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Momentos de muita emoção marcaram o desempenho histórico do Galo na Libertadores, que mira a conquista inédita

Por Tiago Domingos (@TiagoDomingos)

“No início, não tínhamos tradição ou camisa para passar da fase de grupos. Depois, ‘acordamos o Gigante’ e não teríamos força para derrotá-los. Estávamos eliminados na marcação do pênalti aos 47 do segundo tempo. Por fim, não reverteríamos um 2 a 0 contra um time argentino. Estamos na final. Yes, we C.A.M.”


É difícil encontrar uma só forma para começar a falar da campanha do Atlético Mineiro na Copa Libertadores. Talvez este pensamento, que permeia os torcedores do Galo, seja o mais indicado. Ele resume uma saga inimaginável até para os mais otimistas e quase inacreditável para quem foi prestando mais atenção no clube mineiro a medida que o torneio se afunilava.

Primeira fase impecável

Tudo começou no, agora longínquo, dia 13 de fevereiro. O atual vice-campeão brasileiro recebeu o São Paulo, tricampeão continental. Apesar de toda experiência do rival, quem parecia veterano era o Galo. Em uma paralisação durante o primeiro tempo, Ronaldinho Gaúcho pediu água a Rogério Ceni. Se aproveitando da situação (se foi de forma premeditada ou não, nunca ficou claro), ele recebeu um arremesso lateral atrás da defesa e serviu Jô para abrir a campanha vitoriosa.

Após os 2 a 1 na estreia, veio a partida que mostrou que os mineiros não estavam para brincadeira. 5 a 2 sobre o Arsenal em pleno Júlio Grondona, na melhor apresentação do time na competição. Depois, duas vitórias apertadas, por 2 a 1, sobre os bolivianos do The Strongest. Veio o Arsenal e novo 5 a 2, com direito a um dos gols mais bonitos da competição (a “tacada de bilhar” de R10 no ângulo) e muita confusão dos argentinos com a PM.



Já classificado, o Atlético foi ao Morumbi para tentar manter o 100% de aproveitamento e, de quebra, eliminar o rival brasileiro, que possivelmente seria o adversário das oitavas de final em caso de classificação. A derrota por 2 a 0 colocou uma pá de cal na empolgação dos torcedores. Afinal, logo na segunda fase vinha um dos adversários mais tradicionais da Libertadores: o próprio São Paulo. E os adversários vinham mordidos, já que Ronaldinho Gaúcho chamou aquele revés de "treino".

Mata-mata com muita emoção

A partida de ida, na capital paulista, iniciou de forma preocupante: muita pressão tricolor e um gol nos primeiros minutos. Mas quando o caldo estava engrossando, o Galo começou a mostrar que a sorte sorri para os competentes. Lúcio foi expulso e os visitantes viraram o placar. Na volta, outra exibição de gala e goleada por 4 a 1 para ficar entre os oito melhores.

Nas quartas de final, o trabalho parecia mais fácil. Parecia. O empate arrancado em Tijuana, após estar perdendo por 2 a 0, transformou o jogo no Independência em uma festa. Afinal, “Caiu no Horto, tá morto!”.  As quase 20 mil máscaras do pânico foram o exato retrato do torcedor no último minuto da partida. Após um duro duelo, um pênalti marcado para os mexicanos aos 47 do segundo tempo transformou a alegria em sofrimento. Mas São Victor transformou o sofrimento em muito choro e comemoração.
 
O “milagre do santo” também teve outra estrela, a do presidente Alexandre Kalil. Quase um ano antes, o dirigente anunciava com bom humor o reforço para uma posição que incomodava os torcedores há anos. Se todo bom time deve começar com um grande arqueiro, é possível dizer que ali o alvinegro mineiro mudou seu status no atual momento do futebol brasileiro.



E Victor daria mais mostras de sua santidade nas semifinais. Muito desfalcado, o Atlético Mineiro perdeu por 2 a 0 para o Newell´s Old Boys e poucos apostavam que seria possível devolver a derrota. Voltando ao seu alçapão, o time de Cuca marcou no início e no final do jogo e levou a definição para as penalidades, quando o arqueiro brilhou novamente. O Galo chegou a inédita decisão de Libertadores.



Último Ato

Agora não tem jeito. Se o coração aguentou até aqui, não pode parar antes dia 24. O clube sem tradição internacional está na final. O goleiro virou santo. O “fator Cuca” não existe mais. O decadente R10 voltou a ser maestro. O Futebol Bonito encontrou o Resultado. A promessa Bernard virou realidade. São dois jogos para chegar ao céu. Duas partidas para o Galo voar para terras nunca antes exploradas.

OS ARTILHEIRO - 6 GOLS

DIEGO TARDELLI


 CAMINHO ATÉ A DECISÃO


PRIMEIRA FASE
JOGO
 1
ATLÉTICO-MG 2-1 SÃO PAULO
JOGO
 2
ARSENAL
2-5  ATLÉTICO-MG
JOGO
 3
ATLÉTICO-MG 2-1 THE STRONGEST
JOGO
 4
THE STRONGEST 1-2 ATLÉTICO-MG
JOGO
 5
ATLÉTICO-MG 5-2 ARSENAL
JOGO
 6
SÃO PAULO 2-0 ATLÉTICO-MG

POS. PTS V E D GP GC
1 15 5 0 1 16 9


OITAVAS-DE-FINAL
IDA SÃO PAULO 1-2 ATLÉTICO-MG
VOLTA ATLÉTICO-MG 4-1 SÃO PAULO


QUARTAS-DE-FINAL
IDA TIJUANA 2-2 ATLÉTICO-MG
VOLTA ATLÉTICO-MG 1-1  TIJUANA


SEMIFINAL
IDA NEWELL'S 2-0 ATLÉTICO-MG
VOLTA ATLÉTICO-MG 2-0 NEWELL'S

PTS. V E D GF GC SG
26 8 2 2 27 16 11

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