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Retomamos um pouco da história do adversário tricolor na memorável final de 83, convidado para a inauguração da Arena

Por Matheus Harb

Neste sábado, Grêmio e Hamburgo revivem a decisão do Mundial Interclubes de 1983, ocasião que deu o primeiro título de expressão global ao Tricolor gaúcho. O reencontro não poderia ter data melhor: a inauguração da Arena, o mais moderno estádio multiuso da América Latina, que será a nova casa do clube na Zona Norte de Porto Alegre após 58 anos de conquistas no eterno Olímpico Monumental.

Para marcar este grande evento, que terá cobertura em tempo real do Goal.com Brasil a partir das 22h, convidamos nossos colegas da Alemanha para saber um pouco mais do HSV, um dos clubes mais tradicionais da Bundesliga alemã.

TRADIÇÃO

Com 125 anos de história completados em setembro, o Hamburger Sport-Verein se destaca por ser um dos poucos clubes das divisões de elite do futebol europeu que sempre estiveram entre os maiores. Disputou a 1.Bundesliga desde sua criação, em 1963, nunca tendo que disputar a segunda divisão nacional.

Por esse recorde, são conhecidos como os 'Dinossauros' do futebol germânico. Levando em conta o que fez durante os anos 70 e 80, está mais para Tiranossauro Rex: foram três títulos nacionais (1978-79, 1981-82 e 1982-83) e cinco vices em um período de doze anos, sem contar o par de troféus da Copa da Alemanha, erguidos em 1976 e 1987. Fruto da aposta em grandes treinadores.


"A época de ouro do HSV está em um passado distante. Acredito que Günter Netzer (à esquerda) tenha sido o dirigente mais bem-sucedido da história do clube. Ele entrou em 1975 e trouxe Branko Zebec (centro), que venceu a primeira Bundesliga para o Hamburgo. Em 1981, Ernst Happel (à direita) assumiu e levou a equipe a sua maior glória, a Copa dos Campeões Europeus" - Daniel Jovanov, Goal.com Alemanha

O crescimento no cenário alemão levou o Hamburgo ao patamar europeu, primeiro com a vitória na Taça das Taças da UEFA (competição entre os vencedores das copas nacionais), em 1977. Três anos antes do primeiro vice-campeonato e seis antes da maior conquista em sua história, a Liga dos Campeões, em 1983. Depois de tirar Liverpool, Olympiakos e Dínamo de Kiev do caminho, o HSV enfrentaria a poderosa Juventus de Zoff, Paolo Rossi e Michel Platini. No dia 25 de maio, um gol do meia Felix Magath no início da partida foi o suficiente para levar a taça à Alemanha pela segunda vez na história do torneio.

Em dezembro daquele mesmo ano, o Hamburgo ganhou o direito de enfrentar o Grêmio pelo Mundial Interclubes, até chegando a levar o jogo para a prorrogação. O segundo gol de Renato Gaúcho acabou desempatando a partida, e garantindo a taça ao clube gaúcho.

A eterna discussão sobre a real valorização que os europeus dão às decisões mundiais rende debates até hoje.


"É claro que vamos querer mostrar serviço, e vamos querer a revanche. Estaremos enfrentando um dos três melhores clubes do Brasil no momento" - Frank Arnesen, diretor de futebol, quando o amistoso foi anunciado

"Eu não diria que os times alemães (Bayern de Munique e Borussia Dortmund já conquistaram o título) não se esforçam pela conquista do Mundial de Clubes. Acredito que o HSV se arrependa até hoje de não ter ganho este campeonato" - Daniel Jovanov, Goal.com Alemanha


