Exclusivo: "Cara" do Cruzeiro em 2016, Arrascaeta explica boa fase, ano ruim da Raposa e comenta parceria com Ábila

Fundamental na equipe estrelada, líder de várias estatísticas ofensivas e com grandes atuações na temporada, meia uruguaio fala sobre o ano celeste

A caminhada de Giorgian de Arrascaeta no Cruzeiro tem sido cheia de altos e baixos. Cobiçado por clubes brasileiros e europeus, o jovem meia uruguaio, hoje com 22 anos, chegou ao time estrelado no início de 2015 cercado de expectativa por conta da ótima Copa Libertadores em 2014 pelo Defensor e pelos bons momentos com a seleção de seu país. No entanto, ele não engrenou.


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No início, alternou grandes exibições com atuações burocráticas no Campeonato Mineiro e na Copa Libertadores. Algo natural para um jovem em um país diferente, com liga e estilo e ritmo de jogo totalmente distintos ao que estava acostumado, assim como a língua, o clima, a mídia e a pressão de um grande clube brasileiro. Além disso, o desmanche do Cruzeiro bicampeão nacional atrapalhou a temporada e o entrosamento da nova equipe.

Arrascaeta viveu seu melhor momento na primeira temporada na Toca da Raposa II na reta final do Brasileirão, assim como todo o time estrelado, após a chegada de Mano Menezes. Neste ano, mais adaptado, ele manteve a pegada, e apesar de ter ficado um tempo na reserva, é o grande nome do Cruzeiro em 2016.

Ramón Ábila, Robinho e Rafael Sóbis elevaram o nível do time, mas Arrascaeta tem sido fundamental para a Raposa durante toda a temporada. Nos últimos dois jogos, o garoto foi vital. Primeiro, na classificação às semifinais da Copa do Brasil, quando saiu do banco para marcar um gol, dar uma assistência e sofrer um pênalti na vitória sobre o Corinthians. Depois, no fim de semana, deu o passe para o tento do triunfo sobre o Vitória, pelo Campeonato Brasileiro, que fez o time estrelado abrir seis pontos de vantagem para a própria equipe baiana, a primeira na zona de rebaixamento.

Se isso não te convence, basta ver os números. Arrascaeta é o segundo colocado na lista de líderes de assistências do Campeonato Brasileiro, com oito passes para gol, ao lado de Gustavo Scarpa, do Fluminense, e atrás de Dudu, do Palmeiras, que tem nove. Ele é o vice-artilheiro da Raposa no torneio, com seis bolas nas redes, atrás somente de Ramón Ábila, com sete. O uruguaio também é o segundo jogador celeste que mais cria chances de tentos: 53, na sua frente está Robinho, com 64; o atleta ainda é o estrelado que mais finaliza: 63 vezes; e o terceiro que mais toca na bola: 1457, acima dele estão Henrique (1854) e Bruno Rodrigo (1552).

Confira os números de Arrascaeta no Brasileirão e na Copa do Brasil:

Na Copa do Brasil, o desempenho do camisa 10 também é excelente. Ele é o líder de assistências da Raposa no torneio, com sete passes para gol em sete partidas. Além disso, ele balançou as redes duas vezes e criou 17 chances de tentos, mais que qualquer outro jogador da equipe.

O jogo do Cruzeiro passa por Arrascaeta, principalmente o setor ofensivo, que depende muito dele. Em entrevista exclusiva à Goal Brasil, o camisa 10 da Raposa explicou porque vive ótima fase em 2016 e comentou as grandes atuações nos últimos dois jogos, principalmente na partida emocionante contra o Corinthians.

"Eu não esperava (entrar tão cedo no jogo contra o Corinthians). Foi muito cedo e rápido. Uma pena a lesão do Rafinha, fiquei triste com isso. Mas quando um jogador está preparado para entrar e focado na partida, ele tem uma boa chance de ir bem no jogo. Eu já vinha treinando bem na semana e estava muito preparado para entrar no jogo", afirmou.

