. Foi uma lição dentro de campo, mas não mais que isso. Sem Felipão e sua teimosia, não tomaríamos nem três. Em outro cenário, até uma vitória seria possível. A Argélia quase eliminou a Alemanha no mesmo torneio.

Falar sobre as gozações depois, do "7 a 1 fora de campo" sobre a falta de planejamento, é complicado. Penso que o time precisa de reformulação, mas sou pessimista em relação a isso. Tirando o que acontece em algumas seleções europeias, como a Alemanha, não vejo esses projetos em que se pensa anos à frente acontecendo em nenhum país sul-americano. Adoraria que estivesse errado, que até o calendário e as condições de jogo mudassem por aqui, mas o que cobramos da CBF, da seleção nacional, não acontece também com os nossos vizinhos.


Argélia quase eliminou a Alemanha na Copa do Mundo / Créditos: Fernanda Meneghetti - Arquivo Pessoal

A Argentina foi finalista do Mundial e embora o time tivesse mais qualidade técnica e estivesse melhor montado taticamente, nos bastidores, a AFA é igual à CBF e à Commebol. Não houve um longo planejamento em volta de Messi e cia, mas pelo menos, se apostou as fichas nos homens certos no comando. A diferença entre perdedores e vencedores, nas disputas entre seleções principalmente, onde não há o trabalho diário, algo reservado aos clubes, acaba se definindo pela qualidade superior de alguns jogadores e técnicos."

Gabriel Pazini - Repórter

"Assim como o editor Felipe Torres, sou mineiro, de Belo Horizonte, e trabalhava em um outro jornal local. O futebol é delicioso porque proporciona algumas surpresas incríveis e histórias que parecem inacreditáveis, mas nunca tinha visto algo como aquilo que ocorreu no dia 8 de julho de 2014. Cobrir a Copa do Mundo em seu país é um sonho para qualquer jornalista, curiosamente, até mais do que cobrir em outro território, já que a chance é menor, pois é difícil presenciar dois Mundiais em sua terra. 

Apesar de crescer vendo o Brasil finalista em três Copas seguidas e ganhando duas, além de ver o puro talento da Seleção pré-2006 que depois decepcionou, curiosamente na Alemanha, nunca fui fã e torci pelo Brasil. Sempre fui apaixonado pelo meu time, mas nunca tive a mesma ligação com o time da CBF.

Nos dias e horas antes da partida, eu era tido como o realista chato da redação. O clima, apesar da ausência do Neymar e do futebol nada convincente da Seleção, era de alegria e esperança na vitória. Eu era dos poucos que em textos analíticos e programas na webtv afirmava que o Brasil não venceria e não tinha nem de perto time para bater de frente com a Alemanha, que era muito, muito superior técnica e taticamente, coletiva e individualmente. 


Jogadores brasileiros sofrem com a goleada sofrida / Créditos: Getty Images

Foi surreal, mas uma porrada que o futebol brasileiro precisava tomar. Pena que de nada adiantou por enquanto. A arrogância de achar que ainda somos os melhores, algo que faz tempo que não somos, continua, assim como as incontáveis escolhas erradas fora de campo. Deixando os cartolas e a corrupção de lado, a mentalidade e cultura do futebol de resultado, a formação de técnicos e as categorias de base entregues aos empresários, que priorizam acordos ao invés do talento - basta ver os milhares de garotos que não conseguem espaço aqui e estouram na Europa - precisam mudar urgentemente, mas parece que o 7 a 1 não foi suficiente para essas pessoas. Realmente, o 7 a 1 foi pouco."

Fernanda Menegheti - Repórter

"Acompanhei a Copa do Mundo com dois sentimentos diferentes. Meu lado jornalista sabia das fragilidades da Seleção Brasileira, ainda mais depois da perda de Neymar. Porém, sou uma torcedora da Seleção Brasileira e alimentava a esperança de ver nosso país garantir o título em casa. Tive a chance de ver aqui em Porto Alegre a Argélia quase eliminar os alemães e isso também me motivava. Mas o resultado não poderia ser pior.

Estava trabalhando no momento do jogo e precisei ver com frieza o Brasil ser humilhado. No primeiro gol já senti que o desequilíbrio emocional dos atletas brasileiros era muito grande para reverter. Além disso, nenhum jogador parecia capaz de chamar a responsabilidade e, talvez, empatar o duelo em uma jogada individual. Foi desastroso. Uma goleada histórica. Não tivemos uma bom preparação, um time consistente, um técnico capaz de entender o futebol moderno... Serão anos para recuperar a confiança do torcedor e o respeito mundial."

Vanessa Rodrigues - Repórter


Vanessa Rodrigues na Arena da Baixada durante a Copa / Créditos: Arquivo Pessoal

"Estava no plantão do site no dia do 7 a 1, o que de certa forma diminuiu um pouco a decepção que seria assistir torcendo. Apesar de não ter uma relação muito próxima com a Seleção, como tenho com o meu clube, fiquei um pouco chateada com a nossa eliminação em casa em um torneio tão marcante.

