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Com apenas dois pontos separando os rivais, com dois jogos para o fim da temporada, clássico no Dragão pode dar o título ao Benfica ou a liderança ao Porto

COMENTÁRIO
Por Rupert Fryer

Dois pontos. Três gols. Isto é tudo o que os separa. Ambos estão invictos no campeonato inteiro. Empataram em 2 a 2 quando se encontraram no primeiro turno. São 28 jogos em que eles estiveram cabeça-a-cabeça em quase tudo, o tempo inteiro. E então chegamos a este momento. O Clássico. Com dois pontos de vantagem e apenas dois jogos por fazer, o Benfica visita o segundo colocado, Porto, neste sábado, para o que é efetivamente a decisão do título da Liga Sagres 2012-13.

"É uma situação muito complicada para o Porto e eles terão de fazer tudo para superar o Benfica e conquistar o campeonato," avaliou André Villas-Boas, que levou os Dragões à uma vitória por 2 a 1 no Estádio da Luz, há duas temporadas, para conquistar o título português na última vez em que houve uma 'decisão' entre os rivais.

Na ocasião, o Porto conquistou a tríplice coroa, levando também a Europa League e a Taça de Portugal. Este é um feito que o Benfica pode replicar. Os Encarnados terão o Chelsea pela frente, em Amsterdã, na quarta-feira, na decisão da Europa League, antes de pegar o Vitória para decidir a Taça de Portugal, no dia 26 de maio.

O Porto, é claro, está desesperado por atrapalhar os planos. Apenas duas vezes nos últimos 30 anos um time que liderava a disputa com dois jogos faltando para o fim do campeonato não acabou com a taça, mas eles acreditam. "Eles já fizeram nosso funeral," disse o técnico Vitor Pereira, "mas nós ainda estamos lutando." E estão lutando a semana toda. Tanto que Pereira adiou a coletiva de imprensa da quinta-feira, preferindo usar o dia para polir seus jogadores do que falar com a imprensa - uma decisão de acordo com um homem que se prepara de maneira minuciosa. "Estamos prontos para este jogo," disse, na sexta. "O Benfica é um time de qualidade, mas eu estou preparado."

Pereira sempre está. Ele é, de todas as formas, um técnico moderno. Aos 44 anos, nunca chegou às ligas nacionais como jogador e se aposentou antes dos 30 anos para começar a estudar o esporte com uma visão para formar uma carreira mais bem sucedida do lado de fora do campo. Tendo recolhido seu primeiro título com o Porto na primeira tentativa depois de ajudar Villas-Boas a faturar a tríplice coroa como assistente em 2010-11, Pereira já está atraindo o interesse de clubes no exterior, com o Everton tendo sido o último a acenar com a possibilidade de ser o próximo destino do treinador.

No canto oposto estará sentado um homem muito diferente, e louco por vingança. Jesus ainda se lembra de ver AVB abraçando Pereira e seus jogadores, celebrando o título dentro do quintal do Benfica até que os funcionários apagaram as luzes do estádio.

Para Jorge Jesus, isto se tornou uma oportunidade. Um ponto enfático foi feito na semana passada, imediatamente após o empate contra o Estoril, dentro de casa, que deixou a briga mais aberta do que nunca: "Queremos ser campeões dentro do Dragão!"

Ele também atraiu interesse de outros centros na Europa com algumas atuações bastante impressionantes na Champions League, mas Jorge Jesus está longe de ser o arquétipo de treinadores portugueses que parecem ter saído de uma linha de produção nos últimos anos.

Jesus não é suave, urbano e erudito. Para falar a verdade, ele não é tão bom com as palavras. Tampouco é jovem, misterioso e charmoso. De fato, o homem de 58 anos é bastante assustador, seus olhos penetrantes parecem testar a determinação de qualquer jornalista quando os encara, pacientemente esperando por suas perguntas. Ele não é nenhum José Mourinho, nenhum Villas-Boas. Nenhum Vitor Pereira. E dá certo para ele. Dá certo para o Benfica também. Jesus fala alto e de forma agressiva. E é por isso que é tão popular na Luz. Os torcedores se identificam com ele. Ele se importa. Parece um deles.

Não apenas isso, ele quer o que eles querem. Um estudante confesso do Futebol Total, ele gosta de ver seus times jogando com fluidez e liberdade, mas também com veemência e determinação, características iguais às do seu entusiasmo pelo futebol.

Seu time precisa demonstrar tudo isso e mais, especialmente se quiser capturar o título com uma vitória no Porto para encerrar uma sequência de 44 jogos de invencibilidade em casa dos Dragões no Português.

É um duelo de titãs. O recente declínio do Sporting deixou apenas dois - Porto e Benfica se revezam em todos os títulos da liga desde 2002 - mas, na realidade, esta é a era os portistas, com os Dragões tendo coletado 13 dos últimos 18 títulos domésticos em disputa, ficando a apenas seis de alcançar os 32 do Benfica, maior campeão.

Mas, neste sábado, o passado não significará nada. É tudo ou nada, e aos vencedores as batatas. Portugal, e o resto da Europa, estarão segurando a respiração. Nas palavras de uma lenda que anunciou que estará deixando o esporte nesta semana: estamos na reta final, vocês seriam loucos de perder.

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