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Em 2001, Jardel marcou três vezes em dois jogos contra o time merengue que estarão para sempre na memória da torcida turca

Por Marcella Martha

Se pedirmos para qualquer torcedor de futebol aponta o favorito no duelo entre Real Madrid e Galatasaray, pela Liga dos Campeões, nesta quarta-feira, certamente a maioria tenderá para o lado dos espanhóis. Ainda que dificilmente possa ser considerado azarão, o Gala, com Drogba, Sneijder e um dos artilheiros da competição, Burak Yilmaz, não tem a mesma força da camisa nove vezes campeã europeia ou o mesmo status da seleção madrilena, que tem Cristiano Ronaldo à frente de nomes como Xabi Alonso, Mesut Özil e Kaká, além, é claro, do “Special One”.

O treinador português, aliás, tem em seu currículo duas taças da Champions, com Porto e Inter de Milão, além de ter disputado, até aqui, seis semifinais – uma a menos do que o recordista, Sir Alex Ferguson, do Manchester United. Não há dúvidas de que, se há alguém que conhece o caminho para a glória, esse alguém é José Mourinho – fato que Sneijder e Drogba podem atestar, tendo ambo faturado algumas medalhas sob o comando do técnico. Um time comum que tivesse Mourinho no banco já seria visto com temor por qualquer adversário; em se tratando do Real Madrid, a coisa dobra de figura, independentemente de rumores ou boatos sobre desentendimentos internos, rachas no elenco ou da supostamente já sacramentada saída do treinador no fim da temporada.

Entretanto, os torcedores e jogadores turcos poderão voltar para o ano de 2001 para encontrar inspiração. O semi-Galático e campeão da Champions Real Madrid de Raúl, Roberto Carlos e Figo enfrentou o então campeão da Copa da UEFA, Galatasaray, que havia acabado de perder seu craque, Hakan Sukur. Apesar de todos os cartões de visita que uma taça conquistada sobre o Arsenal do craque Dennis Bergkamp poderia oferecer, também naquela ocasião não havia qualquer dúvida sobre quem era o favorito para levar a Supercopa da UEFA.



Eis que surgiu um herói para provar, mais uma vez, que todos os clichês a respeito do futebol são, de fato, verdadeiros: ‘é uma caixinha de surpresas’, ‘só acaba quando o juiz apita’, ‘favoritismo não entra em campo’, e etc. Um nome brasileiro brilhou e marcou a história do confronto destas duas equipes: Mário Jardel.

O brasileiro chegou à Turquia com uma bagagem pesada: 130 gols em 125 jogos pelo Porto fizeram o Gala pagar 16 milhões de dólares para que ele substituísse o ídolo Sukur. Naquele jogo do dia 25 de agosto do ano 2000, no estádio Louis II, em Mônaco, Jardel abriu o placar aos 41 minutos do primeiro tempo, com gol de pênalti. Aos 34 da etapa final, Raúl empatou. Mas a estrela do brasileiro brilhou mais forte novamente aos 23 minutos da prorrogação, quando ele marcou o ‘gol de ouro’ e levou o título da Supercopa para Istambul.

O caminho dos dois times ainda iria se cruzar mais uma vez, na Liga dos Campeões da temporada seguinte. Parecia que estaríamos diante de mais uma história de Cinderela quando o Galatasaray conseguiu virar o primeiro jogo das quartas-de-final depois de sair perdendo por 2 a 0, gols de Helguera e Makelele, no primeiro tempo. Após uma chacoalhada no intervalo, Ümit e Hasan Sas empataram. Aos 30, Jardel fez a torcida chorar e delirar de felicidade nas arquibancadas, com uma cabeçada mortal, fechando o placar numa virada que parecia impossível. Na volta, entretanto, a força do Real se fez valer na capital espanhola, e o placar de 3 a 0, com dois gols de Raúl e um de Helguera, acabou eliminando o Gala da competição.



Depois de uma remontada fantástica, a eliminação certamente foi dolorosa, mas a memória da noite mágica em Istambul estará na mente de todos os fanáticos torcedores turcos, que sonham em ver Yilmaz ou Drogba viver, em 2013, noites de Jardel – quem sabe, com um final mais feliz na Türk Telekom Arena.

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