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O comandante do Barcelona batalhou contra a doença para ajudar o time a sagrar-se campeão da Liga no sábado

COMENTÁRIO
Por Ben Hayward | Correspondente de Futebol Espanhol

"Tito, este é para você!" Disse Pep Guardiola quando pegou seu Ballon d'Or como melhor técnico da Europa em janeiro de 2012 e dedicou o prêmio ao seu assistente de longa data e grande amigo, que estava se recuperando de um câncer na garganta e havia passado por um período difícil lutando contra a doença para reassumir seu lugar no banco do Barcelona.

Mas ainda haveria um presente ainda maior de Guardiola, quando Pep recomendou Tito para sucedê-lo no cargo ao dizer à diretoria do Barça que estaria deixando o clube no fim da temporada. Na coletiva de imprensa em que fez o anuncio da sua partida, o treinador usou termos brilhante para se referir a Vilanova, ainda que tenha havido algumas palavras de cautela também. "Vocês não sabem o quanto ele sofreu. Mas ele superou."

E Tito teve de passar por tudo de novo em mais uma temporada interrompida pela doença. Depois de um começo sensacional na Liga, com 16 vitórias em 17 jogos para os catalães, uma rotina de check-ups médicos revelou que Vilanova havia sofrido uma recaída para o câncer e que precisaria de uma cirurgia imediatamente. Um dia depois da revelação de que Eric Abidal estava pronto para retornas aos treinos depois de se recuperar de um câncer, além das confirmações de que Xavi, Carles Puyol e Lionel Messi estariam assinando novos contratos, esta foi a pior notícia possível.

Tito tirou um tempo depois da sua operação para se recuperar em Nova York. Dois meses de esgotantes sessões de quimioterapia e radioterapia se seguiram, enquanto o técnico se mantinha em contato com o interino, Jordi Roura. E, no meio tempo, a boa forma do Barça na liga, de maneira bastante compreensível, decaiu, ainda que  a diferença conquistada na primeira metade da competição tenha significado que o time nunca ficou realmente perigando perder a liderança.

Na ausência de Tito, o Barça perdeu para o Real na semifinal da Copa do Rei e também foi derrotado para os homens de Mourinho na Liga, mas passaram das oitavas-de-final da Champions League depois de uma virada época contra o Mila apenas alguns dias depois.

Vilanova voltou ao banco para dar uma injeção de ânimo nas quartas, contra o Paris Saint-Germain e em seguida reassumiu seu trabalho diante da imprensa também. Lentamente mas com confiança, ele se sentia mais firme e mais forte. "Sinto-me bem depois do longo processo pelo qual passei," disse, em abril. "Depois de um processo como esse existem efeitos secundários, mas me sinto melhor o tempo inteiro, mais forte. Sinto-me forte o suficiente para continuar e estou animado com isso - estarei aqui no ano que vem."

Depois de uma árdua campanha de estreia com os catalães e de um recente placar agregado de 7 a 0 para o Bayern de Munique nas semifinais da Champions League, Vilanova pediu para ser julgado no fim da próxima temporada, não desta. "Precisamos melhorar e sermos mais críticos conosco," explicou. "Foi um ano difícil com lesões e o técnico estando afastado por dois meses, então realmente não foi fácil. No ano que vem faremos tudo diferente."

Lições precisarão ser aprendidas, já que o Barça teve dificuldades de bater de frente com o Real Madrid neste ano e foi totalmente atropelado pelo Bayern em dois jogos. Mas, na Liga, o time de Tito foi perfeito e os catalães ainda podem igualar o recorde de 100 pontos atingido por Mourinho na temporada 2011-12.

Se vai ou não chegar lá, entretanto, não importa. O triunfo desta campanha é muito mais do que isso, é um triunfo de humanidade, para um técnico que lutou duas vezes contra uma doença perversa para retornar e liderar o seu amado Barcelona à uma brilhante vitória quando sua dominância doméstica havia sido posta em dúvida, restaurando o controle depois do Real de Mourinho levar a taça para a capital em 2011-12.

A vitória de Vilanova devolve a gana e a motivação a um time cansado, a um grupo de jogadores que já havia ganhado tudo nas quatro temporadas anteriores. E estes jogadores precisam receber crédito por suas performances consistentes na campanha da Primera Division, perdendo apenas dois jogos e ganhando 29 até aqui dos 32 totais. É uma marca realmente impressionante.

Mas, acima de qualquer outro, este é um título de Tito. Por sua bravura ao batalhar com uma doença tão difícil, o técnico catalão fez seu sucesso se transformar em uma história muito especial. Então seus jogadores fariam muito bem em repetir as palavras do ex-líder, Guardiola, quando brindarem juntos o último título da Liga: "Tito, este é para você!"

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