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Meia do Shakhtar falou com exclusividade ao Goal.com sobre a expectativa para o jogo contra o Borussia, o desejo de jogar numa potência da Europa e o seu futuro na Seleção

POR FERNANDO H. AHUVIA

Principal jogador do Shakhtar Donetsk, cobiçado por grandes times do futebol europeu e escolhido por Goal.com para o Dream Team (Time dos Sonhos) da fase de grupos da Champions League. Esse é Willian Borges da Silva, ou simplesmente Willian, xodó da torcida do time ucraniano.

Revelado pelo Corinthians, Willian rapidamente se destacou por sua velocidade e habilidade com a bola nos pés. Em agosto de 2007, meses antes de o time alvinegro ser rebaixado para a Série B do Brasileirão, o meia-atacante foi vendido para o Shakhtar por cerca de R$ 38 milhões. Em cinco anos e meio no clube de Donetsk, ele conquistou nada menos do que 11 títulos, entre eles quatro Campeonatos Ucranianos e a antiga Copa da UEFA – atual Liga Europa – na temporada 2008/2009.

Em entrevista exclusiva ao Goal.com, Willian garantiu foco antes do importante jogo de sua equipe contra o Borussia Dortmund, no próximo dia 13, pelas oitavas de final da Champions League. O meia-atacante, no entanto, declarou que a diretoria do time ucraniano já sabe sobre o seu desejo de jogar numa grande equipe de centros como Inglaterra, Itália e Espanha. Além disso, ele também falou sobre o sucesso na temporada, o futuro na Seleção Brasileira e até uma possível volta ao Corinthians no futuro. Confira!

Goal.com - O Shakhtar vem fazendo uma campanha histórica no Campeonato Ucraniano com 51 pontos em 18 jogos, 13 pontos à frente do vice-líder Dnipro. Como você vê esse ótimo desempenho da equipe?

Nosso objetivo é seguir assim. O Shakhtar vem numa sequência boa de vitórias, estamos jogando bem e o entrosamento também ajuda muito nesse sucesso todo que estamos tendo no campeonato.

Goal.com - Em agosto de 2007, você chegou ao Shakhtar. Como foi sua adaptação à cidade de Donetsk?

O primeiro ano é sempre difícil. Eu cheguei aqui novo e demorei um pouco para me adaptar a cultura, clima e o futebol. Aos poucos, ganhei a confiança de todos, consegui crescer profissionalmente e tudo ficou mais fácil. Os cinco anos e meio que estou na Ucrânia foram maravilhosos e de muitas conquistas.

Goal.com - Ao longo desse período que você está no Shakhtar, o nível do futebol ucraniano melhorou?

Melhorou muito. O futebol ucraniano mudou bastante em relação a cinco anos atrás. Hoje, estão contratando mais jogadores, muitos brasileiros estão vindo para o futebol ucraniano e os jogos estão mais duros. Além do Shakhtar e do Dínamo (Kiev), há outros clubes com grupos bons, como o Dnipro e o Metalist. Claro que nesta temporada temos uma bela vantagem para o vice-líder, mas o crescimento do futebol aqui é visível.


"Tive uma conversa com a diretoria do Shakhtar e eles sabem do meu desejo de atuar numa grande equipe da Inglaterra, Itália ou Espanha, mas tenho mais dois anos de contrato aqui e vou continuar jogando da mesma maneira".

Goal.com - Em dezembro, você foi escolhido pelo Goal.com para o “Dream Team” (Time dos Sonhos) da fase de grupos da Champions League. O que isso significa para você?

Fico muito feliz. Sei que venho fazendo um bom trabalho e estar sendo eleito um dos melhores jogadores da Champions League é muito gratificante. Estar na lista ao lado de Messi e Cristiano Ronaldo é algo inexplicável. Fico feliz mesmo com essa minha temporada que venho fazendo aqui.

Goal.com - Na fase de grupos da Champions League, o Shakhtar conseguiu desbancar o atual campeão Chelsea e só ficou atrás da Juventus. Já o Borussia Dortmund conseguiu se classificar em primeiro lugar do seu grupo que tinha Real Madrid, Ajax e Manchester City. Qual a expectativa para o confronto das oitavas de final contra o time alemão? Até onde esse time pode chegar?

