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Goal.com relembra momentos marcantes da carreira do maior ídolo da história do Flamengo

POR DAN ORLOWITZ, FERNANDO H. AHUVIA E SIMONE GAMBINO

Maior ídolo do clube mais popular do país, Arthur Antunes Coimbra, o Zico, saiu ainda jovem de Quintino para ganhar o mundo como um dos melhores jogadores da história do futebol. Filho de Mathilde e José, o caçula da família Antunes nasceu às 7h do dia 3 de março de 1953, na casa 7 da Rua Lucinda Barbosa, Zona Norte do Rio de Janeiro.

Extremamente técnico e habilidoso desde as peladas na infância, porém pequeno e franzino, era difícil imaginar que Zico se tornaria o rei de uma nação. A história do Galinho de Quintino – que completa 60 anos neste domingo – se confunde com a do Flamengo.

Como tudo começou...

Em 1967, o radialista rubro-negro Celso Garcia foi convencido por Ximango, um amigo da família Coimbra, a ver Zico jogar na quadra de futebol de salão do River Futebol Clube, no bairro da Piedade. Grande destaque do seu time, o menino prodígio, com apenas 14 anos, foi convidado a fazer um teste na Gávea.

Aprovado na escolinha do Flamengo, Zico rapidamente chamou a atenção dos dirigentes rubro-negros. Já visando uma chance no time profissional, o Galinho foi submetido a um trabalho especial para fortalecer sua musculatura. Aproximadamente um ano antes de fazer sua estreia no time principal, Zico recebeu as chuteiras do meia Carlinhos, que encerrava sua vitoriosa carreira como jogador no Flamengo contra a Seleção Carioca.

Em 1971, o Galinho de Quintino atuou no time principal pela primeira vez e marcou o gol do empate por 1 a 1 com o Bahia, na Fonte Nova. Contudo, visando a disputa dos Jogos Olímpicos de Munique, ele aceitou ficar no time juvenil. Ele só não esperava ser cortado da lista. Diante do caso, Zico pensou em deixar o futebol, mas o apoio da família foi fundamental para que ele superasse o fato.

Eterno camisa 10 da Gávea
ESTATÍSTICAS PELO FLAMENGO
JOGOS GOLS MÉDIA DE GOLS
731 509 0,70

Em maio de 1973, Arthur Antunes Coimbra assinou seu primeiro contrato profissional com o Flamengo. Rapidamente, Zico conseguiu se firmar no time titular e, no ano seguinte, conquistou o seu segundo Campeonato Carioca, o primeiro como titular. Além disso, o galinho terminou a temporada com 49 gols, batendo o recorde histórico do ídolo Dida, que fez 46.

Maior artilheiro da história do Flamengo com 509 gols em 731 jogos, Zico era um meia diferenciado. Ótimo cobrador de faltas, habilidoso, técnico e goleador, o camisa 10 conquistou pelo time carioca sete títulos Estaduais (1972, 1974, 1978, 1979, 1979 Especial, 1981 e 1986), três Brasileiros (1980, 1982 e 1983), a Copa União (1987), além da Libertadores da América (1981) e do Mundial Interclubes (1981).

No Maracanã, Zico também tem história para contar. O craque é o maior goleador do estádio com 333 gols. No estádio Mário Filho, o Galinho marcou gols inesquecíveis e foi campeão diversas vezes. No Estadual de 1979, ele chegou a marcar seis gols na vitória do Fla sobre o Goytacaz por 7 a 1.

A despedida do craque vestindo a camisa do Flamengo aconteceu no dia 6 de fevereiro de 1990. Com uma grande festa da torcida rubro-negra, o Flamengo empatou com a Seleção do Mundo por 2 a 2.

Zico brilha na Udinese

Zico é uma autêntica lenda para os fãs da Udinese, o jogador mais importante que já vestiu a camisa do clube. Ele terminou o Campeonato Italiano de 1983/1984 na vice-artilharia com 19 gols, um a menos que Platini.

Na temporada seguinte, ele disputou apenas 15 partidas devido a lesões e suspensões. Ao todo o craque brasileiro marcou 57 gols pela equipe, sendo 17 deles de falta.

O Galinho jogou no clube italiano entre os anos de 1983 e 1985. Mesmo em uma equipe de menor expressão na velha bota, ele é naturalmente conhecido pelos torcedores da Udinese, principalmente os antigos fãs.