O ONTEM E O HOJE
PASSADO DE GLÓRIAS ADVERSÁRIOS DE HOJE
Uli Stein René Adler
Aos 29 anos, Stein coroou uma carreira brilhante no Hamburgo com o título da Copa dos Campeões Europeus. Representou a Alemanha Ocidental entre 83 e 86. Adler chegou ao Hamburgo este ano, após seis temporadas defendendo o Bayer Leverkusen. Anos que serviram para consolidá-lo como um dos melhores sob as traves na Bundesliga.
Felix Magath Rafael van der Vaart
Considerado um dos maiores jogadores alemães de todos os tempos, o ex-meia é o grande herói da história do HSV, por anotar o gol do único triunfo europeu do clube. Nome indispensável na seleção da Holanda, o meia não estará em Porto Alegre devido a uma lesão. Está em sua segunda passagem pelo HSV, e é um dos expoentes da equipe.
Thomas von Heesen  Heung-Min Son
Segundo jogador com mais jogos pelo Hamburgo, Von Hessen permaneceu por quatorze anos na equipe. Chegou ao clube com 16 anos, e já vem sendo apontado como a grande esperança do futebol coreano para o futuro. É tido como o 'Thomas Muller coreano'.
Manfred Kaltz Heiko Westermann
18 anos vestindo a mesma camisa branca. O ex-lateral é o símbolo da era de ouro do Hamburgo. Talento para servir os atacantes na área. Com 24 partidas pela seleção alemã, Westermann foi um dos grandes investimentos recentes do Hamburgo, que logo tratou de alçar-lhe à condição de capitão.
Bernd Wehmeyer Marcell Jansen
Defensor veloz, esteve presente nas principais conquistas da equipe. Sua aposentadoria marcou a derrocada do Hamburgo em seus domínios. Lateral-esquerdo, ex-Bayern de Munique, teve uma sequência de boas temporadas, que acabaram levando-no a duas Copas do Mundo e uma Euro. Não é convocado por Joachim Low há algum tempo.

DERROCADA E ATUALIDADE

Mesmo mantendo um certo nível de competitividade ao longo dos anos 80, o Hamburgo acabou não conseguindo acompanhar as transformações do futebol profissional, que exigiam gestões dedicadas ao mesmo ideal. No início dos anos 90, o clube alemão já havia experimentado uma sequência de gestões infrutíferas e trabalhos de técnicos pouco respaldados pelas direções.

Após a conquista de sua última Copa da Alemanha, em 1987, o 'Dinossauro' amargou um longo jejum de títulos, só encerrado com a conquista da Copa da Liga, em 2003.

"Essa derrocada é consequência de uma política de 'contrate-e-demita' entre o fim dos anos 80 e início dos anos 90, com jogadores e treinadores mudando o tempo todo (foram sete presidentes e oito treinadores entre 87 e 99), o que acarretou em problemas financeiros e dívidas como saldo final" - John Brandi, Goal.com Alemanha

Em 2000-01, o Hamburgo voltou a figurar na maior competição continental, assim como em 2006-07. Mas acabou não conseguindo enfrentar a força de equipes muito mais fortes e preparadas para um torneio como a Champions League. Mesmo assim, o clube voltou a ter um relativo sucesso na Bundesliga, a partir da passagem de nomes como Rafael van der Vaart, Zé Roberto (hoje no próprio Grêmio), Piotr Trochowski, Jerome Boateng e Ruud van Nistelrooy pelo elenco do Rothosen.

Na temporada 2010-11, o HSV viu sua condição de equipe nunca rebaixada seriamente ameaçada por uma campanha desastrosa durante o ano, corrigida apenas nas últimas rodadas. Por cinco pontos, o Hamburgo deixou de encerrar a Bundesliga na 16ª colocação, o que o forçaria a disputar uma repescagem com uma equipe da segunda divisão para decidir sua vida na temporada seguinte.

Ao que tudo indica, o técnico Thorsten Fink conseguiu acertar a mão durante a intertemporada: em quinze jogos, com o campeonato perto de fechar um turno de disputa, o HSV se encontra na sexta colocação com 24 pontos, três a menos que o Borussia Dortmund, terceiro colocado no Alemão. Na Copa da Alemanha, porém, um vexame: o time deu adeus à disputa na primeira fase, ao ser derrotado pelo modesto Karlsruhe, do terceiro escalão.

O Hamburgo chega a Porto Alegre poucas horas depois de bater o Hoffenheim em casa por 2 a 0. Vai sobrar gás para buscar a sonhada revanche, na casa de seu adversário?

"Os dinossauros da Bundesliga ainda são vistos como um dos grandes nomes na Alemanha, mesmo que não sejam considerados uma força neste momento. Mas eles ainda se encontram na terceira colocação na tabela dos vencedores da Bundesliga, atrás apenas do Bayern e do Werder Bremen. Tenho certeza que as pessoas ainda não se esqueceram da era Felix Magath" - John Brandi, Goal.com Alemanha


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