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Números da Raposa na campanha da Libertadores em 2011 e do Atlético-MG na edição de 2013 são praticamente idênticos até aqui



Por Emanoel Ferreira

Alexi Stival, o Cuca, vestiu a camisa de grandes clubes nos tempos de jogador, como do Internacional, Palmeiras e Santos. Mas foi no Grêmio que viveu sua melhor fase dentro das quatro linhas, onde foi campeão da Copa do Brasil de 1989, com gol decisivo. Quando encerrou a carreira de atleta, aos 33 anos, ele certamente não poderia imaginar que se tornaria um treinador de ótimas campanhas, embora ainda careça de grandes títulos.

Cuca despontou como técnico após salvar o Fluminense de um rebaixamento praticamente consumado, em 2009, numa ascensão como poucas na história do futebol. Em 2010, à frente do Cruzeiro, terminou o Brasileirão em segundo lugar e foi mantido pela cúpula celeste no comando do clube. No ano seguinte, veio a disputa da Libertadores da América.

Hoje no Atlético-MG, o técnico encara o mesmo desafio e tenta deixar de lado as coincidências entre o trabalho atual e aquele deixado para traz no Cruzeiro. Apesar disso, as semelhanças são inegáveis até mesmo para um treinador inteiramente focado na procura de um grande título para se afirmar no panteão dos 'professores' mais requisitados do futebol brasileiro.

Cuca no Cruzeiro: a Libertadores de 2011
Cruzeiro teve a melhor campanha na fase de grupos (cinco vitórias)


Cuca certamente não irá se esquecer tão rápido da Libertadores de 2011. Vice-campeão brasileiro do ano anterior, o Cruzeiro tinha um time com jogadores que despertavam a preocupação dos adversários, com elogiáveis destaques individuais e uma campanha invejável: em cinco jogos durante a fase de grupos, os celestes venceram quatro e empataram um.

O time do Cruzeiro ia tão bem naquela edição da Libertadores que ganhou o apelido de “Barcelona das Américas”. Na Champions League, durante o mesmo período, o time Catalão tinha ótimo desempenho e impressionava com seu futebol rápido e de bom toque de bola. Guardadas as devidas proporções, alguns adversários passaram a reconhecer no futebol do clube brasileiro algumas características do gigante Espanhol. O primeiro deles foi o treinador do Peñarol, Diego Aguirre.

“Em nosso continente, o Cruzeiro é como o Barcelona. Seu jogo e os resultados que alcançou na Copa Libertadores são contundentes”, disse ele ao site Tenfieldigital.com , depois que o time da Toca venceu o Estudiantes por 3-0 e garantiu o primeiro lugar geral da fase de grupos.

Sempre cauteloso, Cuca procurava manter os pés dos jogadores no chão. Na ocasião, alertou que o bom futebol deveria necessariamente ser coroado com títulos.

“Trabalho só é coroado com vitória. Não podemos nos dar o luxo de estar em dia ruim de agora em diante. Mata-mata não premia o passado. Tem que jogar bonito e ganhar”, disse o treinador numa entrevista coletiva.

Nas oitavas de final, a cautela de Cuca mostrou ter razão de ser. O melhor time daquela edição viu pela frente um surpreendente Once Caldas. No jogo de ida, na Colômbia, os donos da casa foram batidos pelos celestes por 2-1, mas, na volta, jogando em Sete Lagoas (Mineirão e Independência estavam em obras), os brasileiros fizeram o que foi chamado de “pior jogo em toda a temporada” e foram batidos por 2-0, dando adeus à Libertadores da América de 2011.

Cuca no Atlético-MG: a Libertadores de 2013
Galo teve a melhor campanha na fase de grupos (seis vitórias)


Se Cuca é supersticioso como alguns o descrevem, ele certamente está mais preocupado com as semelhanças do Cruzeiro de 2011 com o Atlético-MG de 2013 do que anda aparentando.

Além do fato de ambos os clubes terem sido os melhores na fase de grupos das respectivas edições da Copa Libertadores, ambas as campanhas tiveram resultados iniciais praticamente idênticos. Com um total de sete jogos até aqui, o Atlético Mineiro venceu seis e foi derrotado em apenas uma oportunidade, ao passo que o Cruzeiro de 2011 venceu seis em sete jogos e empatou uma vez. A única e definitiva derrota celeste aconteceu apenas no oitavo jogo, a ser disputado pelo time alvinegro no Independência, contra o São Paulo.

Preocupado com o clima de favoritismo no Atlético, Cuca relembrou a derrota do Cruzeiro para o Once Caldas, no segundo jogo das oitavas de 2011. Após a vitória do Galo por 2-1 sobre o São Paulo, na partida de ida, tal qual o Cruzeiro sobre o time colombiano, o treinador nem ao menos fez questão de tentar parecer ter esquecido a dura eliminação.

“Em 2011 fomos o melhor time na primeira fase com o Cruzeiro, a gente venceu fora o Once Caldas por 2 a 1, e pensamos 'ah, tá tranquilo', mas perdemos de 2 a 0 em casa. O São Paulo é muito maior que o Once Caldas, temos que fazer um jogo muito melhor", disse o técnico atleticano.

 

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