Como a Copa de 1958 contribuiu para o mundo "descobrir o Brasil"

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Título serviu para afastar de vez o completo de "vira-latas" e embalou a industrialização e a abertura do país em todo o planeta

Desde a Copa do Mundo de 1950, quando a Seleção Brasileira foi derrotada pelo Uruguai, dentro de um Maracanã completamente lotado, o "complexo de vira-latas" traduzido por Nelson Rodrigues em suas crônicas tomou conta do país e, claro, do futebol brasileiro. 

O sentimento de certa inferioridade e de "medo" de decidir em momentos importantes foi carregado por oito anos, até a Copa do Mundo da Suécia, quando a equipe comandada pelo treinador Vicente Feola e por um certo jogador de apenas 17 anos chamado Pelé conquistou o mundo pela primeira vez. 

O Brasil era um país de terceiro escalão, pouco conhecido mundo a fora e quase que ainda rural, no entanto, a conquista do primeiro mundial aliado ao progresso do país durante o governo de Juscelino Kubitschek trouxe orgulho e esperança para o povo brasileiro. 

em 1958, Jucelino, o presidente que havia prometido o progresso de "cinquenta anos em 5", entrava em seu terceiro ano de governo, Brasília estava sendo criada no cerrado, a Ford inaugurava a sua primeira fábrica no país e a Bossa Nova começava a fazer sucesso. Bons presságios para quem buscava se afirmar no cenário nacional e internacional.

Pele 1958
(Foto: Arquivo CBF)

Enquanto isso, na Suécia, um jovem de 17 anos e um homem de pernas tortas barbarizavam as defesas adversárias e caminhavam a passos largos para exterminar de vez o tal complexo de vira-latas. E não deu outra, no dia 29 de junho de 1958, os 5 a 2 diante dos donos da casa marcaram de vez a virada do Brasil no futebol e na economia. 

Naquela época, haviam com poucas tvs pelo Brasil, o povo acompanhou a conquista pelo rádio, mas nem isso impediu que os brasileiros se unissem, já que os torcedores se reuniam nas ruas próximas aos alto-falantes colocados em frente a jornais e estações de rádio. Somente um mês depois foi possível assistir por imagens, a filmagem do jogo foi parar nos cinemas e as pessoas viam até mais de cinco vezes.

Brasília
(Foto: Arquivo público Distrito Federal)

Eram tempos eufóricos, no embalo de um povo feliz e orgulhoso, o Brasil viveu um momento de ouro em sua história. Dois dias depois da conquista,  Juscelino Kubitscheck, que virou JK, assim como era carinhosamente chamado, inaugurou o Palácia da Alvorada, o primeiro marco da nova capital do país. 

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O Brasil acelerava a sua industrialização, o fogão a gás, o chuveiro elétrico, o bombril, a caneta esferográfica, o carro nacional, um arquiteto-gênio chamado Oscar Niemeyer, a Bossa Nova, o teatro e o cinema nacional avançavam e ganhavam prêmios. Os investimentos do Estado em energia elétrica, transportes, construção e modernização de portos e estradas se multiplicaram. 

Brazil 1958 World Cup Champion 29061958
(Foto: Acervo memória / CBF)

No cenário esportivo, a vitória da Seleção Brasileira no futebol inspirou os atletas brasileiros que passaram a conquistar títulos em outros esportes. A tenista Maria Esther Bueno faturou o seu primeiro Grand Slam em 1958, aos 19 anos. 

O time de basquete brasileiro e o pugilista Éder Jofre também chegaram ao topo e faturam o título mundial nos anos seguintes. Uma verdadeira onda de otimismo e confiança se espalhou pelo esporte e pela população nacional ao passo de que o mundo, enfim, descobriu o Brasil a partir daquele 5 a 2 diante dos suecos, em Estolcomo. 

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