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O adversário do Fluminense nas quartas-de-final, mostra tradição na competição sul-americana. Com três títulos, os paraguaios realizaram duelos históricos diante de brasileiros

POR YURI GONÇALVES

Nesta quarta-feira, o Fluminense inicia duelo contra o Olímpia pelas quartas-de-final da Copa Libertadores. O Tricolor das Laranjeiras terá que tomar cuidado, pois além do bom time que possui, os paraguaios têm algo a mais em relação aos cariocas, experiência e títulos na competição sul-americana.

Antes do confronto, Goal revela um dossiê sobre a trajetória do Olímpia na história da Copa Libertadores.

OLIMPIA: SINÔNIMO DE LIBERTADORES

Fundado em 25 de julho de 1902, o Olímpia é o time mais tradicional do Paraguai. Maior campeão nacional com 39 títulos, o clube é conhecido como Decano ou Rei de Copas, pois ganhou todas as competições sul-americanas possíveis.

A história do Olímpia na Libertadores é singular. Os paraguaios participaram de 36 edições - contando com a atual - do torneio. Ao lado do Nacional-URU, é a segunda equipe que mais esteve presente no certame, perdendo apenas para o Peñarol-URU (38).

Na primeira edição da história da Libertadores em 1960, o time paraguaio chegou ao vice-campeonato após perder a final para o Peñarol. Em outras duas oportunidades, os portenhos também alcançaram o segundo lugar: Em 1989, perderam nos pênaltis para o Atlético Nacional-COL e em 1991 sucumbiram diante o Colo-Colo-CHI.

Ao longo das 35 últimas vezes em que atuou na Libertadores colecionou glórias e fracassos. Várias vezes foi eliminado precocemente e outras o sonho de conquistar a competição chegou perto.

Edições em que não participou: 1962, 1964, 1965, 1967, 1968, 1971, 1978, 1985, 1992, 1997, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011

Eliminações na 1ª fase: 1963, 1966, 1970, 1972, 1973, 1974, 1975, 1976, 1977, 1981, 1983, 1984, 1986, 1987, 1988, 1996, 1999, 2000, 2001, 2004 e 2012.

Eliminações na 2ª fase: 1969

Eliminações nas oitavas-de-final: 1995, 1998 e 2003

Eliminações nas quartas-de-final: 1993

Eliminações nas semi-finais: 1961, 1980 e 1994

Vice-campeão: 1960, 1989 e 1991

TRICAMPEÃO! 1979-1990-2002


Após vários fracassos ao ser eliminado na 1ª fase e não ter participado no ano anterior, 1979 foi especial. O Olímpia dominou pela primeira vez a América do Sul.

Com uma campanha irretocável (8v-1e-1d) e melhor ataque (23 gols), os paraguaios terminaram primeira e segunda fases, considerada semi-final, sempre na liderança de seu grupo. Na final, o Decano superou o Boca Jrs em dois jogos, 2 a 0 em Assunção e 0 a 0 em Buenos Aires, e conquistou o seu inédito título da Libertadores da América.

Em 1990, o gosto foi diferente. Ao bater na trave com o vice no ano anterior, o Olímpia conquistou o bicampeonato. Na primeira fase terminou na liderança do grupo da morte (Vasco, Grêmio e Cerro Porteño-PAR), nos mata-matas superou Universidad Católica-CHI, deu o troco no Atlético Nacional-COL na reedição da final de 89 e derrotou na final o Barcelona-EQU. Conquistou o título e, de quebra, teve o artilheiro da competição: Adriano Samaniego (7 gols).

Já no ano de 2002, com toda a tradição de Libertadores, o Olímpia destoava de boa técnica e principalmente de experiência. Primeiro lugar no grupo composto por Universidad Católica-CHI, Flamengo e Once Caldas-COL, superou o Cobreloa-CHI nas oitavas, eliminou Boca Jrs-ARG nas quartas e nas semi-finais desclassificou o Grêmio. Na decisão, tinha tudo para ficar com o vice após perder em casa no primeiro jogo diante do São Caetano, mas reverteu e conseguiu um heróico tricampeonato nos pênaltis dentro do Pacaembu.
OLIMPIA E OS BRASILEIROS

O Olímpia é um velho conhecido dos times brasileiros em disputas da Copa Libertadores. Ao longo da história, o Rei de Copas enfrentou nove equipes do Brasil em diferentes fases da competição. No retrospecto de mata-matas, os tupiquins têm vantagem ao eliminarem os paraguaios por três vezes contra apenas uma.

CURIOSIDADE: Nas três oportunidades em que foi campeão da competição, o Olímpia teve pelo caminho equipes do futebol brasileiro.

1976 -  Melhor para Cruzeiro e Inter na 1ª fase

Apesar da eliminação nesta fase, os paraguaios encararam Cruzeiro e Internacional e não conseguiram vence-los em nenhum dos jogos. Contra a Raposa um empate e uma derrota (1 a 1 e 4 a 1), o mesmo se repetiu com o Colorado (1 a 1 e 1 a 0).

1979 - Passou por cima do Guarani na 2ª fase

Nos confrontos diante do Guarani, campeão brasileiro de 78, o Olímpia não perdeu. Vitória por 2 a 1 em Assunção e empate por 1 a 1 em Campinas, o suficiente para avançar à final e logo depois conquistar o título inédito da edição sul-americana.

