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Após realização do principal evento teste visando o mundial, estádios e estrutura do país ainda geram críticas entre especialistas e torcedores

Por Rodrigo Calvoso (@calvoso)

Faltando pouco menos de um ano para o início da Copa do Mundo a pergunta que todo o brasileiro se faz neste momento é: como estão os estádios do país para a mais importante competição do futebol mundial?

Sem entrar no mérito de quais investimentos deveriam ser classificados como prioritários por parte do governo, devemos avaliar a estrutura montada para a competição que o Brasil se propôs a organizar.

Após sofrer uma avalanche de reclamações devido aos valores investidos nessas instalações, metade dos estádios foram testados durante a Copa das Confederações, recebendo críticas, mas também elogios por parte de especialistas e visitantes de uma forma geral.

“Finalmente podemos dizer que nosso país conta com estádios capazes de receber eventos de grande porte, como a Copa do Mundo. Quem teve a oportunidade de conhecer as arenas durante a Copa das Confederações já pôde notar a diferença do padrão que é exigido para este tipo de evento.”, destacou o Diretor da Estádios e Arenas, Mário Bini, especialista em gestão de instalações esportivas.

De acordo com especialistas do setor e integrantes do COL, hoje em dia o temor de que as obras não estejam concluídas a tempo já está descartada. Porém, a grande preocupação fica a respeito de como será o acabamento do entorno desses projetos e se os serviços periféricos terão condições de estarem funcionando até o pontapé inicial do mundial. Apesar de não admitir oficialmente, já há uma opinião praticamente formada de que o serviço de telefonia e internet móvel nas regiões dos estádios não suportarão o volume de tráfego durante a competição.  Essa teoria é reforçada com o depoimento do diretor da Estádios e Arenas.

“Temos um projeto de vendas de ingressos e ações interativas nas arenas via celular para ser implementado nos estádios aprovado por gestores. Apesar disso, alguns estádios não são capazes ainda de colocarem em prática esse serviço devido à má qualidade da rede 3G e 4G. Ou seja, temos um potencial de tornar os estádios mais rentáveis, porém a engrenagem não se move porque não foi estruturada para isso.”, lamentou Mário Bini.

ARENAS FONTE NOVA E PERNAMBUCO SOFRERAM AS MAIORES CRÍTICAS DURANTE A COPA DAS CONFEDERAÇÕES

Dos seis estádios utilizados durante a Copa das Confederações a Arena Pernambuco foi o maior alvo de críticas por parte dos organizadores do evento.  Além de estar situada em um local que dificulta o acesso dos torcedores, a arena também apresentou sérios problemas na área interna, como falta de sinalização eficiente e serviço de catering (alimentação e bebidas) bastante deficiente.

A integração da região, denominada Cidade da Copa, com as demais áreas da cidade também é bastante preocupante. A estação do Metrô Cosme e Damião, responsável pelo escoamento da maioria dos torcedores que chegam ao estádio foi classificada como precária. Projetada antes da confirmação da cidade como uma das sedes do evento, a mesma, de acordo com a CBTU, empresa responsável pelo gerenciamento da rede de trens, tem capacidade para receber um fluxo médio de 3 mil passageiros por dia, demanda calculada para dias normais.

A Arena Fonte Nova também foi alvo de duras críticas por parte dos organizadores. As falhas no serviço de catering, como no jogo entre Brasil e Itália, quando os torcedores chegaram a protestar pela falta de cerveja, são consideradas aceitáveis para um evento teste. Entretanto, foi notado que diversos camarotes estavam fora dos padrões solicitados pela Fifa, o que obrigou a entidade a intervir nesse setor para que eles fossem adaptados às pressas. Essa falha foi apontada como uma das mais graves durante a competição. A reportagem procurou a assessoria de imprensa da OAS Arenas, responsável pela obra do estádio, mas não obteve resposta.


Principal palco da competição, o Maracanã foi um dos estádios mais elogiados por sua estrutura. Nitidamente os governos municipal e estadual se esforçaram para que a área do entorno do estádio não tivessem problemas e para isso desenvolveu uma interessante estratégia de trânsito, que resultou em bons resultados na região. Porém, diversos torcedores se queixaram de áreas de gargalos, especialmente após as partidas. Uma dessas queixas aconteceu na estação de metrô Del Castillo, onde diversos torcedores deixaram seus veículos em um shopping anexo. No horário de maior fluxo, muitas queixas foram registradas e por pouco acidentes não aconteceram, segundo relato de torcedores.

