+18 | Conteúdo Comercial | Aplicam-se termos e condições | Jogue com responsabilidade | Princípios editoriais
Maldini Hall of Fame desk

Hall da Fama – Paolo Maldini, o melhor zagueiro da história: a lenda nunca pede permissão

No mundo do futebol, a personalidade nem sempre é uma qualidade valorizada. Técnica e liderança, no entanto, são marcas registradas dos maiores jogadores da história.

A aura que o nome de Paolo Maldini ainda exala, e sempre exalará, em todo o mundo, é incomparável a qualquer outro jogador da Azzurra de todos os tempos, nem mesmo Roberto Baggio.

O melhor zagueiro de todos os tempos, mas não segundo os torcedores: os especialistas, de Henry a Crespo, de Totti a Del Piero, de Romário a Batistuta, expressaram um consenso, que vai além das cores vestidas ao longo da carreira. Apenas duas: as do Milan.

  • Mil jogos, trinta anos, duas cores

    Mais de mil partidas disputadas na carreira, 30 anos vestindo uma única camisa, assim como seu precursor e mestre, o número 6, Franco Baresi, antes de se tornar dirigente do Milan: uma vida dedicada ao rossonero, assim como seu pai, Cesare.

    Uma das dinastias mais vitoriosas da história do futebol, um sonho para um garoto que cresceu no Oratório da Piazza Leonardo, em Milão, em frente à Universidade Politécnica: uma paixão precoce e infantil pela Juventus, mas depois sua vida ficou ligada exclusivamente ao Diavolo.

  • Publicidade
  • Paolo, filho de Cesare

    Onde se nasce, ali se cresce: a Madunina está escrita no destino de Paolo, assim como esteve para Cesare, nascido em Trieste, no Friuli, mas que chegou a Milão em 1954, com apenas 22 anos, para vestir a camisa do Milan.

    Capitão com 350 partidas disputadas, assim como “Paolino” — como seu pai gostava de chamá-lo — também seria capitão.

    Aquele filho homem que nunca nascia, porque só vinham meninas: três, antes dele, depois outros dois meninos. Quarto de seis filhos, cresceu entre Lambrate e Città Studi, antes de entrar, com apenas 10 anos, nas categorias de base do Milan, para nunca mais sair de lá.

  • "Ninguém como ele", desde 1985

    "Em 23 anos de carreira, ele nunca se afastou de um senso de moral, dever, lealdade e ética que o tornam um dos ícones do futebol", escreveu ojornal L'Equipe sobre ele, por ocasião de sua aposentadoria.

    Desde sua estreia em janeiro de 1985, que aconteceu graças a Nilis Liedholm, que o lançou com apenas 17 anos, quando se juntou ao Friuli, a poucos quilômetros de distância do local de nascimento do pai, contra a Udinese, no lugar do lesionado Sergio Battistini.

    Um sinal do destino. Inicialmente como lateral-direito, embora a época de ouro fosse do outro lado, à esquerda, com o número 3 nas costas: para ele, que sabia usar o pé esquerdo como se fosse o natural, uma fase final da carreira como zagueiro, sem nunca perder o nível.

    Herdeiro de um sobrenome de peso que nunca o oprimiu, mas sim o exaltou.

  • Os melhores anos de nossas vidas

    De Liedholm, aquele que primeiro acreditou nele, a Sacchi, aquele que o consagraria no olimpo do futebol: um dos times mais fortes de todos os tempos, com companheiros do calibre de Rijkaard, Gullit, van Basten, Savicevic e Boban, formando aquela lendária linha defensiva que os corações rossoneri recitam de cor: Tassotti-Baresi-Costacurta-Maldini, além de Filippo Galli.

    Não há necessidade de nos alongarmos na lista de honrarias, que desde o início em 1984 até o fim em 2009 inclui: uma Copa da Itália Primavera, sete campeonatos italianos, cinco Supercopas da Itália, uma Copa da Itália, cinco (cinco!) Ligas dos Campeões, ou seja, mais do que qualquer outro time italiano e a soma das 3 conquistadas pela Inter com as duas da Juventus, cinco Supercopas da Europa, recorde compartilhado com o atual rossonero Modric, além de Carvajal e Kroos, duas Copas Intercontinentais, um Mundial de Clubes, além de uma infinidade de prêmios individuais e diversas honrarias, incluindo o título de Cavaleiro da República Italiana.

  • O mais forte de todos

    Os anos vão passando, passam Sacchi, Capello, seu treinador nas categorias de base, Ancelotti; a única certeza é sempre ele: que não muda, não se cansa, renova seu amor, ensina aos jovens que chegam a Milanello o que significa vestir a camisa do Milan, é um exemplo de retidão e moralidade para quem se aproxima do rossonero.

