Com vaidade de lado, Gabriel Paulista exalta reviravolta do Valencia: 'Hoje todos se respeitam'

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Zagueiro brasileiro, que desconfiou de si mesmo ao desembarcar na Espanha em 2013, é um dos destaques do clube de Mestalla


GOAL Por Bruno Andrade

Gabriel Paulista tem uma relação especial com a Espanha. Bateu de frente com a desconfiança, tendo dito para si mesmo que "não sabia jogar" logo nos primeiros meses de Villarreal, em 2013, e hoje vibra com o grande início de trajetória no Valencia, onde "as coisas estão melhores do que imagianava".

Homem de confiança de Marcelino, com que já havia trabalhado, o zagueiro brasileiro tem sido um dos principais destaques do clube de Mestalla, que, atualmente na vice-liderença, é a sensação do Campeonato Espanhol e nem de longe faz lembrar o time das últimas temporadas. Motivos da reviravolta? Responsabilidades divididas e nada de vaidade.

Esperava um início tão promissor do Valencia na temporada?
As últimas temporadas do Valencia não foram boas. A passada, por exemplo, foi bastante difícil. Pela história que tem, o clube precisa brigar sempre pelas primeiras posições. Existia, sim, uma certa dúvida no começo desta temporada, por toda a dificuldade dos últimos anos. Quando o Marcelino [treinador] assumiu o comando do time [em maio], eu estava certo de que o trabalho seria bem feito, mas não imaginava que ficasse tão bom. As coisas estão melhores do que imaginava.

Jordi Alba Gabriel Valencia Barcelona LaLiga 26112017
(Foto: Getty Images)

Os jogadores remanescentes discutem no vestiário a evolução do time de uma temporada para a outra?
Eu, quando cheguei, fiz questão de perguntar para os meus novos companheiros sobre o clube e o vestiário da equipe, e todos falaram que o clima de antes era horrível. Era um tirando a responsabilidade do outro. Hoje já é totalmente diferente, todo mundo elogia o trabalho do clube e também do treinador. Já trabalhei com jogadores que achavam o Marcelino muito chato, mas nunca pensei da mesma forma. Gosto de treinador que pressiona, que cobra mais, principalmente quando reconhece que um jogador pode dar mais. Eu, particularmente, gosto muito dele. Vejo que muitos jogadores sentem agora o mesmo que eu, até por isso as coisas têm dado certo.

Dá para colocar a boa fase do Valencia um pouco na sua conta?
[Risos] Não, não... Todos têm crédito, principalmente o treinador. O Marcelino encontrou um pouco de dificuldade no começo, por ser um profissional que cobra muito, até mesmo na parte da alimentação. Foi difícil para alguns jogadores entenderem a filosofia de trabalho, muitos sofreram um pouco. Mas agora todos estão bem adaptados, e eu, como já o conhecia, pude ajudar os novos companheiros. Todos os jogadores hoje se respeitam e o trabalho tem surtido efeito.

Qual o ponto de desequilíbrio deste Valencia?
É difícil escolher apenas um ponto. Na verdade, é o conjunto. Temos muitos jogadores jovens, então não é fácil para um treinador ter um time na mão com tanta juventude à disposição. Um ponto muito importante é que a nossa equipe não tem vaidade, os jogadores entendem a rotação entre reserva e titular. A própria defesa, por exemplo, vem alternando. Ora joga o Garay, ora o Murillo, ora eu... Não temos vaidade, todos se respeitam.

Gabriel Paco Alcacer Villarreal Valencia La Liga
(Foto: Getty Images)

Algum jogador em especial para destacar? 
Kondogbia. É um jogador incrível. Tem qualidade com a bola nos pés e ajuda muito na marcação. Dá um suporte muito bom para o setor defensivo. É, sem dúvida, um dos nossos principais jogadores. E tem ainda o Gonçalo Guedes, outro jovem que é incrível. Tem muito para crescer ainda, é verdade, mas tem nos ajudado muito. Tem uma velocidade sensacional. Espero que volte a jogar o mais rápido possível para nos ajudar [está em fase final de recuperação de uma pequena cirurgia no pé direito].

O Gonçalo Guedes pode vir a seguir os passos do Cristiano Ronaldo?
Sem dúvida. É um jogador que tem um futuro brilhante pela frente. Tem muito a crescer, muito a aprender, mas tão logo será um dos principais jogadores do futebol português.

Chegou a admitir no início de trajetória no Villarreal que, por causa das dificuldades na adaptação, sentiu até que não sabia jogar futebol. Como é voltar ao futebol espanhol e hoje viver um começo totalmente diferente?
Vou lembrar-me disso sempre. Sofri muito quando cheguei na Espanha, o jogo é muito mais rápido. O Marcelino foi fundamental na minha carreira, a confiança que deposita em mim é enorme. O meu início no futebol espanhol foi mesmo muito difícil, às vezes voltava para casa triste e sem saber o que fazer. Pensava comigo mesmo: "Não sei jogar futebol, não é possível". Fui embora do Brasil como titular do Vitória, mas cheguei aqui e fiquei sem três meses jogar. Ficar três meses sem jogar é muito complicado. Os dias foram passando, coloquei na minha cabeça que precisava aprender, e o treinador todos os dias me mostrava o que precisava fazer, e assim fui crescendo. Depois de um tempo passei a ser titular do Villarreal e, depois de 50 jogos, veio a proposta do Arsenal, que foi mais uma realização profissional. 

Como encara hoje o fato de ter pensado lá atrás que não sabia jogar?
Hoje, no Valencia, tendo em vista a temporada maravilhosa que temos feito, às vezes paro, olho para trás e digo: "Eu amadureci muito". Aquele Gabriel do início do Villarreal era muita na base da vontade e, por isso, acabava por tomar algumas decisões erradas dentro de campo. Era quase sempre isso. Agora, mais experiente, sou melhor, e a cada temporada venho melhorando. Aprendi muito no Arsenal também, com o Mertesacker, com o Koscielny...

Atlético Madrid e Sevilla têm nos últimos anos disputado o posto de terceira força na Espanha. Como fazer para o Valencia voltar a entrar na briga?
Espero que a gente possa fazer um grande trabalho e consiga entrar na história do Valencia, que teve algumas temporadas difíceis. Sinto que hoje o clube vive um momento diferente, muita coisa mudou para melhor internamente. Quero ver o Valencia brigando na frente com Barcelona e Real Madrid. Na verdade, espero que Barcelona e Real Madrid fiquem atrás do Valencia [risos].
 

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