Superclássico das Américas: efeito Copa do Mundo

Com sentimentos antagônicos durante a Copa do Mundo, Brasil e Argentina vivem momentos diferentes no processo de preparação para as próximas competições internacionais
Mesmo contando com o melhor jogador do Mundial segundo a Fifa, a Argentina não foi capaz de conquistar o tão sonhado tricampeonato no Brasil. Porém, engana-se quem pense que o time de Lionel Messi vive um momento de instabilidade e questionamento por parte dos torcedores.

Apesar da decepção da derrota na decisão, a maioria dos argentinos aprovaram o desempenho da equipe e seguem apoiando a Albi Celeste de forma entusiasmada. Como se não bastasse, a vitória sobre os alemães no amistoso realizado em setembro, vencido pelos hermanos por 4x2 dentro da casa do adversário, serviu para provar, pelo menos na visão dos nossos vizinhos, que aquele tropeço não passou de uma obra do acaso.

Por outro lado, a seleção brasileira viveu um dos seus mais dramáticos capítulos ao ser humilhada pelo time germânico. Com isso, o torcedor brasileiro esperava uma verdadeira revolução no futebol nacional após o mundial, o que acabou não vindo.

Dentro de campo a base montada por Felipão foi mantida. Já do lado de fora, um velho conhecido dos brasileiros foi ressuscitado no cargo que ocupou na Copa de 2010. Dunga chegou prometendo uma nova fase, sem as crises de relacionamentos tão frequentes em sua última gestão. Apesar de ainda não ter tido nenhum compromisso mais sério, até o momento a promessa vem sendo cumprida, apesar de algumas velhas falhas, como falta de criatividade ofensiva, seguirem fazendo parte do cotidiano deste grupo.

Sendo assim, analisamos a realidade vivida por esses elencos após o mundial e o que podemos esperar deste confronto que reunirá as duas maiores potências do futebol sul americano.

 
A NOVA ARGENTINA DE MARTINO


Com apenas uma partida disputada, fica muito difícil comparar a seleção que agora é dirigida por Gerardo Martino com a de Alejandro Sabella, que esteve muito perto de festejar no Maracanã e conseguir o que os argentinos estavam sonhando, ao menos por um tempo, que o mundo fosse um lugar melhor para se viver. Mas sem dúvida, pela diferença de definições táticas diante de um mesmo rival, a Alemanha, e pelos nomes convocados, podemos esperar algumas modificações.

Quanto ao jogo, tal qual descreveu Gastón Bourdieu logo após a vitória argentina em Düsseldorf, Martino deixou a equipe alguns metros mais a frente do que Sabella. Mesmo estando claro que um amistoso é diferente de uma final de mundial no Brasil, sem Ángel Di Maria, diante de um rival que havia marcado sete gols contra os anfitriões.

O próprio treinador disse que havia acabado de assumir o cargo e assim antes de pensar em modificar seu esquema deveria respeitar o adversário, mesmo tendo de acreditar. No entanto, os jogadores poderiam escolher e analisar o que teriam à disposição.

Você verá muito mais nessa equipe como Martino foi campeão com Newell de que em sua época de seleção paraguaia. A saída se baseia em posse dos movimentos da bola e rotações constantes, em alta pressão para sempre ver o arquirrival correndo atrás. Algo que, pelo menos no primeiro compromisso, com Di Maria, sem Messi, foi muito bem feito.

O treinador já terá tempo de se expor, jogando com a defesa adiantada e o goleiro como líbero, assim poderíamos avaliar se essa estratégia seria possível ou se Sabella teria razão. O melhor disso seria ganhar das potências se encolhendo nos espaços defensivos e apostando nos contragolpes. Ou quem sabe com outro esquema (Martino poderia jogar com 4-3-3, 3-4-3 o 4-2-3-1), tendo Messi terminandode forma um pouco mais recuada em campo, porém com outros atletas jogando bolas diagonais a sua frente.

A respeito dos convocados, as alterações ainda não são tão significativas, porque a base dos titulares é similar, porém já teremos uma mudança importante.

Neste novo ciclo ainda não contamos com Carlos Tevez, já que Martino disse que ele prefere manter Erick Lamela – que segue se recuperando de suas lesões – e Javier Pastore. Por outro lado, além desses, Guzmán, Marchesín, Otamendi, Gaitán, Pereyra, Vangioni Éver Banega y Vergini, que não disputaram o mundial, seguem nesta turnê pela Ásia. As mudanças do grupo passam por Orion, Andújar, Garay, que estava lesionado, Basanta, Campagnaro, Palacio, Lavezzi, lesionado, Augusto Fernández e Ricky Álvarez, que não foram chamados. Biglia e Mascherano, também tiveram problemas de lesões e não foram convocados.

Por Nacho Catullo - Goal Argentina

 
O NOVO BRASIL DE DUNGA


Após o fiasco realizado na Copa do Mundo, as mais significativas mudanças ocorridas na seleção brasileira se deram no comando técnico da equipe.

No lugar dos experientes Carlos Alberto Parreira e Luiz Felipe Scolari, a Confederação Brasileira de Futebol decidiu apostar na dupla que participou do tetracampeonato mundial, em 1994, Gilmar Rinaldi e Dunga.

Mesmo sem jamais tendo exercido o cargo, o novo coordenador técnico da seleção foi quem comandou o processo de escolha do novo treinador e, como exercia até a véspera de sua apresentação a função de empresário de jogadores de futebol, sua chegada foi muito mal vista.

Com Dunga a situação não foi muito diferente. Acostumados com os maus tratos e a truculência diante das cobranças, jornalistas e torcedores não aprovaram a decisão da entidade em trazer de volta o comandante da Copa de 2010, que durante os últimos quatro anos, não conseguiu realizar nenhum trabalho significativo, tendo a conquista do campeonato gaúcho de 2013 com o Internacional como o ponto alto deste período.

Dentro de campo os nomes mais experientes da equipe verde e amarela começam a dar lugar a outros, que desde antes do mundial já pediam passagem, e que para muitos, já deveriam inclusive terem sido chamados por Felipão. Phillippe Coutinho, Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart, por exemplo, preenchem atualmente os postos daqueles que saíram do mundial sem o mesmo prestígio de antes.

Ainda assim, a base que foi goleada pela Alemanha e Holanda foi mantida por Dunga, que fez questão de elevar o camisa 10, Neymar, ao posto de capitão da equipe. O atacante do Barcelona por sua vez não vem decepcionando, e mesmo apesar da pouca idade, aos poucos vai se portanto como líder desta geração.

Ainda é muito cedo para apontar o que o futuro reserva para esta equipe, porém mesmo sob muita desconfiança, a seleção brasileira vai se preparando em duas frentes para encarar a Copa do Mundo de 2018 e os Jogos Olímpicos de 2016, que acontecerão no Rio de Janeiro, sob o comando de Alexandre Gallo.

Por Rodrigo Calvoso - Goal Brasil