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Depois da declaração de Evra de que, para o United, 'tudo é possível', a Goal.com debate a ideia de que o time de Sir Alex pode faturar a tríplice coroa na temporada

DEBATE

Depois de passar pelo Liverpool em Old Trafford com relativa tranquilidade no último fim de semana, muitos acreditam que o time de Sir Alex Ferguson já está na fase de ninguém-alcança no Campeonato Inglês.

O autor do gol da vitória no clássico, Patrice Evra, declarou, após a vitória de 2 a 1 sobre os rivais de Merseyside, que, para o United, "tudo é possível".

Não satisfeitos em ficar somente com a taça da Premier League, o lateral francês afirmou que a classe de 2012-13 de Sir Alex tem capacidade para chegar à sua segunda tríplice coroa neste ano. Com os gols saindo à torto e à direito, o United tem, de fato, um certo ar de imprivisibilidade na temporada. A vitória sobre o West Ham no meio de semana para avançar na Copa da Inglaterra parece só ter dado mais veracidade ao discurso de Evra. Mas isso não impede a Goal.com de debater a respeito.

Então, o Goal.com analisa os dois lados do argumento.

MAN UTD PODE GANHAR TUDO

Por David Lynch

Não se engane: esta equipe do Manchester United tem muitas fraquezas.

O time de Sir Alex concedeu 29 gols em 22 partidas nesta temporada, e estão à caminho de ter a sua pior média de gols levados por jogo desde o início da Premier League. Há também muitos questionamentos a respeito do meio-campo dos Red Devils, com Michael Carrick muitas vezes brigando sozinho contra o ataque adversário na meia cancha.

E, apesar de tudo isso, o United se encontra atualmente a sete pontos do segundo colocado, na liderança da liga depois de cruzar com facilidade para a fase de oitavas-de-final da Liga dos Campeões.

Se qualquer setor da equipe for particularmente mal em algum dia, o ataque consegue livrar a cara de todos eles com uma chuva de gols
Ainda que tal fato seja visto como uma crítica, a verdade é que este time estar em situação tão boa tendo feito apenas o extremamente necessário para tal é a maior prova da sua força. Em termos básicos, se qualquer setor da equipe for particularmente mal em algum dia, o ataque consegue livrar a cara de todos eles com uma chuva de gols.

Por este motivo, a opinião de Patrice Evra de que o time de Old Trafford pode repetir a tríplice coroa de 1999-00 merece será consideração.

O elenco de Sir Alex naquela famosa campanha era muito mais do que perfeito, como acabam sendo definidos os times que alcançam grandes feitos na história. Mas, na forma de Teddy Sheringham, Ole Gunnar Solskjaer, Swight Yorke e Andy Cole, o escocês tinha potência suficiente para mascarar quaisquer defeitos com o que há de mais importante no futebol: gols.

Robin van Persie, Wayne Rooney, Danny Welbeck e Chicharito são o equivalente moderno para aquele quadrado ofensivo, e eles são tão mortais de frente para a meta quanto seus antecessores. Se seus companheiros de equipe atrás puderem continuar a oferecer o apoio que eles precisam, então o desejo do francês de copiar as lendas de 1999-00 pode muito bem se tornar realidade.

É claro que, para testar a vitória em três competições distintas, você precisa de uma boa dose de sorte, particularmente porque dois destes torneios são no formato de mata-mata. Mas com o número de gols marcados nos últimos minutos das partidas nesta temporada, a classe de 2012-13 mostrou que tem grande capacidade também de criar a própria sorte quando ela se faz mais necessária.

Dado que da última vez em que o feito foi alcançado foram necessários dois gols nos minutos finais, o United pode realmente vislumbrar suas chances aqui.

MAN UTD NÃO TEM A MENOR CHANCE DE LEVAR TUDO

Por Jay Jaffa

Como meu estimado colega já mencionou, o Manchester United está em curso para alcançar seu pior desempenho defensivo na história da Premier League e em um esporte que insiste que defesas ganham campeonatos, isto normalmente causaria muito pouca preocupação em Sir Alex Ferguson.

Felizmente, em um tempo que a liga caminha para quebrar o recorde de gols marcados, as falhas defensivas do United não parecem tão graves a ponto de custar o 20º título ao clube. Muitos descrevem sua vantagem de sete pontos sobre o Manchester City como 'insuperável', o que, ainda que prematuro, parece mesmo correto. Os rivais do outro lado da cidade tem tido muitos problemas para encontrar a confiança e o ritmo que renderam, na última temporada, uma das mais impressionantes disputas até o último segundo pela taça, e, descartando a possibilidade de um novo colapso, pelo segundo ano consecutivo, Ferguson deve colocar as mãos no seu 13º troféu.

A dependência crescente de Van Persie pode voltar para assombrá-los conforme as campanhas forem chegando nas suas fases mais decisivas
Daí a falar sobre uma tríplice coroa já parece exagero... porque é exatamente isso que é. Há uma razão pela qual somente um time na história do futebol inglês conseguiu alcançar os três maiores títulos que uma equipe da Premier League pode alcançar em uma temporada: sorte. Por melhor que fosse o grupo de 1999-00, eles apenas conseguiram o feito sem precedentes depois de uma virada miraculosa na final da Liga dos Campeões. A sorte tende a ter um papel muito maior nas copas - basta perguntar a Roberto Di Matteo.

Enquanto o United segue na sua caminhada pela FA Cup e pela Liga dos Campeões, Ferguson certamente dará uma dura nos seus jogadores, alertando-os sobre a importância de se manter uma defesa consistente. Em contraste com o Inglês, onde um tropeço é contornável, erros na Europa podem custar muito caro - especialmente contra o Real Madrid de José Mourinho, um time que tem gols para dar e vender.

O United já concedeu 14 gols dentro de Old Trafford, com as pernas envelhecidas de Rio de Ferdinand, Nemanja Vidic e Patrice Evra tem de se virar para conter os avanços de inúmeros adversários que conseguem ultrapassar um meio-campo cheio de buracos. Na Europa, gols fora de casa fazem a diferença. E o United já concedeu mais gols em casa do que 10 de seus rivais da Premier League - razão suficiente para temer sobre as chances do time na Champions League.

Há, é claro, o fator Robin van Persie. O holandês saiu ao resgate na FA Cup, na primeira partida contra o West Ham, e garantiu o replay que, ao final, levou o United para a próxima fase, marcando um gol de primeira linha já na bacia das almas. Roberto Mancini constantemente se lamenta por não ter conseguido persuadir Van Persie a se juntar ao lado azul da cidade, citando isto como a diferença entre as brigas pelo título do ano passado e deste. Apesar de parecer que Mancini estará certo no fim das contas, é de se perguntar até quando Van Persie conseguirá salvar a pele de seus companheiros nas copas.

O United não é um time de um homem só, mas a dependência crescente de Van Persie pode voltar para assombrá-los conforme as campanhas forem chegando nas suas fases mais decisivas.

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