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Os Rossoneri anunciaram na quinta-feira que podem levar o brasileiro de volta ao San Siro, mas um passado de glórias não é garantia de um futuro brilhante

COMENTÁRIO
Por Kris Voakes | Especialista em futebol italiano

"Non si vende Kaka!"

A fiel multidão da Curva Sud cantava essas palavras desde antes dos portõe serem abertos às seis da tarde, quase três horas antes da bola rolar, e não parou até muito tempo depois que os jogadores do Milan já haviam desaparecido do gramado pelo túnel do San Siro na vitória de 1 a 0 sobre a Fiorentina. O dia era 17 de janeiro de 2009.

Passemos o tempo para quatro anos depois, e os eventos dos cinco meses de emoções afloradas que se seguiram àquele 17 de janeiro voltam à mente graças ao anúncio feito pelo Milan de que o clube está conversando com o Real Madrid sobre um possível retorno do brasileiro.
PASSADO GLORIOSO | Kaka no Milan
Competição
Serie A
(Campeão em 2004)

Champions League
(Campeão em 2007)

Uefa Cup

Mundial de Clubes
(Campeão em 2007)

Copa Intercontinental

Copa da Itália

Supercopa da Europa
(Campeão em 2007)

Supercopa da Itália
(Campeão em 2004)
Jogos
193


58


4

2


1

10

1


1

Gols
70


23


0

1


0

0

1


0

Houve uma pequena saudação das janelas da Via Turati para a multidão que esperava pela notícia de que Kaká não seria vendido para o Manchester City pelo valor recorde de 120 milhões de euros, e então a eventual saída do meia por quase metade do preço quando o Real Madrid veio batendo na porta no fim da temporada. Desde então, o jogador e o clube que ele deixou para trás tiveram alguns momentos de euforia, um título aqui e outro ali, mas poucos dirão que a transferência foi um sucesso.

Se alguém saiu vencedor na transação de 65 milhões de euros, sem dúvida foram os Rossoneri. Então com 27 anos, Kaká era novo o suficiente que sua saída demandaria um valor mais alto do que qualquer outro antes menos Zinedine Zidane, e com o Milan precisando de renovação no elenco, eles tinham motivos para vender. A emoção o manteve longe de Manchester, mas Madrid era outra coisa totalmente diferente, e assim que a cabeça do jogador foi feita, não havia mais nenhuma decisão a ser tomada. Ele estava indo embora.

Passados três anos e meio, a decisão do Diavolo de desperdi-se do seu amado camisa 22 parece ainda mais acertada. A antiga forma física e técnica pareceram, em vários momentos no Bernabéu, ter abandonado Kaká, e a grande revolução orquestrada por Florentina Perez e José Mourinho aconteceu, em sua maior parte, sem que o ex-melhor do mundo estivesse em campo.

É um cenário muito semelhante ao de Andriy Shevchenko quando o ucraniano deixou o Milan por uma quantia generosa apenas para ser recebido de volta mais tarde provando que o timing da sua despedida anterior havia sido perfeito. Trazer Sheva de volta foi uma atitude romântica e nostálgica, e se aproximar do Real Madrid agora tem os mesmos ares.

"Eu tenho uma linha muito firme em relação ao tópico de voltar com ex-namorado e não consigo evitar pensar que a reunião entre Milan e Kaká cai na mesma situação," diz o milanista Gianfranco Barbato, do site The Offside - AC Milan.

"Em teoria esses tipos de reuniões são tipicamente construídas de boas memórias e da esperança de que o novo tempo juntos será tão bom quanto. Milan e Kaká tem certamente muitas boas lembranças, 2007 foi um ano absurdo para ele e para o clube. Estou certo deque muitos olharão para esses momentos com saudosismo, esperando conseguir o mesmo resultado.

"A realidade é que, desde que Kaká foi embora, ele parece ter se tornado um jogador em declínio que nunca conseguiu encontrar suas pernas na Espanha ou fazer valer a imensa quantia paga por ele e a ele em salários. Por mais que o Milan precise de um veterano, não é no ataque, e o dinheiro seria melhor gasto com a defesa.

"Kaká não é a resposta. Obrigado pelas lembranças, mas vamos deixar as coisas assim."

E aí mora o ponto chave. O dinheiro anda escasso na Via Turati e há algumas dores-de-cabeça em todos os setores do campo. Um clube que tem sido elogiado nos últimos tempos por focar sua atenção no talento jovem está ameaçando escorregar de volta nos velhos hábitos de procurar respostas caras e temporárias para os seus problemas. Kaká disse que aceitaria um corte no salário para voltar, mas ainda assim estaria ganhando bem mais do que muitos jogadores. Acrescente-se a isso o fato de que o Real Madrid ainda espera receber alguma coisa para mandá-lo embora, seja temporária ou permanentemente. É nisso mesmo que os fundos limitados do Milan serão melhor gastos?

Hoje aos 30 anos, Kaká não é mais o mesmo Kaká de quando a torcida rossonera implorou ao clube para que não o deixasse sair. Se o Milan ficar mesmo fora do G3 na temporada, como parece que irá acontecer, então poderão dar um até logo à Champions League até pelo menos setembro de 2014, quando Kaká já estará com 32 anos. Ele tem uma tarefa imensa pela frente para provar que vale o dinheiro, o frenezi e a mudança na filosofia recente do clube.

Kaká é uma lembrança do passado glorioso, mas a maior parte da torcida do Milan não compra as palavras de Silvio Berlusconi e Adriano Galliani de o seu retorno é sinal de um upgrade.

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