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Defensor falou com exclusividade ao Goal.com sobre o fato de ter ganho a Ligue 1 por um time modesto, o assalto à sua casa em Marselha e o desejo de encerrar a carreira no Brasil

POR FERNANDO H. AHUVIA

Pouco conhecido do torcedor brasileiro, Vitorino Hilton deixou o Brasil há mais de 10 anos e, após uma passagem pelo futebol suíço, construiu sua carreira no futebol francês. Titular absoluto do Montpellier, o defensor foi um dos responsáveis pelo inédito título nacional do pequeno clube do interior do país na temporada 2011/2012.

Hilton, que já havia conquistado a Ligue 1 pelo Olympique de Marselha, falou com exclusividade ao Goal.com sobre sua carreira, o fato de ter ganho o Campeonato Francês por um time modesto do país, o difícil momento que viveu quando sua casa foi assaltada e o desejo de encerrar a carreira no futebol brasileiro.

Goal.com - Em 2011, você deixou o Olympique para jogar no Montpellier e acabou conquistando o Campeonato Francês logo na primeira temporada. Como foi vencer a competição?

Foi muito bom. Depois de não estar jogando muito na minha última temporada pelo Olympique de Marselha, acabei vindo para o Montpellier e tive a alegria de fazer parte dessa conquista inédita do clube.

Goal.com - O que o Montpellier precisou fazer para conseguir aquela campanha histórica?

Ninguém imaginaria que o Montpellier conseguiria permanecer o campeonato inteiro na parte de cima da tabela, mas o time brigou de igual para igual desde o início da temporada e a regularidade da nossa equipe fez toda a diferença. O time foi crescendo a cada rodada e quando conseguimos passar o PSG tivemos personalidade para seguir na liderança.

Goal.com - Você já havia sido campeão francês na temporada 2009/2010, mas com a camisa do Olympique. Foi muito diferente ter conquistado a competição pelo Montpellier?

Foi diferente. Pelo Olympique de Marselha, tive a felicidade de ganhar um título que a equipe não conseguia há 17 anos, mas não joguei todos os jogos. No Montpellier, a conquista teve um sabor diferente por se tratar de um título inédito para o clube e também por ter conseguido ser titular em todos os jogos.

Goal.com - Que motivos levaram você a se transferir do Olympique para uma equipe menor do futebol francês?

Não vinha recebendo muitas oportunidades do treinador do Olympique (Didier Deschamps) e precisava mostrar em outro clube que ainda tinha condições de jogar. Além disso, também não poderia mais continuar em Marselha por conta do episódio na minha casa, que foi assaltada. Eu e minha família não tínhamos mais condições psicológicas de permanecer na cidade. Foi um momento muito difícil.


"Um sonho que tenho desde criança é jogar no Flamengo, o meu time do coração. Apesar disso, não ficaria decepcionado se isso não acontecesse, porque tenho que pensar primeiramente no lado profissional".

Goal.com - Mesmo saindo de Marselha, você não ficou com medo de seguir na França?

Dois times aqui da França estavam interessados na minha contratação, mas de última hora o Montpellier apareceu com uma boa proposta e resolvi aceitar, pois queria continuar no Sul do país e sabia que aqui era uma cidade mais tranquila do que Marselha, que se tornou violenta nos últimos anos. A gente tem que ter atenção todo dia, mas sei que aqui é mais tranquilo e acabo até conseguindo esquecer esse problema que aconteceu comigo e com a minha família.

Goal.com - Na atual temporada, o Montpellier está embolado no meio da tabela da Ligue 1. Quais os objetivos do clube na reta final desta temporada?

Tirando o PSG e o Lyon, a competição está embolada. O Montpellier espera terminar o Campeonato Francês entre os quatro primeiros. Estamos confiantes em fazer bons jogos como no ano passado, pois contaremos com a volta de alguns jogadores lesionados. Quem sabe voltar de novo a disputar a Champions ou conseguir uma vaga na Liga Europa.

Goal.com - Na Champions League, o Montpellier acabou sendo eliminado na fase de grupos sem conseguir ao menos uma vitória. Vocês ficaram decepcionados com a campanha da equipe na competição?

Foi uma experiência muito grande ter disputado a Champions League com um time pequeno, mas ficamos decepcionados, pois tiveram jogos que o Montpellier não merecia perder. Apesar de tudo, foi uma experiência muito boa para o clube aprender e amadurecer para as futuras participações na competição.

Goal.com - Você se arrepende de ter deixado o futebol brasileiro cedo?

Naquela época eu era muito novo e tinha aquele desejo da grande maioria dos jogadores brasileiros de atuar na Europa. Com a cabeça que tenho hoje e se realmente pudesse voltar no tempo, acho que tomaria uma decisão diferente. Apesar disso, não me arrependo de ter deixado o Brasil cedo, pois conquistei meu espaço e sou conhecido aqui na França.

Goal.com - Você já tem 35 anos. Como está sua situação contratual aí no Montpellier?

Meu contrato termina em junho. A diretoria do Montpellier está avaliando se vai me fazer uma proposta de renovação, mas por enquanto não tem nada certo.

Goal.com - Pretende voltar ao Brasil para encerrar a carreira? Existe um time de preferência?

Eu pretendo, sim. Converso bastante com a minha esposa, pois a gente tem vontade de voltar ao Brasil e eu particularmente tenho o desejo de jogar num grande clube brasileiro para encerrar minha carreira com chave de ouro. Um sonho que tenho desde criança é jogar no Flamengo, o meu time do coração. Apesar disso, não ficaria decepcionado se isso não acontecesse, porque tenho que pensar primeiramente no lado profissional.

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