Como Lionel Messi dominou a arte das cobranças de falta

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O argentino aprendeu o ofício em La Masia e o aperfeiçoou sob a tutela de Diego Maradona, o que o tornou um adversário mortal

Com gols em cobranças de falta em três jogos consecutivos de La Liga, Lionel Messi provou, nas últimas semanas, que é mestre de uma das artes mais difíceis do futebol. Mas a habilidade na bola parada não é um acidente, mas sim o ponto culminante de anos de aperfeiçoamento em um ofício que o fez ser uma ameaça mortal nessas situações de jogo.

Em 2005, o Barcelona organizou um 'mostruário' para as jovens estrelas de La Masia. O formato era simples: cada criança dizia à câmera: "Lembre-se do meu nome" - alguns com mais confiança do que outros, depois de terem demonstrado suas habilidades.

Um jovem argentino de nome de Lionel Messi encerrou o vídeo, tendo já feito sua estreia no time principal no ano anterior. Messi disparou um tiro livre espetacular que voou no canto da rede, uma jogada que deixou muitos boquiabertos dentro e fora do clube. Ironicamente, ele não era conhecido por sua proeza na bola parada.

"Até aquele momento, ele não havia feito muitos gols em La Masia", disse Roger Giribet, ex-companheiro de Messi nas categorias de base do Barça, para a Goal. "Victor Vázquez, que foi incrível, e o canhoto Juanjo Clausi, costumavam se apresentar para cobrar faltas, Messi quase nunca".

Os números: quantos gols Messi já marcou na carreira?

O ex-chefe da La Masia, Albert Benaiges, acrescentou que a famosa academia blaugraná não priorizou a habilidade.

Lionel Messi Barcelona Celta de Vigo La Liga 200607Foto: Getty

"Era algo que não se treinava", disse o antigo tutor de Messi. "No Barcelona costumávamos, ocasionalmente, fazer exercícios de tiro livre com barreira. Pode até soar estranho, mas não era o aspecto de jogo em que trabalhávamos mais, particularmente."

Giribet revelou que os garotos de La Masia, às vezes, ficavam depois dos treinos para praticar o tiro livre - "se tivéssemos permissão para o campo" - mas a filosofia do sistema juvenil no Barça evitava exercícios mais específicos, em favor de prover uma maior compreensão natural do jogo.

Como lembra Giribet, no entanto, o jovem recebeu algumas dicas úteis. "Uma vez nos disseram como colocar a bola para a cobrança. Eu acho que foi Guillermo Hoyos (ex-treinador do Barcelona B, hoje na Universidade do Chile) que nos disse que tínhamos que colocar a bola com a válvula de ar virada para a grama - assim, ela caía mais fácil de volta depois do chute."

Messi absorveu cada lição que lhe foi oferecida, mas seu talento era algo diferente, uma habilidade inata com a bola. "A maneira com a qual Messi passou a bater na bola mudou em relação à de quando começou, não foi algo que lhe ensinamos na La Masia", explicou Benaiges. "É uma característica natural de sua habilidade em que ele trabalhou sozinho. Sua experiência o serviu bem."

2017-07-02 2010 Maradona MessiMestre e aluno (Foto: Getty)

Foi, de fato, ninguém menos que Diego Maradona que levou as habilidades de tiro livre de Messi para um nível mais alto. Em fevereiro de 2009, em Marselha, o então treinador da Argentina deu a seu sucessor  com o número 10 uma 'master aula' de como se destacar na arte.

O assistente de Maradona, Fernando Signorini, lembrou ao jornal argentino La Nación que, depois de uma sessão de treinamento em particular, em que Messi estava frustrado por desperdiçar um punhado de cobranças de bola parada, ele foi interceptado por seu chefe. "Eu vi Diego vindo, ele o pegou pelo ombro e disse: ‘Pequeno Leo, pequeno Leo, venha aqui, cara. Vamos fazer de novo’. Era como um professor com seu aluno", disse Signorini.

Messi na intimidade: quando ele era apenas 'Leo'

"Ele continuou: ‘Coloque a bola aqui e me escute: não tire o pé da bola tão rápido, porque senão você não vai saber o que quer’. Ele então mirou a bola com o pé esquerdo diretamente no ângulo da rede, e o rosto de Messi se encheu de admiração.”

Desde esse encontro promissor, Messi foi melhorando cada dia mais em vencer a barreira. Treze anos se passaram desde que cobrou seu primeiro tiro livre para todo o mundo ver, mas Giribet se lembra como se fosse ontem. "Todo mundo teve que ter duas ou três tentativas, exceto Messi", ele riu. "Ele foi o único a fazê-lo pela primeira vez, em 30 segundos ele terminou, até mesmo os operadores de câmeras ficaram impressionados."

Hoje, até mesmo os tiros livres mais espetaculares raramente o impressionam – é apenas mais um dia comum para Lionel Messi.

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