Exclusivo! Wendell prevê temporada bem melhor para o Bayer Leverkusen e se vê de novo na Seleção no futuro

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Em entrevista à Goal Brasil, lateral ainda ressaltou a intenção de seguir no clube alemão mesmo com o interesse de outros grandes clubes europeus


GOAL Por Fernando H. Ahuvia 

Titular absoluto e um dos jogadores mais queridos dentro do elenco e entre os torcedores do Bayer Leverkusen, o lateral-esquerdo Wendell, mesmo com o fraco desempenho da equipe alemã na última Bundesliga, seguiu chamando a atenção com ótimas atuações e se tornou alvo de grandes times europeus, como a Roma e a Internazionale. Pelo menos por enquanto, porém, o jovem de 24 anos não pensa em deixar o clube com o qual tem contrato até 2021.

“Por enquanto, o meu pensamento é ficar até por estar fazendo a pré-temporada aqui e estar gostando da filosofia que está sendo implantada pelo novo treinador (Heiko Herrlich). A última temporada não foi o que eu esperava nem para mim e nem para o Bayer Leverkusen, mas fico feliz de estar sendo reconhecido pelo meu futebol. É sempre gratificante receber sondagens de grandes equipes como a Roma, mas trato isso com naturalidade. Renovei meu contrato na última temporada e não tem como não estar feliz jogando nesse grande clube”, afirmou em entrevista exclusiva à Goal Brasil.

Wendell PS - Bayer Leverkusen

Wendell só lamentou o fato de que não disputará a Champions League pela primeira vez desde que chegou ao clube, em 2014.

“Claro que o fato de não disputar competições europeias pesa um pouco, mas temos que ter a cabeça no lugar e saber que na hora certa as coisas acontecerão. Acho que temos tudo para ir bem e levar o Bayer Leverkusen de volta à Champions e até quem sabe brigar pelo título da Bundesliga diretamente com o Bayern de Munique”, completou.

Nascido em Fortaleza e criado em Camaçari, a 41 km de Salvador, Wendell, que por onde passa é elogiado por ser brincalhão e simpático, começou sua carreira no Iraty, mas foi no Londrina, quando retornou de empréstimo do Paraná, que viu sua carreira decolar. Depois de ser considerado o melhor lateral do Campeonato Paranaense de 2013, chamou a atenção do Grêmio. No Tricolor gaúcho se destacou com grandes atuações e acabou sendo vendido para o Bayer Leverkusen, onde está até hoje e espera seguir se destacando para voltar a ser convocado por Tite para a Seleção Brasileira.

Wendell - Bayer Leverkusen - 21/12/2016
(Foto: Lars Baron/Bongarts/Getty Images)

Wendell, contudo, admite que hoje é muito difícil tirar Marcelo e Filipe Luis das convocações e, apesar de ainda ter esperanças de disputar a Copa do Mundo de 2018, já projeta ser convocado mais vezes após o Mundial na Rússia quando uma renovação deverá acontecer na lateral-esquerda.

“Futebol é muito dinâmico, mas sei que é difícil. Hoje, eles são os dois melhores. Estão há anos mantendo o alto nível nos clubes deles e espero que eles continuem assim. Sigo trabalhando para quem sabe chegar um dia ao nível deles e acho que estou perto de conseguir isso”, declarou.

“Espero que depois da Copa do Mundo tenha essa renovação. Não que eu esteja torcendo contra eles, mas será uma boa para nós (risos). Há seis anos só se falava no Roberto Carlos pelo lado esquerdo e hoje temos vários jogadores que atuam no exterior e no futebol brasileiro em condições de representar bem a Seleção. Seguirei trabalhando forte e jogando em alto nível para ser lembrado na hora certa”, ressaltou.

Nesta entrevista exclusiva, Wendell ainda falou sobre os objetivos do Bayer Leverkusen na temporada, a reconstrução pela qual a equipe está passando, sua adaptação na Alemanha, o fanatismo por videogame e ainda rasgou elogios a Tite e a Seleção Brasileira. Confira o restante do bate-papo.

Wendell PS - Bayer Leverkusen - 28/07/2017

Goal – Você vai para sua quarta temporada no Bayer Leverkusen e pela primeira vez não terá uma competição europeia para disputar. Como será não estar nessas competições?

