thumbnail Olá,

Um artilheiro estupendo, um treinador vencedor, um paredão no gol e sorte, muita sorte. O time do ano. De uma competência ofídica o tetra do Fluminense.

POR THALES MACHADO - @thalesche

Presidente Prudente viu. Entre os três gols sobre o Palmeiras que deram o título ao Fluminense, o segundo se destaca neste primeiro parágrafo. Fred, que faz mais gol do que qualquer um, recebe a bola na área, tenta um passe, algo diferente do que costuma fazer e, sem querer, sempre querendo, faz o gol. A bola bate em Maurício Ramos e encobre, em deleitável curva, o goleiro Bruno. O Tricolor Nelson Rodrigues, hoje em uma moribunda felicidade, dizia que “sem sorte, não se chupa nem um Chicabon”. Sem sorte, ninguém ganha um título, quanto mais o Brasileirão. A sorte foi tão fundamental quanto Cavalieri, Jean e o supracitado Fred na campanha. Mas ela, apesar de ser a mais exaltada pelos (hoje invejosos) adversários, não foi a principal responsável pelo Tetra. Um artilheiro estupendo, um treinador vencedor, um paredão no gol. O time do ano. De uma competência ofídica.
   
Explica-se a adjetivação da competência Tricolor. Como uma serpente, que dá a impressão de estar desatenta, sem muito a ganhar ou a parder em campo, ataca, mortalmente, de repente. Em vários jogos, inclusive contra o Palmeiras, o time parecia não querer estar ali. “Esse time é o líder do Brasileirão?”, bradava o torcedor adversário, confiante que bateriam o Flu dali a pouco. Eram surpreendidos pelo bote.
 
No jogo do título, a serpente tricolor deu o bote e logo depois se satisfez no título que já era mais do que próximo. Tomou dois gols e recuou para o novo ataque. Fred, as presas desta serpente inefável, mostrou quem manda na cadeia alimentar do Brasileirão, que tem um novo predador principal.

    Percebam, o Fluminense estoura a champanhe no dia 11 de Novembro. O ano ainda está longe do fim. Os shoppings ainda não exibem decorações de Natal, nenhuma criança ainda pensou no que pedir ao Papai Noel e nem mesmo a Fórmula 1 sabe, entre Alonso e Vettel, quem vai ser o campeão. E o Flu já está a comemorar, campeão com três rodadas de antecedência na matemática, mas já vitorioso há muito tempo na filosofia. Na história, fica um time que teve o melhor ataque, a melhor defesa, a melhor campanha, o maior marcador e o melhor goleiro.

Definitivamente, o time do ano. Foram 35 jogos e apenas três derrotas. Se toda pessoa tivesse só três tristezas a cada 35 momentos que vivessem, terapeutas e psicólogos declarariam falência. O Fluminense de 2012 é a tradução da felicidade para o seu torcedor.
   
Foram dois títulos no ano (com a mesma competência, o time levou o Carioca no início do ano), e o segundo Brasileirão em três anos. O Palmeiras e o Inter dos anos 1970, o Flamengo de Zico, o Palmeiras do início e o Corinthians do final dos anos 90, o Santos de Robinho e o São Paulo dos pontos corridos. Todos times históricos do Brasileirão. Ao seleto grupo, se junta agora o Fluminense dos últimos anos. Todos times que conseguiram dois campeonatos Brasileiros em um triênio, marcando a linha do tempo do Brasileirão. Aos que reclamam dos erros de arbitragem, o lamento. Sem sorte, nem um picolé. O Fluminense de 2012 é História. Uma baita história. De sorte. E competência, muita competência.

Relacionados