(Foto: Juliana Flister/Light Press/Cruzeiro)

"O Ábila (para quem Arrascaeta deu uma assistência na vitória sobre o Corinthians) é um dos meus melhores amigos, tanto dentro quanto fora de campo. Nós estamos sempre juntos, com os outros gringos também, conversando, falando também do Cruzeiro. A gente se dá muito bem também dentro de campo porque sabemos da qualidade e das características do outro", comentou.

"Eu conheço muito a qualidade dele e sempre tento usar isso durante as partidas. Normalmente, eu já sei onde ele vai estar para dar o passe, como foi no lance do gol. O momento dele também é muito bom e ajuda (risos), ele marca muitos gols, então quando ele está marcando muitos gols e em ótima fase, é preciso aproveitar, porque todos os jogadores vivem uma grande fase e depois caem um pouco", analisou.

"Eu tenho mais conhecimento agora do que no ano passado. Agora estou mais acostumado com o estilo de jogo do Brasil, tenho mais experiência também. É meu segundo ano aqui e aprendi muita coisa. Também tenho uma condição física melhor agora. No Uruguai eu fazia 30 jogos no ano, quando cheguei aqui, estranhei, porque no Brasil você joga umas 70 vezes por temporada. Tem um período de adaptação natural e neste ano estou muito melhor. Ganhei mais confiança e experiência, também estou melhor fisicamente, até porque o futebol brasileiro exige isso, porque tem jogo de três em três dias", explicou.

(Foto: Yuri Edmundo/Light Press/Cruzeiro)

Arrascaeta também falou sobre o trabalho de Mano Menezes, que assim como em 2015, recupera o Cruzeiro em 2016, tirando a equipe da zona de rebaixamento e, nesta temporada, fazendo o time estrelado também sonhar com o título da Copa do Brasil. O meia garante não ter ficado chateado com o período em que ficou na reserva e ainda analisa porque a Raposa decepciona no ano.

"No início do ano, nós não tínhamos o mesmo elenco de agora. Rafinha, Sóbis, Ábila, Robinho, Lucas... Muitos jogadores chegaram no meio da temporada, e os jogadores que chegaram no meio do ano não puderam fazer uma pré-temporada com a gente, então demorou um pouco para encaixar. Mas cada um chegou para dar o seu melhor. Não estamos bem esse ano, é verdade, mas são adversidades que acontecem e precisamos encarar. Todos tentamos dar nosso melhor, mas às vezes as coisas não dão certo", opinou.

"O jogador também tem que compreender o treinador. O Cruzeiro tem um bom plantel, com excelentes jogadores. Todos têm que estar preparados e o Rafinha vinha jogando muito bem. Eu não fico nem fiquei chateado com a reserva. Sobre o Mano, ele é um excelente treinador", elogiou.

"Cada treinador tem o seu estilo de jogo, e o estilo do Mano combina muito com o do Cruzeiro e o do plantel. O Mano é excelente taticamente e trabalha muito bem a parte defensiva. Já no ataque, com a qualidade dos jogadores que temos do meio-campo para a frente, conseguimos criar muitas chances de gol, e o Mano também sabe trabalhar com a gente para acharmos os espaços e trabalharmos bem isso. Para o Mano, também, o fundamental é fechar os espaços e tentar não tomar gols", disse.

(Foto: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro)

Agora, Arrascaeta sonha em conquistar seu primeiro título pelo Cruzeiro. O meia uruguaio deseja jogar em um grande clube europeu e ser titular da seleção uruguaia, mas no momento, seu grande objetivo é levantar uma taça com a Raposa.

"Não temos prioridade entre Brasileirão e Copa do Brasil. Queremos sair dessa situação difícil e evitar o rebaixamento e também sermos campeões (do torneio mata-mata). Vamos com tudo em busca dos dois objetivos e tenho o sonho de ser campeão no Cruzeiro", revelou.

Para conseguir realizar seu sonho, Arrascaeta precisa, primeiro, ajudar o Cruzeiro a chegar na final da competição. Para isso, será necessário passar pelo Grêmio na semifinal. O jogo de ida ocorre nesta quarta-feira (26), às 21h45 (de Brasília), no Mineirão. O embate promete um bom duelo, cheio de emoções, entre os dois maiores campeões da Copa do Brasil, e a Raposa aposta no seu camisa 10 para desequilibrar e terminar uma temporada decepcionante até aqui com um título.