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Peter Davis, da Goal.com Ásia, analisa a presença dos brasileiros no futebol chinês e conversa com Leandro Netto, há sete anos no país

É senso comum de que os jogadores brasileiros são conhecidos pela habilidade, estilo e velociade, e no futebol chinês os brasileiros se tornam alvos das transferências justamente por isso. O impacto de uma nacionalidade específica tem na Liga Chinesa, CSL, é algo que certamente merece atenção.

Os clubes chineses podem ter até cinco jogadores estrangeiros cada, e todos menos dois já preencheram as suas cotas, o que significa que há 78 jogadores estrangeiros inscritos ns CSL. Exatamente 33 destes 78 são oriundos da América do Sul - 42%. Mas, mais importante, 23 dos 33 são brasileiros, o que quer dizer que o país representa 29% de todos os estrangeiros atuando na CSL.

O futebol brasileiro foi apresentado aos chineses quando o campeã da Copa do Mundo, Márcio Santos, teve uma cirta e infeliz passagem de apenas um jogo no Shandong Luneng em 2001. De lá para cá, entretanto, as coisas melhoraram muito, com Éber Luís Cucchi ganhando a chuteira de ouro em 2008 pelos seus 14 gols pelo Tianjin Teda e o talismã Murique, que chegou logo depois, fazendo o mesmo em 2011 pelo Guangzhou Evergrande.

Mas parece que 2013 pode ser mesmo o ano para os brasileiros na China. Depois de apenas duas partidas pelo campeonato nacional, sete brasileiros já marcaram gols, com Edu anotando três pelo Liaoning Whowin, Bruno Meneghel dois pelo Qingdao Jonoon e Isac [Changchun Yatai], Murique e Rafael Coelho [Guangzhou] e Gustavo [Qingdao Jonoon] marcando um cada.

Liderando a artilharia, entretanto, está o ex-jogadordo Botafogo, Elkeson, do Guangzhou Evergrande, que já deixou a sua marca cinco vezes em apenas dois jogos, incluindo um hat-trick contra o Jiangsu Sainty. Marcelo Lippi optou por usar Elkeson como centroavante, o que está se mostrando uma escolha de mestre, se os dois primeiros jogos servirem de justificativa.

Outra contratação impressionou foi a de Kieza, que chegou ao Shanghai Shenxin, depois de boas temporadas pelo Náutico. O Shenxin, inclusive, preencheu quatro das suas cinco vagas para estrangeiros com brasileiros - o quinto deve vir de algum país asiático.

Com tudo isso em mente, não dá para argumentar que os clubes chineses não tem os brasileiro em alta consideração. Mas por que eles são a chave para o sucesso é algo que pode ser muito melhor discutido com um jogador brasileiro que tem sete anos de futebol chinês no seu currículo.

Leandro Netto vestiu a camisa de vários clubes espalhados pelo mundo antes de chegar ao Henan Construction em 2009. Ele foi liberado no fim da temporada mas se viu retornando à China para aturar pelo Hunan Billows, na China League One, e falou sobre as ligações do Brasil com a China com exclusividade para a Goal.com Asia, esclarecendo por que esta parceria deu tão certo.

Por que você acha que tem tantos brasileiros no futebol chinês?

Acredito que os brasileiros são muit flexíveis e tanto brasileiros quanto chineses gostam de jogar um futebol mais ofensivo do que defensivo, então acho que isso nos ajuda quando chegamos aqui na China para tentar melhorar o nível do campeonato. Tem, obviamente, o fator financeiro, mas é importante superar isso para poder aproveitar o futebol.

Você deixou o Henan Construction depois que eles foram rebaixados para a segunda divisão,  China League One. O que te fez voltar ao futebol chinês?

Estou muito adaptado ao futebol chinês e tenho muitos fãs na China que vão muito além da camisa que eu estou vestindo. Minha filha sente muita saudade daChina, então fico feliz por ter o apoio dela.

Como você descreveria seu tempo no Henan Construction?

Foram anos maravilhosos. Acredito que fiz meu nome lá e agora sou parte da história do clube. Mesmo não estando mais no clube, os torcedores sempre estarão no meu coração.

Que impacto você acha que pode fazer no Hunan Billows?

Meu objetivo é sempre ser campeão e tentar ajudar meus companheiros como puder. O que queremos é chegar na primeira divisão.

Sua relação com os torcedores chineses é ótima, o que você faz fora do futebol?

Minha relação com a torcida vem do respeito mútuo e da afeição. Tento dar a eles minha atenção sempre que posso, com receptividade. Meu retorno ao futebol chinês é por causa deles, que sempre me deram apoio e pediram pela minha volta.

Os brasileiros parecem ser tão parte do futebol chinês no momento quanto os próprios chineses, e são tão estimados que é difícil ver esta ligação poderosa acabando em qualquer momento num futuro próximo. Neste caminho, se os jogadores chineses puderem aprender com seus colegas e adversários brasileiros, então os benefícios podem ser inestimável para o futuro do futebol chinês como um todo.

Peter David mora em Beijing e assistiu a um Liaoning Whowin contra Chengdou Blades em 2008 que o deixou viciado em futebol chinês desde então. Ele contribuiu regularmente com Wild East Football e pode ser encontrado no twitter, em @peteydavis.

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