Conhecido no Japão como "O Deus do Futebol"

Para um homem que conseguiu o que muitos só sonharam no mundo do futebol, uma estátua é certamente uma boa maneira de comemorar os 60 anos bem vividos de Zico. Mas os flamenguistas podem não saber que uma estátua já existe do lado de fora do Kashima Stadium, casa do Kashima Antlers na J-League.

Em 1991, Zico decidiu aceitar o convite para jogar no até então desconhecido futebol japonês. Nos três anos que defendeu o Sumitomo Metals, atual Kashima Antlers, o Galinho não só se tornou ídolo do clube, como também ajudou a desenvolver o esporte no país.

Sua orientação fora do campo foi desde vestir um uniforme de árbitro durante os treinos até aconselhar o clube a respeito da altura do gramado. Com seus companheiros era igualmente exigente, confiscando comidas gordurosas e dando aos cachorros do dormitório antes de dizer a eles: "Esse cachorro já foi bonitinho um dia, e olha como ele está gordo agora graças a você."

Seu talento e profissionalismo em campo foram uma revelação. Rapidamente ele deixou sua marca na primeira temporada da liga, quando levou o Antlers para o primeiro campeonato profissional da liga japonesa, batendo grandes clubes como o Yokohama Marinos e o Verdy Kawasaki no percurso. Embora tenha atuado pouco mais de um ano na J-League, o seu impacto foi muito grande.

Pelo legado que deixou no Japão, Zico ganhou o apelido de “O Deus do Futebol” e era natural que ele viesse a se tornar o treinador da seleção japonesa após a Copa do Mundo de 2002. Seus resultados foram mistos. A campanha do “Samurai Blue” em 2006 deixou uma nota ácida no seu reinado, mas o brasileiro será sempre lembrado com carinho por liderar o Japão na terceira conquista da Copa da Ásia.

É muito apropriado que o aniversário do Galinho de Quintino coincida com o fim de semana de abertura da J-League, que comemora seus 20 anos. E se alguém passar por sua estátua ainda verá o ‘Espírito de Zico’ como se ainda fosse 1994.

Seleção Brasileira: o título que faltou ao Galinho

Pela Seleção Brasileira, Zico disputou as Copas do Mundo de 1978, 1982 e 1986, mas não conseguiu ser campeão. Essa foi a única coisa que faltou para a sua carreira ser completa. Com a camisa canarinho, o Galinho disputou 88 jogos e marcou 66 gols.

Em 1982, ao lado de Valdir Peres, Sócrates, Toninho Cerezo, Serginho Chulapa e Falcão, o Brasil do técnico Telê Santana era a grande sensação do Mundial da Espanha, mas acabou sendo eliminada pela Itália do carrasco Paulo Rossi.

Na Copa do Mundo de 1986, Zico chegou ao México debilitado por conta das sérias contusões no joelho. O Galinho ficou marcado na competição pelo jogo contra a França nas quartas de final. Naquela ocasião, o craque entrou no segundo tempo e acabou desperdiçando um pênalti quando a partida estava empatada por 1 a 1. O duelo seguiu e o Brasil acabou sendo eliminado na disputa de pênaltis.

Seu jogo de despedida com a amarelinha aconteceu na cidade de Udine, na Itália, contra uma seleção All-Star.

Após deixar os gramados...

Além da seleção japonesa, Zico também treinou o Fenerbahçe (Turquia) onde em sua primeira temporada conquistou o Campeonato Turco, o Bunyodkor (Uzbequistão), CSKA Moscou (Rússia), Olympiakos (Grécia) e, por fim, a seleção do Iraque.

O Galinho de Quintino também já se aventurou na política, quando assumiu a secretaria de Desportos do Governo Fernando Collor, onde criou a Lei Zico, que, assim como a Lei Pelé, propunha a extinção do passe. Após encerrar a carreira no Kashima Antlers, voltou para o Brasil e criou Centro de Futebol Zico (CFZ), que atualmente conta com filial em Brasília.

Na Gávea, Zico assumiu o cargo de diretor executivo de futebol do Flamengo a convite da então presidente Patrícia Amorim. No entanto, sete meses depois anunciou o pedido de demissão por pressões sofridas dentro do clube. Independente dessa conturbada passagem, Arthur Antunes Coimbra nunca deixou de ser o maior ídolo da massa rubro-negra.

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