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Palmer-Chelsea-immortal-HIC-16:9Getty/GOAL

Cole Palmer é uma mescla de Frank Lampard, Didier Drogba e Eden Hazard - nova lenda do Chelsea incorpora melhores atributos das lendas de Stamford Bridge

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"Todo mundo falou muita besteira sobre nós durante toda a temporada", disse Cole Palmer com a naturalidade de sempre, logo após o Chelsea se tornar campeão do mundo no domingo. "Mas sinto que estamos no caminho certo." Os Blues não apenas venceram o Paris Saint-Germain — considerado o melhor time do mundo — como o atropelaram na final do novo Mundial de Clubes da Fifa, com uma vitória por 3 a 0 no MetLife Stadium.

Ao chegar ao confronto em Nova Jersey, o Chelsea era amplamente desacreditado. Sua trajetória até a final, especialmente quando comparada à maratona enfrentada pelo PSG, foi ridicularizada, sendo tratada como algo mais digno da Conference League. Quando Levi Colwill e o capitão Reece James expressaram confiança antes da partida, muitos os acusaram de estarem delirando.

Mas agora vivemos uma realidade em que o Chelsea volta a desfrutar do brilho dourado da conquista mundial. O clube está em um momento muito diferente daquele em que venceu o Mundial de Clubes em 2022, mas segue colecionando troféus. As críticas ao projeto BlueCo diminuíram — em grande parte graças ao principal nome dessa reconstrução.

Palmer marcou dois dos três gols do Chelsea e ainda deu a assistência para o outro, anotado por João Pedro, tudo nos primeiros 43 minutos de jogo. Ele foi a peça tática que nem mesmo o renomado Luis Enrique conseguiu decifrar. Sua marca esteve presente em todos os setores do campo, enquanto o PSG era dominado de forma impiedosa pelos londrinos. Agora que soma títulos ao currículo e já tem crédito de sobra, está na hora de começarmos a falar sobre Cole Palmer em termos mais elevados.

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  • Cole Palmer Champions LeagueGetty Images

    Ponto a provar

    A Conference League e o Mundial de Clubes não são, de fato, os primeiros títulos da carreira de Cole Palmer — mas ele chegou ao Chelsea como se fossem. O atacante havia integrado o elenco do Manchester City na temporada 2021/22 e passou duas campanhas praticamente à margem do grupo comandado por Pep Guardiola, período no qual conquistou quatro medalhas de campeão.

    Ao início da temporada 2023/24, Palmer deixou claro que queria atuar regularmente no mais alto nível — fosse isso no City ou em outro clube. Nenhum dos lados queria considerar um empréstimo, então buscaram uma solução definitiva. O desfecho foi a transferência para o Chelsea, por pouco mais de £40 milhões, poucos dias antes do fechamento da janela de verão da Europa. Para sorte dos Blues, ele estava decidido a construir seu próprio legado como protagonista, em vez de continuar com papéis secundários.

    "Eu sempre digo: não me sinto campeão da Champions League, se estou sendo sincero", afirmou Palmer no início deste ano. "Realmente não significa nada para mim. As pessoas falam disso, mas eu não participei de verdade. Joguei na fase de grupos e outras partidas menores, mas não é a mesma coisa, né? Não joguei a medalha fora! Ainda a tenho, mas não é como se eu sentisse que a conquistei."

    Palmer não marcou nenhum gol nas 19 partidas que disputou na Premier League pelo Manchester City antes de sair. Mas já soma 37 gols pelo Chelsea em apenas duas temporadas pela liga. Mantendo esse ritmo, deve alcançar a marca de 100 gols pelo clube na competição antes dos 27 anos.

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  • FBL-EURO-2024-MATCH51-ESP-ENGAFP

    Vai muito bem em finais

    Em duas de suas últimas partidas pelo Manchester City, Cole Palmer já dava sinais de que poderia oferecer mais. Na derrota para o Arsenal nos pênaltis pela Supercopa da Inglaterra, foi ele quem abriu o placar com um belíssimo chute — um tipo de finalização que se tornaria sua marca registrada. Dias depois, mostrou novamente sua qualidade ao empatar o jogo com uma cabeçada precisa no segundo pau, na decisão da Supercopa da Uefa contra o Sevilla, pavimentando o caminho para o título dos Citizens.

    Essa tendência de brilhar em momentos decisivos só se intensificou. Palmer saiu do banco para marcar o gol de empate da Inglaterra na final da Euro 2024 contra a Espanha — ainda que a equipe tenha acabado derrotada. Depois, foi eleito o melhor em campo tanto na final da Conference League quanto na do Mundial de Clubes pelo Chelsea. Seu desempenho em decisões começa a lembrar o de um ícone do clube: Didier Drogba, que venceu oito de suas dez finais pelo Chelsea, marcando nove gols. O detalhe curioso? O marfinense só disputou sua primeira final competitiva aos 26 anos.

    "Eu gosto de finais, aconteceu de novo", comentou Palmer no domingo. "O treinador montou um plano de jogo excelente. Ele sabia onde estariam os espaços. Me deu liberdade total, e eu só precisei retribuir marcando alguns gols."

