Aos 104 anos, ex-goleiro do Fla relembra histórias e provoca o Flu: "é um bom freguês"

Ao completar 104 anos, Fernandinho, último goleiro amador do Flamengo relembra rivalidade com o Fluminense e esquenta a decisão da Taça Guanabara

Fundado em 1895, o Flamengo tem ao todo 121 anos de histórias e conquistas. Um clube centenário mas que pode se dar ao luxo de ter um ídolo vivo desde os seus primórdios. Nesta quinta-feira, o primeiro goleiro profissional do Rubro-Negro, Fernandinho, completa 104 anos de idade.


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Fernando Ferreira Botelho viu praticamente toda a história do clube que foi fundado na rua Paysandu, no bairro do Flamengo. Ele pegou a transição para a Gávea, onde hoje é a sede Rubro-Negra, viu o Flamengo conquistar o status de Mais Querido do Brasil.

Fernandinho não é só o primeiro goleiro profissional da história do Rubro-Negro, ele também foi o último amador. Sua carreira no clube começou em 1930 e foi até 1934, quando por conta de um problema no joelho teve que abandonar o futebol. 

Fernandinho e time do Flameng
(Foto: Raísa Simplicio / Goal Brasil)

Apesar da falta dos títulos, ele é o goleiro com a menor média de gols sofridos na história do clássico mais charmoso do Brasil e logo na sua estreia venceu o Fluminense por 1 a 0 ajudando a quebrar um jejum contra o Tricolor que já durava três anos.

"O Fla-Flu era a maior rivalidade(da época), o Vasco chegou depois, na época era segunda divisão. Mas o América era um time forte. Eu nunca perdi para eles(Fluminense), ganhei todas as partidas que joguei contra eles. o Fluminense é um bom freguês. Eu estreiei contra o Flumimense ganhando de um a zero, foi uma estreia boa", afirmou Fernandinho".

Hoje em dia exige-se muito que os goleiros saibam jogar com o pé, mas Fernandinho garante que na sua época ele já fazia isso, tanto que o ex-arqueiro revela que começou a carreira no meio-campo. 

"Eu não era goleiro, eu era um bom centro-médio da época do Júlio Silva. Mas eu batia muita bola no gol, e um goleiro, um garoto lá da época ele bateu na trave e faturou uma costela, aí esse senhor Júlio Silva me disse, você vai para o gol, mas eu nunca tinha ido para o gol só tinha mania de bater bola no gol, a partir daí eu fui para o gol".

As viagens muito frequentes hoje em dia não eram tão comuns na década de 30, mas já existiam. Fernandinho revela que pegava Navio ou trem para disputar partidas em outras cidades e até país.

"Eu estudava medicina, fui jogar na Argentina e ganhei deles, era tudo de navio, não tinha avião. Para São Paulo a gente ia de trem, demora uns três dias para chegar. Fui para Salvador e ganhei seis partidas, andei por esses lugares, fui no Uruguai, em Montevidéu, eles eram campeões do mundo e ganhei deles".

Fernandinho Flamengo 104 anos
(Foto: Raísa Simplicio / Goal Brasil)

Fernandinho viu de perto toda a história profissional do Rubro-Negro, conviveu com Kanela, de quem era amigo, com Flávio Costa e tantos outros ícones do clube. Viu a construção do Maracanã, o crescimento de Zico e praticamente todos os goleiros que passaram pelo Flamengo. Especialista na posição, ele elegeu seus arqueiros preferidos.

"Amado Benigno foi o melhor goleiro que eu vi, um grande goleiro. A missão de ficar no gol, os gols eram pedaços de madeira, aquilo era um perigo. Uma vez eu fiz uma defesa e bati as costelas naquele bico, fiquei dois, três dias sem andar. Eu gosto também do Júlio Cesar, bom menino, agarrava muito bem, eu dava conselhos para ele aqui no Flamengo e ia lá bater bola com ele, ele foi embora muito cedo do Rio, não tinha goleiro melhor do que ele".

A história de Fernandinho se confunde com a do Flamengo, e na hora de falar o que o clube Rubro-Negro representa para ele, o ex-arqueiro não mediu as palavras.

"Eu sempre fui ao Flamengo, as festas, aniversário, sou agradiado, eles me tratam bem. É a minha segunda casa, era casa e Flamengo, casa e Flamengo".