1981 - Superado por Flamengo e Atlético-MG na 1ª fase

O Olímpia encarou duas equipes brasileiras que estavam no auge do futebol tupiniquim na época: Flamengo e Atlético-MG. Eliminado também na 1ª fase, o sul-americanos não sentiram o gosto da vitória sobre Rubro-Negros (0 a 0 e 1 a 1) e Atleticanos (0 a 0 e  0 a 1).

1989 - Um trauma para os colorados

Depois de vencer em Assunção por 1 a 0, a vaga na final parecia bem encaminhada para o Internacional, já que decidia a série com os paraguaios em Porto Alegre. No entanto, os gaúchos sofreram uma derrota por 3 a 2, forçando a disputa por pênaltis onde acabaram eliminados da competição. O fato curioso? O técnico colorado na época era Abel Braga, e o goleiro do Olimpia, o atual técnico da equipe, Ever Almeida.

1990 - Vitórias sobre Vasco e Grêmio na 1ª fase

No grupo mais equilibrado do torneio naquela época, o Olímpia foi melhor nos confrontos diante de cariocas e gaúchos. Contra o Grêmio, vitória por 1 a 0 e empate por 2 a 2 e sobre o Vasco, vitória por 2 a 1 e derrota por 1 a 0. Nesta edição, o time paraguaio se sagrou bicampeão.

1994 - Eliminado pelo São Paulo na semi-final

Caiu diante do Tricolor, que seria o campeão da edição, mas de forma sofrida, pois o time paraguaio foi osso duro de roer. Após vencer no Morumbi por 2 a 1, os paulistas perderam por 1 a 0 em Assunção e precisaram dos pênaltis para classificarem à final (4 a 3).

1995 - Sucumbiram diante do Grêmio nas oitavas

Outra vez, o Grêmio cruzou o caminho. Na referida edição da Libertadores os gaúchos não deram chances com placares de 2 a 0 e 3 a 0 e avançaram às quartas sem deixar qualquer dúvida no confronto.

1999 - Duelo diante dos grandes paulistas na 1ª fase

Quatro anos após o vexame diante dos gremistas, o até então bicampeão sul-americano enfrentou na 1ª fase Palmeiras e Corinthians. Diante do Verdão que no ano citado seria o campeão do torneio, o Olímpia não perdeu: 4 a 2 e 1 a 1. Entretanto, diante do Timão, duas derrotas (1 a 2 e 0 a 4), resultados que contribuíram na eliminação precoce paraguaia.

2000 - Não venceu a Coritinthians na fase inicial

No ano seguinte, mais uma vez o filme se repetiu, entretanto não foi tão fácil como anterioriormente. Na 1ª fase perdeu para o Corinthians por 4 a 5 e empatou em 1 a 1.

2001 - Virando freguês brasileiro

Pelo terceiro ano seguido, eliminado na fase inicial e sem sucesso diante dos brasileiros. Agora foi a vez do Cruzeiro detonar com o time paraguaio com duas vitórias - 3 a 4 e 1 a 3.

2002 - 1ª fase / Semi-final / Final:  Paraguaios traumatizaram brasileiros

O Olímpia mostrou que aprendeu a lição. Por três edições consecutivas sendo atropelado pelos times do Brasil, os portenhos deram o troco em apenas uma edição.

Na 1ª fase, o Flamengo foi a vítima. Em dois jogos, uma vitória 2 a 0 e um empate 0 a 0. Já nas semi-finais, o Grêmio levou o troco da eliminação de sete anos atrás: 3 a 2 na ida e 0 a 1 na volta, pênaltis 5 a 4 em pleno Olímpico.

Por fim, o golpe de misericórdia. Na decisão diante do São Caetano, o Olímpia conseguiu o mais difícil. Após perder no Paraguai por 1 a 0, virou o jogo no Pacaembu para 2 a 1 e levou a decisão às penalidades. Pior para o Azulão que viu o time sul-americano vencer por 4 a 2 e conquistar o tricampeonato da Libertadores.

2003 - Oitavas-de-final: Superados pelo Grêmio

O atual campeão não conseguiu passar para as quartas-de-final graças ao Grêmio. O Tricolor Gaúcho estava engasgado após eliminação no ano anterior e varreu os paraguaios com duas vitórias (2 a 3 e 0 a 3).

2004 - 1ª fase: Empates contra Coxa

No ano seguinte, nem ganhou e nem perdeu. Eliminado na fase inicial, o Olímpia ainda empatou nos dois confrontos contra o Coritiba pelo mesmo placar: 1 a 1.


Apesar de não conseguir avançar aos mata-matas, o Olímpia também não deixou o Flamengo se classificar. Em duas partidas emocionantes, empatou em 3 a 3 no Engenhão e venceu por 3 a 2 em Assunção.


2012 - 1ª fase: Tricampeões se tornaram uma pedra no sapato do Flamengo

Não bastasse isso, os paraguaios foram cruciais para a eliminação carioca. Em partida contra o Emelec, os tricampeões levaram um gol aos 47 do segundo tempo que classificou os equatorianos, consequentemente acabando com o sonho flamenguista.

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