Desde quando cheguei essa é a primeira vez que ficamos fora. Já peguei o time na Champions League no meu primeiro ano e consegui jogar mais duas se classificando, mas agora infelizmente não vamos disputar nenhuma competição europeia. Nem a gente consegue explicar o que aconteceu. Muitos apontavam o Bayer Leverkusen como favorito na última Bundesliga até pelo fato de que o Bayern de Munique estava trocando de treinador, mas infelizmente nosso jogo não encaixou. Esperamos que nesta temporada possamos recuperar nosso bom futebol.

Goal – Para a temporada que vai começar o Bayer Leverkusen não terá mais o Chicharito Hernández, que acabou indo para o West Ham. O time perde muito sem ele?

É um jogador que dispensa comentários. Perdemos um grande jogador e vamos sentir a falta dele, mas sabemos que quem está aqui pode dar conta do recado e quem for chegar também vai nos ajudar a conseguir títulos ou pelo menos uma vaga na Champions.

Goal – O Bayer também trocou de treinador e trouxe o Heiko Herrlich, que deverá ter o grande desafio da carreira dele. Nesses primeiros dias de contato o que já deu pra sentir dele?

Ele acabou de chegar com uma filosofia nova e não tenho dúvidas de que será o grande desafio da carreira dele por estar agora em um grande clube do futebol alemão e do cenário mundial. É muito cedo ainda para falar, estamos na terceira semana de trabalho, mas sentimos que poderemos ter um grande ano e ele tem toda capacidade para nos ajudar e crescer junto com a gente para se firmar também como um grande treinador na Alemanha.

Goal – Quais os objetivos do Bayer Leverkusen para essa temporada?

Nosso objetivo é sempre ganhar títulos, mas se não for possível queremos ao menos uma vaga na Champions League, que já valeria muito para nós jogadores e para o clube. Esperamos realmente brigar de igual para igual com Bayern de Munique, Borussia Dortmund, Schalke 04 ou até mesmo o Leipzig e o Hoffenheim, que surpreenderam no ano passado.

Wendell PS - Bayer Leverkusen - 28/07/2017

Goal – No início, como foi sua adaptação aí na Alemanha?

A minha principal dificuldade foi o idioma, principalmente no primeiro ano. Por ser diferente, a comida também foi algo complicado no início, mas a língua foi mais difícil. De qualquer jeito, é um país muito diferente do que todos dizem. Falam que os alemães são frios, mas é o contrário. Fui muito bem recebido, me sinto muito bem aqui e estou 100% adaptado ao país, ao estilo de vida e ao estilo de jogo. Agradeço a Deus por estar tendo a oportunidade de viver nesse país de primeiro mundo, que me dá todo o suporte e ao clube que também me ajuda muito.

Goal – Quais foram as principais dificuldades que você encontrou para se adaptar ao futebol alemão?

A dinâmica de jogo e a intensidade dos treinos e das partidas. Nas primeiras semanas não conseguia nem levantar da cama, porque os treinos aqui são muito desgastantes e intensos. O futebol brasileiro é mais cadenciado e técnico, enquanto aqui é muito mais intenso. Precisei de um tempo para me adaptar, mas foi uma experiência bacana que me ajudou e segue me ajudando a jogar em alto nível.

Goal – Por onde você passa todos elogiam sua simpatia e dizem que você é sempre animado e brincalhão. Aí no Bayer Leverkusen o que você fez pra animar o elenco?

Nos meus primeiros dias aqui estava um pouco fechado por estar em um lugar diferente. Tinha gente no Brasil que me dizia que iria querer voltar depois de dois meses vivendo na Alemanha. Vim com essa mentalidade de que todos aqui eram mais quietos, mas nos primeiros meses já consegui animar o vestiário mesmo sem falar alemão. Meus companheiros diziam que mesmo sem entenderem nada já era o cara mais engraçado do time (risos). Aos poucos fui me adaptando, comecei a brincar com todos, mostrar o jeito brasileiro e apresentei pra eles todos os tipos de músicas. Hoje, já frequento a casa deles e eles a minha, que é algo que não é comum aqui.

Wendell e Lars Bender - Bayer Leverkusen - 10/09/2016
(Foto: PATRIK STOLLARZ/AFP/Getty Images)

Goal – O que você costuma fazer nos momentos de folga aí na Alemanha?