    Alessandro Nesta, que não era exatamente um novato, diria anos depois:

    “Maldini é o melhor zagueiro de todos os tempos em termos de qualidade física e mental. Ele também errava, muito raramente, mas quando errava, isso não o abalava nem um pouco. Ele me ensinou a mentalidade. Eu vim de Roma com o cabelo alisado, sandálias e bermudas; ele me ensinou como se comportar em clubes como o Milan. Aos 40 anos, ele ainda era rápido como um trem. Foi o melhor, a única pessoa que, quando encontro, me deixa constrangido. Por quê? Não sei. Constrangido no sentido de que ele é diferente dos outros”.

  • A Curva Sud, um amor que nunca floresceu

    Aquela capacidade de constranger, pela grandeza demonstrada, em seu tom e maneira de ser. Uma personalidade forte, que não combinava bem e intimidava os torcedores da Curva Sud, com quem a relação nunca foi boa: Maldini sempre se recusou a participar das reuniões e a comparecer às festas dos ultras e sempre criticou as atitudes violentas da Curva Sud, não poupando palavras duras com alguns torcedores.

    Por exemplo, no dia seguinte à derrota em Istambul contra o Liverpool, na final da Liga dos Campeões de 2005, quando se recusou a responder às perguntas dos ultras sobre o motivo daquela derrota e, segundo algumas fontes, chamou um grupo de torcedores que protestavam contra ele de pobres mendigos.

    Essas divergências culminaram na partida de despedida, no San Siro, contra a Roma: um pequeno grupo decidiu protestar, exibindo duas faixas e invocando o nome de Franco Baresi como único capitão, chegando até a vaiar.

    O comentário, como sempre, envergonharia aqueles que não haviam compreendido a importância daquele momento para o mundo do futebol e para o Milan: "Com o tempo, percebi que foi um sucesso porque traçou uma linha ainda mais profunda entre mim e aquele estilo de futebol."

  • "Três só para você" e a saudade da seleção italiana

    A despedida do futebol aos 40 anos, a última viagem a Florença, a emoção dos verdadeiros torcedores, setenta mil em lágrimas exibindo a faixa com seu rosto e a frase “Três só para você”.

    Número que foi aposentado, assim como o 6, com a esperança de poder vê-lo novamente vestindo apenas seus herdeiros.

    Uma carreira tão vitoriosa e brilhante no clube quanto azarada na seleção: a primeira convocação em 1986, a Copa do Mundo na Itália perdida na semifinal contra a Argentina de Maradona, a terrível derrota nos pênaltis nos Estados Unidos contra o Brasil quatro anos depois, a dolorosa eliminação na França pelas mãos de Zidane e companheiros, assim como o Euro perdido em 2000 no último instante, novamente pelos Bleus, e a derrota contra a Coreia do Sul em 2002.

    A despedida da Azzurra aos 34 anos e a Copa do Mundo conquistada em 2006 por seus antigos companheiros, quando ele ainda estava em campo e poderia ter levantado a taça como capitão, talvez conquistando aquela Bola de Ouro tantas vezes almejada e que acabou sendo conquistada por Fabio Cannavaro.

  • A última vida

    Para encerrar, a última — até agora — faceta da vida de Paolo Maldini. A de dirigente, mas não qualquer um, não um papel meramente representativo e de fachada: um tomador de decisões, capaz de trazer para o time rossonero o décimo nono Scudetto de sua história, na temporada 2021/2022, graças às escolhas ousadas de Stefano Pioli no banco e de Zlatan Ibrahimovic em campo, ao lado de um velho companheiro como Zvonimir Boban.

    A capacidade de representar o Milan em todos os aspectos, sem nunca iludir e, acima de tudo, sem nunca trair a causa: melhor um “não” sincero e genuíno, por mais que possa doer, do que um “sim” complacente.

  • 44 anos depois: a lenda nunca pede permissão

    Por fim, no último ano, a transição da Elliott para a RedBird, a conturbada confirmação e a classificação para as semifinais da Liga dos Campeões, antes de perder o clássico duplo contra a Inter.

    Mas, acima de tudo, antes do claro surgimento de visões divergentes sobre o futuro e a gestão do clube, antes daquele comunicado frio que, em 6 de junho de 2023, 44 anos depois, rompeu o laço indestrutível que para sempre unirá o Milan e Paolo Maldini.

    Desde aquele momento, o Diavolo não foi mais o mesmo: os torcedores esperam por ele, sabem que ele voltará e sabem que, sem ele, será difícil ver as cores rossoneras triunfarem novamente.

    Porque Maldini sempre foi o representante dessas cores: não por escolha ou eleição, mas por natureza, porque era o mais forte de todos, mas nunca deixava isso transparecer.

    Porque a Lenda nunca pede permissão.