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Mês Mágico

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Conquista da Seleção Brasileira dá tranquilidade a uma equipe ainda em formação para o Mundial

Por Tiago Domingos

De uma equipe fraca e desacreditada para maior potência do futebol mundial. Aos olhos dos extremistas, a Copa das Confederações proporcionou um milagre ao tirar a Seleção Brasileira do alvo dos pessimistas para os louros dos ufanistas. Para quem está no meio desse caminho, o milagre pode não ter acontecido, mas a transformação é evidente. É possível acreditar que o Brasil entre no rol de favoritos para 2014.

Antes de chegar a Copa das Confederações, a Seleção vivia momentos conturbados. A eliminação traumática no Mundial de 2010 foi seguida de momentos não menos tranquilos com Mano Menezes, apesar de um aproveitamento considerado até bom. Os insucessos na Copa América e na Olimpíada deixaram a situação insustentável, mesmo no momento que o time começava a ganhar uma cara.

Nova era Felipão
Tanto a equipe vinha tomando forma que, quando assumiu o time, Luiz Felipe Scolari manteve a base deixada pelo antecessor. Mas os resultados ainda estavam em patamares ruins. Foram somente duas vitórias em sete partidas. O jejum sem vitórias sobre grandes seleções (que durava desde 2009) só acabou no último jogo antes da Copa das Confederações, sobre uma França combalida. O Brasil caíra para o 22º lugar no Ranking da Fifa.

Só que já era possível ver uma evolução. Derrota apenas na estreia, aposta em um esquema mais ofensivo, dando chances para jogadores de habilidade, como Neymar, Oscar e Lucas jogarem juntos, e o famoso “esquema Felipão”: força na marcação e na união do grupo.

O resultado foi algo impressionante. O título na Copa das Confederações coroou uma atuação esplendorosa contra a toda poderosa Espanha na decisão. A campanha no torneio foi perfeita: cinco vitórias em cinco partidas. A equipe que não vencia uma campeã mundial há quatro anos, bateu quatro em 30 dias. A torcida voltou a jogar com o Brasil. A imprensa se rendeu à evolução do time. Neymar desencantou.

Copa das Soluções
Caso fosse necessário apontar uma só explicação para toda essa evolução da Seleção Brasileira, os últimos 30 dias de trabalho poderiam ser a resposta. Nesse período, Scolari colocou em prática a sua filosofia de forma mais incisiva e montou um time da forma como queria. Foram vários treinos, reuniões, palestras, atividades e dois amistosos que deram um novo espírito à equipe.

Agora, a um ano da Copa do Mundo, o Brasil chega a um novo patamar. Apesar de ainda não ser da linha das melhores seleções do momento, já é possível acreditar que os brasileiros vão chegar em 2014 como um dos favoritos ao título, não apenas por atuar em casa ou pelo peso da camisa, mas também pelo futebol apresentado. Ainda existe um caminho a ser trilhado, mas bons passos foram dados nas últimas semanas.

EM ALTA

Neymar: foi o grande vencedor desse período. Venceu a desconfiança das dificuldades mostradas contra defesas mais compactas e mostrou que pode comandar seus companheiros numa campanha vitoriosa pela Seleção. Derrubou o jejum de gols, foi Bola de Ouro da Copa das Confederações e sai com o respeito de quem destronou a melhor seleção do mundo.

Júlio César, Fred e Paulinho: jogadores que ainda lutavam para se manter no time titular, agora assumem a condição de inquestionáveis. Salvaram a pele de Felipão nos momentos mais complicados e vão receber a fidelidade do treinador.

Hernanes, Jô e Bernard: tiveram pouco tempo para tentar garantir novas convocações, mas demonstraram um ótimo aproveitamento nos minutos que tiveram. O sonho de disputar o Mundial virou bastante possível.

Escalação: Júlio César; Dani Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho e Oscar; Neymar, Hulk e Fred. Hoje, é possível dizer quais são os 11 jogadores da equipe principal. É a cara do time.

Torcida: o período de manifestação, por incrível que pareça, ajudou a Seleção. O sentimento de patriotismo, de querer o melhor para o país, criou uma empatia dos torcedores com os comandados de Scolari, que também lutavam em campo. O acaso do hino ter sido cortado no primeiro jogo, e completado à capela nas arquibancadas, virou padrão no jogos seguintes e deu ânimo em campo.

Felipão: montou seu grupo, deu a ele sua cara e encontrou um padrão de jogo, com a moderna marcação sob pressão, com atletas de confiança. Mostrou que, com tempo de trabalho, pode chegar ao resultado desejado. Sai com muita força para o último ano do “ciclo da Copa”.
 

EM BAIXA

Time faltoso: é ainda um grande empecilho para fazer o time encher os olhos dos analistas. O treinador não esconde que utiliza o anti-jogo para vencer, que manda fazer faltas. O Brasil saiu como o mais faltoso da Copa das Confederações e isso pode ser prejudicial com atletas menos controlados.

Lucas: aclamado pela torcida, que pegou no pé de Hulk injustamente, o jogador não conseguiu provocar efeitos positivos no time. Perdeu espaço para Bernard na semifinal e pode ter dificuldades para se tornar titular.

Ronaldinho, Kaká, Robinho, Ganso...: a nova “Família Scolari” ganhou forma neste mês. Não bastasse os jogadores formarem um grupo, ele ainda se tornou vitorioso. É difícil imaginar a convocação de atletas que cheguem para tomar contar da equipe, para ser solução, e não apenas para somar ao que foi montado.

Felipão: alguns atletas estão a sua cara, exacerbando no patriotismo. O fato ter conquistado a taça sobre a Espanha, da forma como foi, pode comprometer a correção de erros. Novos talentos que surjam ou grandes jogadores que readquiram as boas atuações devem ter dificuldades de entrar no grupo.

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