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O futebol deixa de ocupar o foco das atenções da mídia internacional sobre o Brasil, enquanto o homem forte da Copa ganha as notícias por motivos nebulosos

Por Matheus Harb

Brasil: terra do futebol, do samba, da alegria. Três conceitos que são comumente associados ao país pelos visitantes que chegam ao colosso sul-americano, ávidos a encontrar tais encantos. Algo, porém, começa a transformar a imagem sempre acolhedora do país; muito pior que o atraso nas obras ou o desencontro da Seleção de Luiz Felipe Scolari com sua melhor fase. As denúncias contra José Maria Marin tomam as páginas internacionais e expõem os princípios aterradores que guiam o futebol nacional.

O passado obscuro que mancha Brasil 2014 é o título do artigo publicado no La Nación

Um sinal de que as perguntas sobre a Copa de 2014 estão tomando um novo viés é o artigo do jornalista Ezequiel Fernández Moores, publicado nesta quinta-feira no periódico La Nación. Nele, é explicado o que tem tomado nosso noticiário esportivo há algumas semanas: o envolvimento do então deputado de São Paulo na morte do jornalista Vladimir Herzog, as incertezas sobre a sucessão de Ricardo Teixeira e a distância entre Governo Federal e CBF.
"O chefe do futebol brasileiro motivou o assasinato do ex-jornalista da BBC?", questiona a reportagem de Andrew Jennings

Na mesma linha, o britânico Andrew Jennings, inimigo declarado dos inescrupulosos caciques do futebol mundial, também reservou seu tempo a dissecar o passado sombrio do homem que também tem o Comitê Organizador Local (COL) sob seu comando. Romário, o porta-voz do movimento que cobra a investigação contra Marin, dificilmente não conseguirá levar sua palavra aos quatro cantos do mundo.

Prever o fim dessa saga mostra-se uma tarefa complexa, mas o simples fato de que ela foi posta em ação já é um alento. É somente no confronto com sua própria história que o Brasil terá o poder de mudar seu próprio rumo, e evitar lá na frente, quem sabe, o vexame da explicação sobre o investimento público em estádios eternamente em reconstrução, ou sobre a Federação que explora o futebol há anos e sequer presta contas sobre os milhões que fatura nessa atividade.

Aguardemos os próximos capítulos.