Com acaso e sorte, há 60 anos, o futebol via seu Rei dar o primeiro passo de uma história mágica e inesquecível

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Seis décadas atrás, Pelé fazia sua estreia pela Seleção Brasileira, logo contra a Argentina e marcando gol

60 anos atrás, o mundo via o primeiro capítulo de uma história mágica. Em 7 de julho de 1957, em um Maracanã com mais de 60 mil torcedores, Pelé fazia sua estreia pela Seleção Brasileira antes mesmo de completar 17 anos de idade. Com 16 anos, oito meses e 15 dias, aquele que viria a ser o Rei do Futebol vestia a Amarelinha pela primeira vez para enfrentar logo a Argentina na Copa Roca, o atual Superclássico das Américas.

E curiosamente, como todo bom roteiro para uma grande história, o acaso e a sorte fizeram parte do primeiro passo de Pelé com o escrete canarinho.

Até então, Edson Arantes do Nascimento era um desconhecido para boa parte dos torcedores brasileiros. O garoto franzino, afinal, tinha apenas 34 partidas como jogador profissional. Os presentes no Maracanã não faziam ideia de que o jovem viria a ser o maior artilheiro da história da Seleção, tricampeão mundial e o maior jogador da história do futebol.

Brazil-Argentina history

Naquele dia, afinal, Pelé era apenas um garoto que, depois de se destacar em clubes amadores de Bauru, foi contratado pelo Santos, estreou com apenas 15 anos pelo Peixe e, após 30 partidas pelo time paulista e outras quatro por um combinado Santos/Vasco, impressionou com incríveis 24 gols. Era um jovem jogador, fenômeno precoce, já titular do Santos, mas que provavelmente seria reserva na Seleção.

O escrete de Sylvio Pirillo, afinal, contava com grandes e renomadas estrelas. No entanto, para o duelo da Copa Roca, o acaso ajudou Pelé. Preocupados com as excursões ao exterior, que na época rendiam muita grana, os clubes não cederam seus principais jogadores. O Botafogo, por exemplo, não liberou Nílton Santos, Didi e Garrincha. O Flamengo segurou Dida e Dequinha, e ainda existiram jogadores cortados por lesão. Foi então que o treinador resolveu ousar e convocar dois garotos: Pelé e Mazzola.

O jovem destaque santista começou no banco, até pela pouca idade, mas foi acionado logo no intervalo, entrando na vaga de Del Vecchio, seu companheiro no Peixe. O garoto deu seu cartão de visitas rapidamente incendiando o jogo com boas jogadas e infernizando a defesa argentina. Aos 32 minutos, ele marcou, logo em seu primeiro jogo pelo Brasil, seu primeiro gol, após receber lançamento de Moacir e, mesmo de frente para o goleiro Carrizo, ter tranquilidade para colocar, de direita, no canto esquerdo do arqueiro argentino.

Pele 1960(Fotos: Getty Images)

Em sua estreia, Pelé marcou seu primeiro gol pela Seleção. O jogo, porém, terminou com vitória hermana por 2 a 1, mas não teria problema. Três dias depois, o craque foi titular do escrete canarinho e marcou um dos gols do triunfo por 2 a 0, que deu a Copa Roca ao Brasil.

O país, porém, ainda chorava a sofrida derrota no mesmo Maracanã em 1950, quando o Uruguai foi campeão acabando com o sonho verde-amarelo. No mesmo dia do Maracanazzo, Pelé prometia para seu pai, Dondinho, que chorava o revés, que daria uma Copa do Mundo para ele.

Sete anos depois, Pelé estreava pela Seleção para, no ano seguinte, cumprir sua promessa. Como Rei é Rei, ao invés de apenas uma, ele ganhou logo três Copas, fora uma infinidade de taças pelo Brasil e pelo Santos, mais de mil gols, lances, dribles e jogadas inimagináveis. Pelé fez um festival de arte que provocou sorrisos eternos e venceu a barreira do tempo e das fronteiras em uma época com a comunicação e o acesso à informação tão diferentes de hoje em dia. Aquele garoto franzino no banco contra a Argentina 60 anos atrás se tornou o maior jogador da história do jogo que tanto amamos.

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