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Aos 21 anos, atacante supera desconfianças e mostra que pode conduzir o Brasil na Copa de 2014

Por Tiago Domingos

Talvez nenhum jogador tenha gerado sentimentos tão antagônicos na última década como Neymar. Depois de não deixar dúvidas de que poderia ser um atleta de nível mundial, a permanência no Santos estagnou a evolução do jogador e a equipe do Brasil, precisando de uma referência após os insucessos dos veteranos, sentiu o momento. As críticas se acumularam, até na imprensa internacional. Mas a Copa das Confederações deixou todos aliviados: sim, temos um craque na Seleção Brasileira.

Pré-Confederações
Após um ano mágico em 2011, Neymar decidiu permanecer no Brasil, mesmo com o assédio de clubes europeus. Só que o ano seguinte foi complicado. Sem conseguir levar sua equipe a grandes conquistas, começou a ter o seu futebol questionado. Na Seleção, enfrentou altos e baixos, mostrando muita dificuldade para furar defesas mais compactadas, situação inusitada para quem atua por aqui.

Críticas de que não era aquele jogadores que todos imaginavam, de que era cai-cai, de que não conseguia passar por zagueiros mais qualificados e de que dedicava muito tempo a compromissos comerciais foram se acumulando e confrontando os que ainda permaneciam como defensores do jovem camisa 11. Com apenas 20 anos, ele carregava nas costas o peso de assumir dois times forçadamente renovados e ainda tinha a missão de deslanchar internacionalmente.

O Brasil acumulava um incômodo jejum vitórias sobre grandes seleções e Neymar se apresentava para a Copa das Confederações com mais de 800 minutos sem marcar um mísero gol. Após ser vendido ao Barcelona, o atacante se preparava para o torneio que poderia definir seu rumo na equipe nacional.
 
Pós-Confederações
Após o apito final de Bjorn Kuipers, sacramentando a goleada sobre a Espanha, nenhum crítico ousou se pronunciar. Neymar provara nas cinco partidas do torneio que poderia enfrentar qualquer desafio. O jejum de gols caiu nos primeiros minutos contra o Japão. A dose foi repetida contra o México, com um golaço. Fechando a fase de grupos, uma linda cobrança de falta contra a Itália. Na semifinal, os uruguaios não conseguiram impedir sua participação nos dois gols. E a final? Bem, essa foi um capítulo à parte.

Parecia uma desforra dos 4 a 1 sofrido pelo Santos contra o Barça na decisão do Mundial de Clubes de 2011. Neymar entrou em campo endiabrado. Conduziu o Brasil nos grandes lances, infernizou a toda poderosa equipe do “tiki-taka” e marcou um gol de rara esperteza e precisão, com o “pé ruim”. E os principais jornais do mundo, que já destacavam a sua boa participação durante a competição, não tiveram dúvida em elegê-lo o “Cara” da Copa das Confederações. A Fifa também não.

Agora, Neymar chega ao Barcelona com outro status. Não é mais apenas uma promessa, um jogador que chega para lutar por espaço no time. A sua parceria com Messi já é projetada por grandes estrelas e comentaristas pelo mundo. Se antes, só os melhores momentos chegavam para o mercado internacional, a Copa das Confederações pode ser considerada o debute do ex-santista para o mundo. Sim, temos um craque na Seleção Brasileira. E todos estarão de olho para a Copa do Mundo.

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