thumbnail Olá,

ANÁLISE – Conte constrói os sucessos de sua Juve com base em uma sólida retaguarda. Os números consagram o trio bianconero, superando equipes históricas no futebol italiano

Por Letterio Donato
Goal.com Itália

Dois, vinte e nove, trinta e um. Tantos são os números do Scudetto conquistado pela Juventus após uma campanha fantástica e inigualável do início ao fim no topo da tabela de classificação da Série A. Já são dois títulos na Era Conte, vinte e nove considerando as conquistas formalmente reconhecidas pela Federação Italiana de Futebol (FIGC), ou trinta e um, levando em conta os dois títulos conquistados na era Fabio Capello até hoje reivindicados por boa parte da gente bianconeri, e que foram destituídos após o escândalo do Calciopoli, em 2006.

Números que dividem, números que mexem com paixões. E, ao que parece, mexem também com as cifras que rodeiam as operações do diretor Beppe Marotta no mercado de transferências, envolvendo nomes como Gonzalo Higuaín e Zlatan Ibrahimovic, jogadores de peso tão sonhados para o ataque do clube de Vinovo [centro de treinamentos da Juve].

No entanto, são outros números, indiscutíveis e livres de contestação, que permitiram à Velha Senhora que garantisse sua segunda taça seguida no país. Números que mostram o quão importante foi a formação de uma defesa sólida para o nascimento do sucesso bianconero.

Três jogadores nem sempre aclamados pelos críticos, Barzagli, Bonucci e Chiellini, os fiéis escudeiros do goleiro Buffon, chegam pelo segundo ano seguido ao topo da Itália, contribuindo decisivamente para o triunfo da equipe de Antonio Conte. A comprovação disto se dá através das estatísticas: a Bianconeri tem a melhor defesa dos últimos 25 anos da Serie A.

A JUVE DE CONTE X OUTRAS EQUIPES
EQUIPE NÚMEROS MÉDIA
O Milan de Capello
68 gols sofridos em 102 partidas
0.60
A Juve de Lippi (I)
88 gols sofridos em 102 partidas
0.86
A Juve de Lippi (II) 52 gols sofridos em 68 partidas
0.76
A Juve de Capello 51 gols sofridos em 76 partidas
0.67
A Inter de Mancini 60 gols sofridos em 76 partidas
0.79
A Inter de Mourinho 66 gols sofridos em 76 partidas
0.87
A Juve de Conte 40 gols sofridos em 73 partidas
0.56
*Considerando apenas equipes vencedoras em suas épocas

Em setenta e três rodadas do campeonato, a Juventus permitiu que os adversários balançassem suas redes em apenas 40 oportunidades, igualmente distribuídas nas duas últimas temporadas, gerando uma média de apenas 0,55 gols sofridos por jogo. Este número aponta a Juve como a defesa menos vazada do futebol italiano desde o fim dos anos 80. Nem o Milan multicampeão de Fabio Capello conseguiu fazer melhor.

Em cento e dois jogos, os Rossoneri permitiram 68 gols, uma média de 0,60 a cada noventa minutos jogados, número levemente superior ao da defesa vigente da Velha Senhora. Conte supera Capello e também à primeira Juventus de Marcello Lippi, equipe comparada a esta bicampeã em muitos aspectos: entre 1994 e 1999, a Bianconeri levou 88 gols também em 102 partidas, média de 0,86/jogo.

Os números são um pouco melhores aos da Inter de José Mourinho (2008-10), time vencedor da tríplice coroa (Serie A, Copa da Itália e Champions League) em seu último ano no San Siro: 66 gols em 72 partidas disputadas.

Se conseguir o tão almejado jogador de qualidade para seu ataque, a Juve sabe que conta com uma retaguarda de altíssimo nível, a grande protagonista do biênio mágico vivido pela Velha Senhora. Buffon, Barzagli, Bonucci e Chiellini ofuscaram Rossi, Tassotti, Baresi, Costacurta e Maldini. Buffon, Barzagli, Bonucci e Chiellini ofuscaram Julio César, Maicon, Lúcio, Samuel e Chivu.

Este sólido quarteto é o novo orgulho bianconero, oitenta anos depois de Combi, Rosetta e Caligaris. Buffon, Barzagli, Bonucci e Chiellini, os ‘policiais’ da Senhora, o verdadeiro às na manga da Juventus de Antonio Conte.

Relacionados