Resgatei aqui a breve mensagem que publiquei no dia: "Para quem tinha dúvida, tivemos muita Copa! Valeu a festa! Fazer parte de um torneio que será lembrado por anos e anos. Momentos que o futebol com sua grandeza nos proporciona. A Alemanha sobrou em campo e também em simpatia fora dele. Agora nos resta rir do próprio vexame, como o brasileiro sabe muito bem fazer. Triste mesmo é ter que esperar quatro anos para viver novamente essa emoção. Mas não acabou, agora é secar os hermanos!"
 

Fernando H. Ahuvia - Repórter

"Antes mesmo de o Brasil fazer a sua estreia na Copa do Mundo já tinha a nítida sensação de que o hexa não seria conquistado. Adquiri esse sentimento durante o tempo em que estive cobrindo pela Goal a preparação da equipe comandada por Felipão na Granja Comary. Um verdadeiro circo do futebol foi montado, com prioridade para determinadas emissoras de televisão e jornalistas. Isso sem falar do clima de oba-oba entre os jogadores e da lamentável declaração do coordenador técnico Parreira, que disse que a Seleção já estava com uma mão na taça.

Apesar de sempre ter sido mais apaixonado pelo meu clube, nunca deixei de torcer pelo time canarinho. E foi justamente esse meu lado que me fez acreditar no impossível. Acompanhei a sofrida vitória dos comandados de Joachim Löw sobre a Argélia, nas oitavas de final, em um reduto alemão, em São Paulo, para fazer uma matéria para o portal e deixei o local com a sensação de que o Brasil poderia conseguir surpreender.

Felrnando H. Ahuvia na Granja Comary durante a cobertura do Mundial / Créditos: Arquivo pessoal

Estava totalmente enganado. No fatídico 7 a 1, estava na Vila Madalena (bairro boêmio da cidade de São Paulo). A grande maioria das pessoas que ali estavam sabiam que o jogo seria difícil, ainda mais sem Neymar em campo. No entanto, ninguém poderia imaginar que o Brasil seria atropelado. A reação das pessoas foram as mais diversas. Muitos voltaram pra casa antes mesmo do fim do primeiro tempo. Os que ficaram não acreditavam no que estavam vendo. Alguns xingavam, outros choravam e tinha também aqueles que riam de tamanha desgraça.

O resultado corrobora com a opinião minha e da grande maioria das pessoas de que o futebol brasileiro passa por uma profunda crise nos últimos anos. Fica difícil imaginar dias melhores com as mesmas pessoas no comando do esporte mais popular do nosso país."

Raphael Saavedra - Repórter

"Bom, no dia do jogo contra a Alemanha o meu plantão começava no mesmo horário, mas eu estava com a minha família e mesmo com a perda do Neymar no jogo anterior, a sensação era de otimismo, já que a Copa era no Brasil e havia aquele sentimento geral de que seria o momento de enterrar 1950 e conquistar o hexa em casa.

Quando o Felipão confirmou o Bernard no time eu já fiquei preocupado e o gol do Müller no início foi um choque de realidade. Até o terceiro gol ainda parecia possível reagir, mas depois passou a ser uma situação engraçada e nervosa ao mesmo tempo.


Torcedores brasileiros no Mineirão antes da derrota histórica / Créditos: Felipe Torres - Arquivo Pessoal

A gente sabia que a Alemanha tinha um time superior, mas a dificuldade nas fases anteriores permitiu a gente sonhar com uma vitória e um título em casa contra a Argentina. Mas no fim, ficou a esperança de que aquele resultado pudesse marcar um nova era na Seleção, o que ainda não aconteceu um ano depois."

Jaqueline Lima - Repórter

Inesperada. Assim eu vi a goleada histórica sofrida pelo Brasil na semifinal da Copa do Mundo de 2014. Na época, eu estava envolvida em outros projetos, ainda não trabalhava na Goal, mas como todo o Brasil, eu parei para acompanhar e torcer pela nossa Seleção. 

Saí do local onde trabalhava e fui correndo me reunir com os meus familiares, e ainda passei em um local aqui em Itaquera onde tinha instalado um telão e sempre lotava nos principais duelos da competição. Posso dizer que como muitos brasileiros e meros torcedores, eu achava que seria muito difícil, ainda mais pelo desempenho mediano dos outros jogos, mas eu acreditava.

Em poucos minutos vi que realmente não seria dessa vez. O Brasil foi dominado pela Alemanha e começaram a sequência de gols. Os jogadores pareciam desorientados em campo, não conseguia entender o que estava acontecendo. .. Sabe quando você acha que está meio que sonhando, como se aquilo não fosse possível. Eu ri, mas não de alegria como todos esperávamos, e sim de perplexidade. 

No fim, todos sabemos o que aconteceu. Acho que até no jogo seguinte contra a Holanda, na disputa do terceiro lugar, o sentimento era meio que de medo de passar outro vexame.