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Desde 2010, após uma conturbada renovação de contrato, sua saída vem sendo especulada. Após a temporada ofuscada por Van Persie, será que ainda há espaço para ele em Old Trafford?

Por Matheus Quelhas

Em 2004, um jovem atacante se transferia do Everton para o Manchester United, pelo valor de 25 milhões de libras. Wayne Rooney era, na época, o atacante mais jovem a ter marcado um gol com a camisa da Inglaterra e despontava como grande promessa no país. Quase nove temporadas depois e ostentando o posto de quarto maior artilheiro da história do clube, Rooney ainda não tem estadia tranquila em Old Trafford.

Dentre todos os envolvidos na relação entre o atacante e o clube, há um personagem que se destaca como protagonista na história: Sir Alex Ferguson. O experiente treinador, que assumira o comando da equipe em 1986, parece nunca ter se recuperado da rusga que surgiu ainda em 2010.

Era o fim da temporada 2009/2010 e Wayne Rooney havia se transformado no principal expoente do clube inglês após a saída de Cristiano Ronaldo, que se transferiu para o Real Madrid pela quantia recorde de 93 milhões de euros. O ‘Shrek’ não decepcionou quando posto à prova e atingiu sua melhor marca até então com a camisa vermelha dos Devils: 34 gols em 44 jogos.

Surpreendentemente, as especulações que envolviam o atacante no período de transferência do verão europeu encontraram eco em declarações do próprio jogador. Ele questionou a ambição do Manchester em ganhar títulos e praticamente exigiu contratações de peso, sob pena de uma eventual saída do clube. A responsabilidade de ser ‘o cara’ do time, apesar de transparecer pouco com a bola rolando, parecia ter pesado, e Rooney se desviou assim de uma possível subida rumo ao posto de ídolo, já atingido por Ryan Giggs e Paul Scholes, seus companheiros de vestiário.

Mesmo após o impressionante desfecho do caso, quando o contrato do jogador foi renovado em cinco anos e seus vencimentos semanais passaram à casa das 250 mil libras, Sir Alex nunca esqueceu a atitude considerada egoísta do atacante, e considerou os questionamentos às ambições do clube como objeções ao seu próprio trabalho como técnico – extremamente atuante nas questões internas do United.

Boas fases de Rooney e Manchester se ‘desencontram’ e surge Van Persie

É verdade que após sua renovação de contrato, Wazza foi um dos principais jogadores do elenco que se sagrou campeão inglês e vice-campeão europeu, mas é igualmente fato que o atacante teve um desempenho muito abaixo do esperado em termos individuais (16 gols na temporada). A isso soma-se a eliminação precoce da Inglaterra na Copa do Mundo da África do Sul, onde a seleção – após se classificar em segundo no grupo C, atrás dos Estados Unidos – acabou goleada pela Alemanha nas oitavas, por 4 a 1. E o prestígio de Wayne Rooney nunca esteve tão baixo na terra da rainha.

A volta por cima do jogador viria na temporada seguinte, quando foi peça fundamental no dramático vice-campeonato da equipe na Premier League, porém uma vergonhosa eliminação na fase de grupos da Champions League pôs mais uma vez em dúvida a capacidade do elenco que tinha em Rooney uma das maiores, senão sua principal estrela.

Até que em 2012 uma contratação pode ter mudado de vez o destino de Rooney no United: Robin Van Persie. Após excelente temporada, o holandês se juntou aos Red Devils depois de nove verões nos Gunners, pela quantia de 23 milhões de libras (valor que pode ser considerado alto para um jogador de 29 anos) e sua fácil adaptação e claro, seus gols, ofuscaram o brilho do então principal atacante do elenco, Rooney. Nesta temporada, os números não mentem: além de ter entrado em campo sete vezes a mais que o companheiro, Van Persie marcou 23 vezes contra atuais 15 do jogador inglês.

 

Wayne Rooney x Van Persie

EQUILÍBRIO?

IDADE: 27

NÚMEROS 2012/2013


JOGOS: 30
GOLS: 15

CARREIRA (CLUBES)

JOGOS: 425
GOLS: 193

SELEÇÃO INGLESA

JOGOS: 79
GOLS: 33
IDADE: 29

NA TEMPORADA 2012/2013


JOGOS: 37
GOLS: 23

CARREIRA (CLUBES)

JOGOS: 350
GOLS:
161

SELEÇÃO HOLANDESA

JOGOS: 72
GOLS: 31

O terceiro e último capítulo (até agora) da “caso Wayne Rooney” data do dia 5 de março de 2013. No confronto contra o Real Madrid, pelas oitavas de final da Champions League, Ferguson preteriu o atacante de 27 anos pelo jovem Welbeck, mas a explicação “tática” do escocês não convenceu a maioria dos admiradores do futebol do jogador, e o próprio atacante teria confidenciado a colegas de clube que pode deixar o United ao fim da temporada.

As atuações de Robin Van Persie desde que chegou encantaram todos em Manchester, e se Rooney quer ser a estrela da companhia, terá de jogar mais que o holandês. O problema é que o comandante dos Red Devils mostra descontentamento com a forma física do jogador e com isso as chances dele na equipe diminuem.

Enquanto isso, PSG e Bayern de Munique surgem como possíveis destinos do inglês, que está prestes a completar 200 gols com a camisa do Manchester United. Com Guardiola a ser apresentado na Baviera, até o presidente de honra do Bayern, Franz Beckenbauer, admitiu que gostaria de ver o atacante com a camisa do time; Leonardo, diretor do time parisiense, por sua vez, negou o interesse no jogador. Será o fim de uma longa relação de amor e ódio entre Wayne Rooney e Manchester United?

A última vez que um astro dos Devils ficou no banco contra o Real Madrid foi em 1999, quando David Beckham (mais um a enfrentar problemas de relacionamento com Sir Alex) escreveu um dos últimos - e melancólicos - capítulos de sua história com a camisa do United. Em seu discurso oficial, Ferguson diz que a permanência de Rooney é prioridade no clube. Mas ao que parece, não é isso que está entreouvido nos corredores de Old Trafford. E por outro lado, se Rooney admite uma possível saída, prefere pagar pra ver o fim de seu contrato (o que acarretaria numa saída sem custos) e assiste de camarote às especulações. Em meio ao turbilhão de informações sobre a ‘novela’, com sorte teremos o desfecho no último minuto da janela de transferências do próximo verão europeu.

*Contribuiu: Liam Twomey - Goal UK

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