Bando de Loucos: Onde foi que eu errei?

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"Tentamos descobrir o que faz o Corinthians e os demais brazucas a não ter mais cenários de seis dígitos. Triste"


Por Luís Butti, de São Paulo


Hoje, 27 de Junho de 2017, momento em que escrevo este texto para a Goal (ok, eu sei, você vai ler depois disto), o Brasil completa dezoito anos (portanto, maioridade) que teve o último jogo com mais de 100.000 pessoas num estádio em território nacional. Foi no Botafogo 0x0 Juventude, na Final da Copa do Brasil de 1999 no Maracanã (ainda o antigo, do nosso Mundial 2000), dando o título inédito para a equipe conterrânea de Tite.

De lá pra cá, mais nenhum. Nenhunzinho. Necas.

E isso diz muito sobre o Corinthians, uma equipe com partidas históricas com mais de 100.000 pessoas nos estádios. Entre vitórias, empates e derrotas, um questionamento: onde será que a gente errou na redução dos estádios?

Basílio - Corinthians - 1977

Para mim, que trabalho numa Arena e pertencer a uma geração de 100.000 pessoas embora jamais tenha ido a um jogo com este público (meu máximo foi 80.000 na Final da Copa do Brasil de 2001), é bastante triste.

A gente entende o sucesso da Arena Corinthians, mas fica aquele gostinho de quero mais.

Desde a higienização no combate ineficaz à violência até o modelo das Arenas, o Brasil vem ano a ano reduzindo não apenas a atmosfera, mas o tamanho de sua capacidade. O Real Madrid, por exemplo, conseguiu manter os três mesmo convivendo com os problemas. 

Também não conseguimos entender coisas bastante simples da demanda do Futebol Moderno.

Arena Corinthians - Mosaico - 23/04/2017

Leio muito que o Brasil é o país da Novela, e não do Futebol. Que o torcedor fica em casa pra não perder a novela. Se isso for mesmo uma verdade, ora bolas (perdão, Bruno Andrade), por que não passar a novela na Arena antes das partidas para atraí-lo ?

Ou setores com preços abaixo dos populares ou familiares. Ou, de repente, Arenas com atrações similares a Shoppings e Cinemas para o antes e o depois. Talvez bebida alcoólica.

São problemas meio fáceis de resolver. Se identifica com certa facilidade e se cria muita dificuldade para atender a demanda.


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Ou criá-la. Mas sempre há um empecilho para resolver.

Não, não me venha falar que não dá para se criar demanda de novos clientes. O Starbucks, com menos de dez anos de Brasil, mudou o hábito do brasileiro beber café, como você quer me convencer que o Futebol com mais de 150 anos não pode mudar e criar demanda de novos torcedores de estádios ?

Enfim, tentamos descobrir o que faz o Corinthians e os demais brazucas a não ter mais cenários de seis dígitos. Triste.

Falta boa vontade e sobra saudade. 

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