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Benítez deixou o brasileiro de lado em uma tentativa infrutífera de tornar seu time mais eficiente, mas agora, se quiser salvar o ano, terá de recebê-lo de volta na equipe

COMENTÁRIO
Por Liam Twomey

Estamos em Stamford Bridge. É a noite do dia 19 de setembro, uma quarta-feira. Quando recebe a bola de Ashley Cole na risca da grande área da Juventus, Oscar imediatamente se vê encurralado - Leonardo Bonucci de um lado, Andrea Pirlo do outro. Mesmo com a confiança do gol de estreia que acabara de marcar dois minutos antes, essa parece ser uma situação onde claramente nada vai acontecer.

Errado. Em um momento que denota visão impressionante, noção especial cirurgicamente precisa e técnica impecável em perfeita harmonia, o brasileiro de 21 anos toca a bola para trás de um atordoado Pirlo antes de dar a volta nele e acertar um tiro potente que cai em um arco glorioso diante do grande Gianluigi Buffon antes de morrer no canto superior do gol.

BRILHANTISMO BRASILEIRO

DADOS DA TEMPORADA DE OSCAR
APARIÇÕES
GOLS
ASSISTÊNCIAS
39
9
9
Não apenas um dos gols mais bonitos da temporada, mas aliado ao seu sorriso de garoto à dancinha de comemoração com David Luiz, o momento certamente marcou o nascimento de uma super estrela.

Os cinco meses seguintes, entretanto, não foram tão bonitos ou serenos. Apesar de termos visto flashes do talento sensacional que levou o Chelsea a pagar R$87 milhões ao Internacional, nem mesmo a genialidade de Oscar foi capaz de se manter intacta diante dos desafios de uma nova liga, uma nova cultura futebolística e atmosfera caótica que cerca o seu novo clube.

Até o Manchester United chegar a Stamford Bridge no fim de outubro, os homens de Roberto Di Matteo eram os líderes e os grandes atrações da Premier League. Oscar desempenhava um papel-chave para ambas as denominações, e a velocidade e qualidade de algumas das suas jogadas combinadas com o também novato Eden Hazard e Juan Mata levaram alguns a chamar o Chelsea de um 'Brasil Azul'.

Mas a doída derrota em casa para os Red Devils, aliada a um legado venenoso deixado pelo falho incidente de racismo envolvendo o árbitro Mark Clattenburg, mudou tudo.

ELES AMAM OSCAR
JUAN MATA
"Oscar e Hazard jogam muito bem com a posse de bola. Eles conseguem mantê-la e dar assistências e, para nós, é muito bom jogar assim."
LUCAS
"Ele é um jogador fantástico, um dos melhores, na minha opinião, e estou confiante de que vai ajudar muito o Chelsea."
PETR CECH
"Eles [Hazard e Oscar] tem uma ligação um com o outro. Eden tem ótima técnica e se conecta bem com Oscar, é uma dupla perigosa."
RAFAEL BENITEZ
"Oscar terá muito tempo para jogar e tenho certeza de que será um ótimo jogador para o clube."
Menos de um mês depois, Di Matteo foi demitido e substituído por Rafael Benítez, para a fúria da torcida do Chelsea. Como seu primeiro ato, o espanhol desfez os 'Três Mosqueteiros', tido como um luxo ofensivo para um time que precisava desesperadamente remediar uma defesa cheia de buracos.

Oscar foi o escolhido para deixar o trio, com o objetivo, forte e mais defensivamente disciplinado Victor Moses tornando-se preferência. Artistas não tendem a florescer sob o comando de Benítez, que os considera, em geral, muito espalhafatosos e indisciplinados para ter lugar em equipes desenhados para ter controle no lugar de beleza.

Até aqui, entretanto, Benítez não teve mais sucesso em imprimir sua própria identidade neste time do Chelsea do que André Villas-Boas ou Felipão antes dele. Os Blues continuam a conceder gols desenfreadamente, enquanto deixar Oscar no banco só serviu para colocar ainda mais peso nos ombros do brilhante mas cada vez mais sobrecarregado Juan Mata.

Oscar, por sua vez, aproveita os parcos momentos que lhes são dados para mostrar a Benítez o que ele está pedendo, marcando dentro e fora de casa contra o Brentford para ajudar o Chelsea a avançar na FA Cup, além de um gol fruto de seu puro esforço individual para dar a vantagem diante do Sparta Praga, que, eventualmente, foi o que garantiu o Chelsea nas oitavas-de-final da Liga Europa.

Tendo suportado o 'descanso' enquanto muitos outros no elenco foram explorados ao máximo em campo, Oscar agora parece o homem com o talento e a energia necessários para corbri as falhas de uma equipe imperfeita, conforme a temporada se aproxima de seus cruciais momentos finais. Mais do que isso, a cada semana que passa ele parece estar mais e mais confortável na Inglaterra.

Diante do fracasso em melhorar o Chelsea, a melhor esperança de Benítez em salvar uma campanha indiferente é reverter para o que funcionava em Stamford Bridge até outubro. Em vez disso, ele continua a ignorar Oscar, em detrimento de todos que esperam ver beleza no futebol.

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