“Estamos chegando onde queríamos, mas ainda falta percorrer um longo caminho”

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A vereadora Soninha Francine fala com a Goal e relembra seus tempos de futebol, ao comentar mulheres no esporte e Brasil na próxima Copa

Neste 8 de março, no Dia Internacional da Mulher, a Goal Brasil conversou com uma das figuras femininas mais marcantes. Soninha Francine, atualmente vereadora de São Paulo, pelo PPS, contou com exclusividade como foi o começo da carreira de comentarista de futebol e opinou sobre a inserção gradativa das mulheres na área. E, como não poderia faltar,  falou do desempenho do PSG,  sem Neymar,  e  da Seleção, que brigará pelo hexa, na Rússia.

O pontapé inicial e a o caminho no futebol

Soninha iniciou a trajetória nas transmissões futebolísticas por acaso, na edição de 1998 do Rockgol, antigo programa da MTV. Ao lado dela, estiveram Sílvio Luiz, como comentarista, e Marcelo Yuka, ex-baterista da banda “O Rappa”, como repórter. Ela contou que a escolha de quem se envolveria na transmissão foi aleatória. “A equipe foi escolhida em cima da hora. Eu estava disponível e fui escalada para narrar os jogos”, pontuou.

A partir daí, tudo se desenvolveu de maneira rápida. No mesmo ano, a ESPN Brasil fez um convite para que ela participasse, do estúdio, nos jogos da Copa do Mundo da França. Além disso, Soninha respondia perguntas que chegavam via fax dos telespectadores. Ali, a coisa começava a ficar séria: “Teve uma vez que eu estava na bancada e o Claudio Carsughi contou que ele entrevistou o João Saldanha. Imagina o quanto de experiência ele deve ter!”, disse ela, ao relembrar dos 20 anos do Mundial da França. 

Soninha Vereadora I GFX

Após a Copa, José Trajano, então diretor-executivo do canal, retornou da Europa e a convidou para participar, duas vezes por semana, do programa Bate-Bola. Soninha aceitou o chamado e ficou lá até 2010.

Ao mesmo tempo, a atual vereadora fazia transmissões de jogos no rádio. Foi comentarista da CBN e, em seguida, da Rádio Globo, o que já rendeu situações curiosas: “Eu pegava um táxi e, quando eu falava alguma coisa, o taxista se assustava, por perceber que eu era ‘a Soninha do rádio’. Era divertido perceber essa reação”, destaca.

Ela também foi colunista do jornal Folha de S. Paulo.

Por conta da divergência entre a agenda política e o futebol, Soninha teve que escolher entre os dois e optou pelo primeiro. 

A presença feminina no futebol e o preconceito

Soninha, ao ser perguntada sobre o preconceito existente com as mulheres no futebol, destaca o avanço em relação a outros momentos. “Hoje em dia, é mais normal ver elas como repórteres de campo, apresentadoras, até mesmo na arbitragem, como bandeirinhas. Não é algo que você via antigamente”, recorda.

Sobre as iniciativas de algumas emissoras, em incluir as mulheres como narradoras de jogos, ela acredita que seja mais uma porta aberta na profissão: “Pode ser que as pessoas gostem e queiram que aconteça mais vezes, até se tornar comum. É diferente? É, e causa estranhamento no começo, mas é necessário que a gente se acostume com isso”, indica.

Soninha Vereadora I 08 03 18
(Foto: Facebook/Divulgação Soninha Francine)

Mesmo assim, ainda há pontos que, segundo dela, precisam de mais atenção. “As nuances de machismo e discriminação são grandes. Até mesmo quando há elogio, é colocado um julgamento pelo sexo, como quando falam para uma bandeirinha ‘ela acertou o lance, nada mal para uma mulher’”, aponta.

O caminho para que haja mais mulheres envolvidas com o futebol, de acordo com Soninha, está relacionado às funções que ocupam. “Quando houver mais mulheres com poder de decisão, de escolher uma equipe, e não apenas fazer parte, é que teremos mais chances na área”, ressalta.

Neymar, PSG e Brasil na Copa

Soninha reviveu os tempos de comentarista para dar uma opinião sobre a ausência de Neymar, e como isso afetou o PSG, na eliminação da Champions League, para o Real Madrid, na última terça (6). “Às vezes o time sente a falta do craque, mas com ele ou sem ele, a equipe se mostrou frágil”, revela.

Sobre a recuperação do jogador, ela demonstrou otimismo, citando o caso de Ronaldo em 2002. “O Ronaldo, todos achavam que ele não jogaria a Copa e jogou. Hoje em dia, a recuperação é mais rápida por vários motivos e ele pode chegar bem para a competição”, lembrou a vereadora.

Soninha Vereadora I 08 03 18
(Foto: Facebook/Divulgação Soninha Francine)

Por fim, envolvendo as expectativas em torno da Seleção Brasileira para o Mundial, Soninha crê que a participação canarinho será boa, mas alertou: “A Seleção, hoje, está bem. Temos um time, um técnico, bem menos oba-oba e firula em torno. Podemos ter uma boa participação na competição, mas temos que aguardar, o futebol é imprevisível”, finaliza.

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