Sou muito fã de Playstation. Digo que o videogame é meu amor, porque chego em casa e muitas vezes nem tiro a roupa da rua e já vou jogar. Fico estressado comigo mesmo e se deixar fico o dia todo jogando. Sou fascinado. Muitas vezes alguém me chama pra sair pra jantar e falo que estou na pegada e peço para deixar para outro dia. É o vício (risos).

Goal – No Brasil, você começou no Iraty, jogou no Londrina, Paraná e depois chegou ao Grêmio, onde se destacou rapidamente e acabou sendo vendido para o Bayer Leverkusen. O que cada um desses clubes representa para você?

O Iraty foi onde tudo começou. Foi o clube que me deu toda a base para virar profissional e chegar até onde estou hoje. No Londrina, também fui muito feliz, consegui subir para a primeira do paranaense, aprendi muito e ainda fui eleito o melhor lateral do estadual de 2013. O Paraná também me deu uma base legal e lá ganhei mais experiência. Por fim, no Grêmio fui muito bem e agradeço a Deus por ter tido a oportunidade de jogar neste grande clube brasileiro, que tenho um carinho muito grande. Agora, estou no Bayer Leverkusen muito feliz também.

Goal – O Renato Gaúcho, que foi seu treinador no Grêmio, voltou no ano passado e vem fazendo um grande trabalho. Tem acompanhando o futebol brasileiro? Acredita que o seu ex-clube conquistará títulos em 2017?

Acompanho bastante o futebol brasileiro. Tento ver o máximo de jogos e acompanho as notícias de vários clubes, principalmente do Grêmio pelo fato de ter jogado lá e gostar muito do clube. Sinto que eles podem ser campeões até pelas conversas que tive com o Ramiro, Luan, Geromel... Eles estão bastante confiantes, porque a equipe é muito forte. No Brasileirão, o Corinthians vem muito bem, mas faltam muitos jogos ainda, então vamos ver o que vai acontecer.

Wendell - Grêmio - 25/02/2014
(Foto: Lucas Uebel/Getty Images)

Goal – A grande frustração da sua carreira até aqui foi não ter ido para as Olimpíadas, principalmente por causa da lesão que você teve dois meses antes?

Não digo que foi uma frustração, mas sim um plano de Deus. Depois, tive a oportunidade de ser convocado para a Seleção principal ainda. Claro que queria estar nas Olimpíadas, fico um pouco triste de não ter feito parte daquele grupo campeão, mas o mais importante foi o Brasil ter conseguido a tão sonhada medalha de ouro.

Goal – Falando nisso, como foi ter sido convocado para a Seleção principal e o que falar do Tite? Faltou só estrear?

Só de ter convivido com grandes nomes do futebol brasileiro e ter feito parte do grupo foi um sonho realizado. Espero a médio, longo ou até em curto prazo ser lembrado mais uma vez. Venho trabalhando forte no Bayer e sei que na hora certa vou conseguir trabalhar mais uma vez com o Tite, que é o grande treinador do futebol brasileiro nos últimos anos. Ele fez do Corinthians um clube multicampeão, então só de ter trabalhado com ele e seus auxiliares por alguns dias foi uma experiência bacana e que me trouxe muitos benefícios.  O sonho de toda criança é chegar à Seleção. Graças a Deus fui coroado e espero voltar um dia.

Wendell - Brasil - 6/10/2016
(Foto: Pedro Martins/MoWA Press)

Goal – Você que vai pro seu quarto ano aí na Alemanha consegue dizer o que faz com que hoje a seleção alemã esteja tão forte?

Acho que a principal responsável por todo esse sucesso é a base e a linha de trabalho. Em 2006, eles dizem aqui que não apostavam que passariam nem da primeira fase e chegaram até a semifinal, depois o (Joachim) Low, que era o auxiliar, assumiu a seleção alemã e daí em diante eles trabalharam muito com um novo conceito de futebol. Depois, aos poucos, começaram a alcançar coisas importantes com as seleções de base e a principal e vão chegar como uma das favoritas na Rússia.

Goal – Acha que o Brasil pode ser apontado ao lado da Alemanha como favorito ao título da Copa do Mundo?

As duas seleções chegarão muito fortes. Para mim, o Brasil está jogando até mais do que a Alemanha. O que o Tite vem implantando está fazendo com que a Seleção volte a crescer. Os alemães também falam desse bom momento que estamos tendo.  Esperamos que o Brasil possa chegar preparado e conquiste o título da Copa do Mundo.


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