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De meia criticado em 1990 a campeão do mundo em 1994, a GBGT explora a trajetória do novo técnico da seleção brasileira

A seleção brasileira inicia hoje, 22 de julho, sua quarta Era Dunga. Quando a primeira surgiu, em 1990, poucos poderiam afirmar que o meio-campo chegaria ao posto de técnico da seleção brasileira. Ainda mais duas vezes! Controverso, guerreiro, de temperamento explosivo e vencedor, o gaúcho Carlos Caetano Bledorn Verri, o Dunga, 51 anos, quer apagar o passado de brigas com a imprensa e opinião pública para fazer da Copa de 2014 apenas uma lembrança distante.

Dunga levantou a taça do quarto título mundial do Brasil em 1994, exatos quatro anos após a Copa de 1990. A conquista foi a redenção do jogador, que batizou toda uma geração de jogo feio e truncado, chamado pela imprensa de "Era Dunga". Em 1990, o Brasil foi eliminado da Copa após perder para a Argentina e o time, assim como os jogadores, foram "acusados" de terem jogado fora o "jogo bonito" da seleção.

Na época, Dunga se abateu. Mas deu a volta por cima quando, em 1994, foi um dos jogadores de maior destaque do time. Líder, vibrante em campo, volante de marcação dura, Dunga jogou no Internacional, Vasco, Corinthians, Santos, Pisa, Fiorentina, Pescara, Stuttgart e Júbilo Iwata. Pela seleção brasileira foram 91 jogos e 7 gols marcados. Foi campeão gaúcho, carioca, paulista, sul-americano sub-20, Copa do Mundo sub-20, Pré-Olímpico de 1984, Copa América em 1989 e 1997 e vice-campeão do mundo em 1998.

"Nelson Mandela tinha tudo contra e conseguiu mudar a forma das pessoas de pensar com paciência. Espero que eu possa ter 1% da paciência dele. Eu não penso em mim, penso na seleção brasileira. Se a Seleção estiver bem, eu vou estar bem, estar feliz. Tem muito sacrifício, mas a alegria e satisfação é bem maior", disse o novo treinador em sua apresentação.

Ele sabe como poucos como a maneira de as pessoas pensar pode dar força para seguir em frente. Mesmo sendo símbolo de um futebol "mal jogado", Dunga seguiu em frente. Tanto que se tornou referência de raça, amor a camisa, disciplina e jofo aguerrido.

"A minha primeira passagem foi pedida para resgatar o valor da Seleção, a camisa e obter resultados. Só conseguimos isso com resultados. A segunda passagem é preparar a Seleção para a Copa de 2018. No caminho, nós vamos ter uma Copa América e vamos encontrar seleções em ótima fase. Todas as seleções melhoraram muito.

"O Brasil tem 200 milhões de pessoas e todos nós queremos jogar futebol. Chegar à Seleção é fantástico. E retornar à seleção é quase impossível. Como na vida não tem nada impossível. O carinho do torcedor é o mesmo. Ele está machucado, mas a seleção significa muito para o povo brasileiro. Vamos conquistar isso através dos resultados. Vamos mostrar ao torcedor que queremos o melhor".

Como técnico da seleção brasileira, Dunga tem 60 jogos no currículo. Foram 42 vitórias, 12 empates e 6 derrotas.

"Lógico que a escolha para voltar foi em parte pelos números da primeira passagem e também pelo conhecimento do presidente Marín pelo o que eu tinha feito entre 2006 e 2010. Parece que todo mundo descobriu a Alemanha agora, mas eles sempre foram organizados e tiveram planejamento. Sempre tiveram centros esportivos. Morei lá e vi. É um país que tem tradição de dar importância aos esportes em geral, à formação dos atletas, convivência, educação... E agora acham que eles fizeram isso nos últimos anos? Sempre foi assim. O que aconteceu foi que a Alemanha encontrou uma geração de ótimos jogadores como já teve no passado".

"Não vou vender um sonho, vou vender uma realidade. E a realidade precisa de trabalho. Não dá para criar muita expectativa no torcedor. No futebol, você precisa conquistar a torcida a cada minuto, a cada segundo. O futebol têm pessoas competentes, com muito trabalho. Já fomos os melhores e temos que resgatar essa capacidade. Temos talento para isso, mas não podemos deixar de ter a humildade de reconhecer que outras seleções fizeram um trabalho bom".