“Nitidamente faltou planejamento e organização neste ponto. Devido ao grande movimento, a estação teve que ser fechada, pois não era possível que outras pessoas entrassem ali. No estádio tudo estava ótimo, mas essa saída precisa ser reavaliada para que não ocorram acidentes no futuro.”, comentou o professor José Menezes, na saída do jogo entre Espanha e Taiti, no dia 20 de junho.

BEIRA-RIO É ELOGIADO PELA FIFA E TIRA LIÇÕES COM EVENTO TESTE, MESMO NÃO SENDO UTILIZADO NA COMPETIÇÃO

Mas nem só de críticas vivem os estádios brasileiros para a Copa do Mundo. Mesmo algumas arenas que não foram utilizadas na Copa das Confederações conseguiram mudar a imagem negativa que tinham junto a entidade máxima do futebol mundial. É o caso do Beira Rio, em Porto Alegre, que até então era considerado um dos cronogramas mais preocupantes, e hoje é elogiado publicamente pela Fifa.

“Na última semana recebemos a visita do consultor de estádios da FIFA, Charles Botta, e conseguimos definitivamente desmistificar a antiga preocupação que a entidade tinha. Ele se mostrou muito satisfeito com o andamento e a qualidade da obra que apresentamos. Toda a sua comitiva nos parabenizou, chegando a dizer que o Beira Rio é o melhor estádio que eles visitaram no país. Não temos dúvida que até o dia 31 de dezembro, prazo limite estabelecido para entrega da obra, já teremos todo o trabalho concluído.”, confirmou Marcelo Flores, CEO da BRIO, Holding responsável pela obra e futura gestão do Beira Rio.

Mesmo não tendo participado do evento teste, os responsáveis pelas obras do estádio gaúcho se mostraram atentos ao que estava acontecendo nas demais arenas esportivas. Ainda segundo Marcelo Flores, essa competição serviu para que os profissionais que trabalham no estádio do Internacional pudessem avaliar os pontos positivos e negativos que ocorreram durante o torneio.

“Mesmo não tendo participado como sede, a Copa das Confederações foi um grande aprendizado para nossa equipe. Dividimos nosso pessoal em diversos grupos, que foram acompanhar a competição in loco. Posso garantir que tivemos muitas lições e estamos adaptando tudo que foi observado para a nossa realidade.”, destacou Flores.

Das 6 cidades que estarão na Copa do Mundo e que não tiveram a oportunidade de estar na Copa das Confederações, três ainda apresentam sinal amarelo em algum setor: Cuiabá, Curitiba e São Paulo.

A capital do Mato Grosso apresenta sérias falhas no seu projeto de mobilidade urbana, que viabilizaria o acesso ao estádio. O plano de criar um sistema de VLT emperrou nas brigas judiciais e dificilmente será realizado dentro de um ano. Já a Arena Pantanal apresenta atualmente quase 80% de sua obra finalizada, tendo concluído a montagem dos oito pilares de sustentação, que equivalem a um prédio de 13 andares, segundo a assessoria de imprensa do projeto.

Já São Paulo e Curitiba enfrentam problemas com relação ao financiamento das obras, que chegou inclusive a ameaçar a capital paulista de perder o posto de cidade que abriria a competição. Mesmo com os entraves burocráticos, os governos e dirigentes garantem que tudo ficará pronto dentro do prazo estabelecido pela Fifa na maior cidade do país.

Na capital paranaense o bloqueio dos recursos cedidos pelo BNDES pelo Tribunal de Contas do Estado no início do mês de julho ainda preocupa os responsáveis pela competição. Essa medida fará com que os organizadores foquem atenção especial nesta sede, apesar do discurso ser de plena confiança na conclusão do projeto. O poder judiciário exigiu que a empresa responsável pela obra apresentasse orçamentos mais precisos para que finalmente possa liberar a terceira parcela do financiamento, que gira em torno de R$ 26 milhões.

Resta pouco tempo para que os maiores jogadores do planeta desembarquem no Brasil, mas o trabalho ainda promete ser intenso na maioria das sedes, que precisam concluir ou aprimorarem a qualidade dos serviços que serão disponibilizados ao público.

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