A expectativa é grande. A gente sabe que a equipe do Borussia é muito qualificada, tem bons jogadores, está fazendo sucesso e conseguiu se classificar em primeiro lugar num grupo muito forte. Mas também sabemos da nossa qualidade e temos chances de ir longe.

Precisamos analisar bem a equipe deles e chegar com o máximo de concentração, já que sabemos que serão dois jogos muito difíceis. Nosso objetivo é ir passo a passo para, quem sabe, chegar à final da Champions.

Goal.com - Você acha que essa paralisação tão grande do Campeonato Ucraniano por conta do inverno rigoroso no país é boa para que a equipe se prepare para o jogo contra o Borussia ou acaba prejudicando pelo ritmo que o Shakhtar vinha tendo na temporada?

Realmente a equipe vinha num ritmo muito bom, jogando bem e conseguindo uma sequência de vitórias. A gente acaba sentindo um pouco essa paralisação, mas estamos fazendo de tudo para voltar no mesmo ritmo. Disputamos dois torneios nos Emirados Árabes Unidos e agora vamos jogar outro na Espanha para seguir com a preparação para os jogos contra o Borussia Dortmund.

Goal.com - Em diversos momentos você já deixou claro que tem o desejo de jogar por um clube de maior expressão na Europa. No entanto, o Shakhtar já recusou uma série de propostas por você. Como você lida com isso?

Naquele momento fiquei chateado com o que aconteceu, pois grandes clubes como Chelsea e Tottenham estavam interessados no meu futebol. Todo jogador sonha em jogar a Premier League, mas isso é coisa do passado.

Estou tranquilo, sempre procuro desempenhar o meu melhor futebol quando estou em campo e não faço nenhum tipo de pressão, até porque tive uma conversa com a diretoria do Shakhtar e eles sabem do meu desejo de atuar numa grande equipe da Inglaterra, Itália ou Espanha, mas tenho mais dois anos de contrato aqui e vou continuar jogando da mesma maneira.

Goal.com - Ainda faltam alguns dias para fechar a janela de transferências da Europa. Chelsea e Tottenham seguem interessados na sua contratação. Nesse momento, você abriria mão de seguir na luta pelo título da Champions League com o Shakhtar para jogar num desses dois clubes?

São dois clubes de tradição. O Chelsea é um grande clube, campeão da Champions. O Tottenham também é grande e tem o Villas-Boas. Mas, por enquanto, eu fico no Shakhtar. Faltam alguns dias para a janela fechar e não apareceu oferta de nenhum clube.

Claro que a gente fica sempre na expectativa, mas estou tranquilo e focado para ajudar o Shakhtar na sequência da Champions. É como eu falei, tive uma conversa com a diretoria e eles sabem do meu desejo, então não preciso mais ficar falando.

Goal.com - Falando um pouco de Seleção Brasileira, na última terça-feira o Felipão anunciou os convocados para o amistoso contra a Inglaterra e nenhum jogador que atua no futebol ucraniano foi chamado. Querer atuar em outra liga é também uma chance para poder aparecer mais e consequentemente ter mais chances de ser chamado?

Sem dúvida. Acho que isso conta muito, mas se continuar jogando da maneira que venho atuando, tenho certeza de que posso ter uma nova oportunidade na Seleção. Sei que nessa primeira convocação era difícil ser chamado, porque o Felipão está observando os times que estão jogando e os que estão em pré-temporada. Quem sabe numa próxima meu nome possa estar na lista.

Goal.com - Com o Mano Menezes você teve poucas oportunidades na Seleção. Você espera receber mais chances com o Felipão no comando?

Creio que tudo começa do zero quando muda um treinador. Todos os jogadores querem mostrar o seu melhor para conseguir se firmar novamente. Acredito que se manter esse futebol que venho apresentando voltarei a ter minha oportunidade.

Goal.com - Como você vê o momento atual do futebol brasileiro? No futuro, você pretende voltar a vestir a camisa do Corinthians?

Meu objetivo é continuar na Europa, mas nunca descartaria uma volta ao Brasil. O futebol brasileiro está crescendo bastante. Cada time tem pelo menos três jogadores de muita qualidade. O Corinthians é o time que me revelou, tenho muito carinho por ele. Ainda é cedo para falar nisso, mas com certeza pretendo voltar um dia ao clube.

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