  • Chelsea FC v Paris Saint-Germain: Final - FIFA Club World Cup 2025Getty Images Sport

    "Espécie" em extinção

    A admissão de Cole Palmer de que Enzo Maresca queria "liberá-lo" para explorar os espaços contra o PSG foi marcante — especialmente numa era em que os papéis dos jogadores são cada vez mais definidos e estruturados. O próprio Maresca chegou a ser criticado por certa rigidez tática ao longo da temporada 2024/25, principalmente nos momentos de dificuldade do Chelsea. Antes da final do Mundial de Clubes, o treinador brincou que seu plano era manter a posse de bola como de costume. Mas aquilo se revelou uma cortina de fumaça: os Blues tiveram apenas 34% da posse, mas sua energia intensa e os ajustes estratégicos fizeram parecer que controlavam o jogo.

    Maresca não via o papel de Palmer como completamente livre, mas reconhecia que seu novo camisa 10 tinha "licença para matar". "Eles jogam com três meio-campistas, e dois deles estavam encarregados de Reece (James) e Moi (Caicedo). O Vitinha marcava o Enzo (Fernández)", explicou o técnico após a vitória. "Achamos que seria uma boa oportunidade para explorar o espaço com o Cole e o Malo (Gusto). Esse era o plano. Tentamos colocar os jogadores em posições onde possam render ao máximo. Foi um esforço coletivo. Todos os jogadores merecem este momento. Estou muito feliz por eles."

    O resultado desse plano tático foi um Palmer que se destacou como um meia ofensivo do tipo cada vez mais raro — criativo, imprevisível e letal. Apesar de não ter atributos físicos impressionantes e de, por vezes, parecer até um pouco displicente em seus movimentos por conta do físico franzino, ele cresce em transição e com espaço para pensar. Um dos méritos menos comentados da final foi o modo como Palmer neutralizou completamente Nuno Mendes — um lateral que havia sido apontado recentemente como candidato futuro a Bola de Ouro —, fazendo com que parecesse inexperiente.

    Palmer liderou a final em conduções progressivas (quatro) e participações em sequências ofensivas (sete), abrindo o campo com infiltrações diagonais pela direita e iniciando ataques a partir de posições mais recuadas no campo do PSG. Ele evocou aquele tipo de magia com a bola que o Chelsea costumava ver na era pré-BlueCo, num projeto que agora, curiosamente, começa a lembrar mais os "Galácticos" do Real Madrid.

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  • Chelsea FC v Leicester City FC - Premier LeagueGetty Images Sport

    Superando uma fase ruim

    Seria fácil, neste momento em que Cole Palmer está no topo do mundo, ignorar suas falhas e fraquezas. Após terminar a temporada com 18 gols e 14 assistências, conquistando dois títulos importantes, seria natural imaginar que tudo correu sem grandes obstáculos. Mas essa impressão não faz justiça à realidade de sua campanha.

    Na verdade, Palmer havia marcado 14 gols até o dia 14 de janeiro, antes de passar por um longo jejum de 18 partidas na Premier League sem balançar as redes. O último gol com bola rolando antes do torneio da Fifa foi contra o Bournemouth, ainda no meio do inverno europeu. Depois disso, só voltou a marcar na liga no dia 4 de maio — e de pênalti — contra o campeão Liverpool.

    Durante esse período, os adversários aprenderam a lidar melhor com o Chelsea. As equipes deixaram de pressionar alto, sabendo que abrir espaço para um time jovem e veloz era receita para o desastre. Com isso, não apenas Palmer, mas todo o setor ofensivo passou a encontrar menos oportunidades. Quando finalmente encerrou a seca, o desabafo foi sincero: “M*rda acontece... desculpa pela linguagem. Isso acontece, fiquei três meses sem marcar, mas isso só me dá mais garra e motivação para fazer mais por mim e pela equipe."

    Ele continuou: “As redes sociais hoje em dia estão cheias de idiotas. Eu não presto atenção nisso. Marquei hoje e estou feliz, mas é só um gol. Tenho que continuar melhorando e tentando alcançar novos níveis. Quando você tem chances e não marca, sente que está decepcionando sua equipe. Eu me considero mentalmente forte. Tenho orgulho de ajudar o time e, se não estou fazendo isso, não estou satisfeito.”

    Palmer chegou ao Mundial de Clubes depois de conquistar a Conference League e garantir a vaga do Chelsea na Champions, ainda que os gols não estivessem saindo com facilidade. Antes da final, havia marcado apenas uma vez na competição — um belo gol na vitória por 2 a 1 sobre o Palmeiras nas quartas de final. Mesmo assim, sua atuação decisiva na final não foi nada parecida com a de um jogador sem confiança ou em má fase. Pelo contrário: foi a de alguém pronto para comandar.

