Gilette Brasil Global Tour

O prêmio virou uma obsessão para os brasileiros que viram o baixinho levantar a taça depois de liderar o Brasil na conquista do tetra

Neymar ficou grande demais para não ser protagonista. É assim que muitos pensam e, por isso, avaliam como positiva a idade do craque brasileiro para o PSG, onde sem dúvida será a referência da equipe. Algumas pessoas também acreditam que indo para uma equipe "sua", ele terá mais chances de faturar a tão sonhada bola de ouro, já que no Barcelona tudo girava em torno do argentino Lionel Messi, cinco vezes eleito o melhor do mundo.

É inegável a obsessão dos brasileiros pela bola de ouro, desde que encantou o mundo com a camisa do Santos essa projeção era feita em cima de Neymar, agora, mais do que nunca, esse sonho parece estar perto de realizar. O craque terá um time, uma Champions League, uma Seleção e uma Copa do Mundo para quebrar a hegemonia do argentino e do português. 

Neymar Messi Cristiano Ronaldo Ballon DOr 2015 13 10 2016
(Foto: Getty Images)

Caso consiga este feito pelo PSG, Neymar será o sexto brasileiro a faturar este título. A história de amor entre os craques da Verde-Amarela e o prêmio de melhor do mundo começou com o Romário, em 1994. 

Ele lidera uma lista ilustre de brasileiros formada por nomes como Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo e Kaká. O "Baixinho" ganhou apenas uma vez, mas nunca deixará de ser o pioneiro entre os brazucas a levantar o troféu tão cobiçado por boleiros de todo o mundo. 

Em 1994, o então atacante do Barcelona conquistara a Copa do Mundo dos Estados Unidos levando o Brasil ao quarto título mundial. Na eleição da FIFA (onde obteve 346 pontos), ficou à frente do búlgaro Hristo Stoichkov, seu amigo de clube e "parceiro" fora dos gramados, e do italiano Roberto Baggio, a quem derrotou na final do torneio. Foi eleito ainda o melhor jogador da Copa do Mundo. O mundo estava aos seus pés. 

O desempenho de Romário no Barcelona foi decisivo na conquista do prêmio, que até 1991 não tinha a chancela da FIFA e era restrito aos jogadores europeus. A Bola de Ouro era uma premiação da revista francesa France Football e por essa razão craques como Maradona (que dominou a Copa do México em 1986) ou Pelé (em 1970) nunca ganharam o prêmio. E desde 1994, o prêmio de melhor do mundo e da Copa nunca coincidiu. Romário mantém o título até os dias de hoje. 

Romário Barcelona x Real Madrid
(Foto: Getty Images)

Conhecido como o "Gênio da grande área", Romário chegou o Barcelona em 1993, depois de cinco anos jogando no PSV Eindhoven, da Holanda. No clube holandês, fez 165 gols em 167 jogos, marcando época no clube. Foi artilheiro de diversos campeonatos, entre eles a Copa dos Campeões da UEFA, e ajudou o PSV a se destacar no cenário internacional. Seus gols chamaram a atenção do gigante espanhol, que comprou o jogador por U$ 4,5 milhões. Logo na pré-temporada, Romário disse a que veio: marcou quatorze gols em oito partidas. 

"O melhor jogador que já treinei? Foi Romário. Você podia esperar qualquer coia dele. Era um jogador extraordinário, de técnica extraordinária", disse o ex-jogador Johan Cruyff ao El Mundo Deportivo em 2012. O craque holandês da Copa do Mundo de 1974 era técnico do Barcelona no período em que Romário jogou no time espanhol. 

Romário FIFA BALLON D'OR 1994
(Foto: FIFA.COM)

O atacante, revelado pelo Vasco no começo da década de 80, teve no Barcelona o ápice de sua carreira em um clube. Após a pré-temporada, marcou três gols no primeiro clássico que jogou contra o Real Madri, duelo que o clube catalão venceu por 5-0. Contra o Atlético de Madri, mais três gols e o Barcelona acabou recuperando um campeonato praticamente perdido para o La Coruña de Bebeto e Mauro Silva. 

Romário emendou o título no Campeonato Espanhol com a artilharia do campeonato e, pela beleza de seus gols, foi chamado pelo dirigente Jorge Valdano de "jogador de desenho animado". A Espanha se rendeu ao futebol do "baixinho" e ficou impossível para Parreira, então técnico da seleção, não convocar o jogador para a Copa do Mundo de 1994. No Barcelona, Romário jogou 82 partidas e marcou 53 gols. Foi campeão da La Liga, da Supercopa da Espanha e do Troféu Teresa Herrera. 


VEJA TAMBÉM:


Assim como tudo na carreira de Romário, sua chegada ao time que seria campeão do mundo em 1994 foi marcada por polêmicas. Lesionado em 1990, o jogador, que já tinha 28 anos, apostou todas as fichas na Copa do Mundo dos Estados Unidos. No entanto, uma crítica pública ao técnico Parreira o deixou distante da seleção durante boa parte das Eliminatórias. Mas com o Brasil em apuros e a beira de ficar fora pela primeira vez de uma Copa, o técnico se rendeu ao apelo popular e convocou o Baixinho. E quem foi ao Maracanã ver aquele Brasil 2-0 Uruguai não esquece a atuação memorável do jogador, que marcou os dois gols da vitória brasileira, selando a classificação do Brasil. 

Garantido na Copa do Mundo, Romário foi decisivo para o time. O estilo pragmático de Parreira contou com o brilhantismo do atacante na frente, que marcou naquela Copa o gol da classificação para a final, de cabeça, contra a Suécia, e deu o passe para Bebeto marcar o sofrido gol contra os Estados Unidos (entre outros gols). Na final, bateu um dos pênaltis da decisão de forma fria, uma de suas principais características em campo. Junto com Dunga, Romário foi o o dono e a cara daquele time. 

World Cup 1994
(Foto: Getty Images)

"Esse é um exemplo de que não se ganha só dentro de campo, tem que ser tudo planejado. A intenção (de Parreira ao colocar Romário e Dunga no mesmo quarto durante a Copa) foi tentar focar o Romário naquilo que ele queria, que era ser campeão do mundo, artilheiro, melhor jogador da Copa. Colocar um amigo verdadeiro, que fala claramente", die Dunga em recente entrevista ao jornal Zero Hora.  

Na seleção, de 1987 a 2005, o atacante jogou 85 vezes e marcou 71 gols.