  • 'Assustadoramente bom'

    Nos dias que antecederam a final do Mundial de Clubes, o marketing da Fifa alavancou Cole Palmer de volta ao centro dos holofotes — apesar de sua fase recente menos inspirada em termos de gols. Em uma das peças promocionais mais marcantes, ele aparecia ao lado de Ousmane Dembélé, do PSG, em uma recriação da icônica foto Lunch Atop a Skyscraper, tirada em Nova York no início do século 20. Ao mesmo tempo, a Nike intensificava sua própria campanha, estampando o rosto de Palmer por toda a Times Square com o slogan "assustadoramente bom". E enquanto tudo isso acontecia, o tranquilo camisa 10 da Inglaterra era visto circulando pelo centro da cidade em uma scooter, vestindo um simples moletom.

    Era uma expectativa gigantesca a ser correspondida — mas Palmer entregou, e mais uma vez superou as projeções, como tem feito desde que chegou ao Chelsea. Já Dembélé, considerado por muitos o favorito à Bola de Ouro de 2025, mal foi notado em campo. "São nesses jogos que esperamos que o Cole apareça — jogos grandes, momentos grandes. E, mais uma vez, ele mostrou o quão bom é", destacou Maresca após a vitória.

    Palmer tem apenas 23 anos e, aos seus próprios olhos, está prestes a disputar a Champions League de forma significativa pela primeira vez na carreira. Até agora, ele quebrou todos os limites que colocaram à sua frente — e não seria nenhuma surpresa se continuasse a fazer isso.

  • Chelsea FC v Paris Saint-Germain: Final - FIFA Club World Cup 2025Getty Images News

    Rosto deste novo Chelsea

    Nos últimos 20 anos, a identidade do Chelsea foi moldada pela vitória — custasse o que custasse. O clube, por vezes, tropeçava em troféus, com suas duas conquistas da Champions League não vindo necessariamente nas temporadas em que tinha seus times mais fortes. Eles ganhavam a Premier League, flertavam com o rebaixamento, e depois ganhavam a liga de novo. Esse era o Chelsea: imprevisível, mas vitorioso.

    Os primeiros anos da era BlueCo, no entanto, apagaram parte desse brilho. O clube parecia perdido, e críticas como a famosa frase de Gary Neville — “um time de milionários que falha”, após a derrota na final da Copa da Liga Inglesa de 2024 para o Liverpool — se tornaram comuns. O Chelsea passou a ser motivo de piada. Agora, porém, parece estar de volta aos trilhos, com uma sequência de títulos singular e inédita: a conquista da Conference League seguida do Mundial de Clubes. Mesmo que o time ainda não inspire a aura de melhor do mundo, é, oficialmente, campeão mundial.

    Para Cole Palmer, esse sucesso concreto abre novas possibilidades sobre seu legado no clube. Seu primeiro ano em Stamford Bridge foi eletrizante, uma das grandes histórias da temporada. O segundo foi mais irregular, com uma queda de rendimento no meio, mas ainda assim mostrou que ele possui todos os atributos de um craque moderno.

    Palmer é o rosto desta nova versão do Chelsea e, realisticamente, pode continuar sendo ao longo da década de 2030. Ele está começando a reunir a veia decisiva de Didier Drogba em finais, a consistência produtiva de Frank Lampard e a elegância criativa de Eden Hazard. Não seria absurdo imaginar Palmer igualando o recorde de finais de Drogba, ultrapassando Lampard na artilharia histórica ou se tornando o criador de jogadas geracional que Hazard foi. No momento, ainda está um nível abaixo desses ícones em termos de legado e títulos, mas tem tempo, talento e contexto ao seu lado para um dia ocupar seu lugar no panteão dos grandes do Chelsea.

  • Chelsea FC v Paris Saint-Germain: Final - FIFA Club World Cup 2025Getty Images Sport

    Chelsea deve protegê-lo

    Problemas e desafios quase certamente aparecerão para o Chelsea na próxima temporada. Isso não significa que o time vai fracassar, mas certamente não terão tudo a seu favor. A falta de um descanso prolongado durante o verão europeu cobrará seu preço em algum momento — mesmo que o clube esteja planejando o futuro com um número crescente de contratações — e terão pela frente um calendário ainda mais exigente do que o de 2024/25, ao trocar a Conference pela Champions League. Será um ajuste que tanto Palmer quanto Maresca precisarão administrar. Além disso, a Copa do Mundo de 2026 começará a tomar foco conforme a temporada avançar, e Thomas Tuchel estará na expectativa de contar com um Palmer em forma e descansado para brilhar nos Estados Unidos daqui um ano.

    O Chelsea mostrou que tem capacidade para fazer o salto rumo à disputa consistente da Premier League e da Champions League, embora essa seja uma tarefa difícil, pois exige uma transição para um futebol mais regular, com o time titular mais forte possível atuando a cada três dias. A equipe de recrutamento tem trabalhado para acrescentar talentos ao redor de Palmer, aliviando a pressão por gols, com nomes como João Pedro e Liam Delap se destacando no torneio, e Jamie Gittens chegando a Cobham, enquanto Estêvão deve desembarcar na Inglaterra em breve. Esse jovem elenco já provou ter gosto pelo sucesso, e o clube precisa fazer tudo ao seu alcance para garantir que esse ímpeto seja mantido.