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Prestes a completar 10 jogos, Dorival Júnior passa a impressão que melhorou o time mas caiu duas posições na tabela e tem aproveitamento pior que o de seu antecessor Joel Santana.

POR THALES MACHADO - Direto do Rio de Janeiro

O futebol é cheio, lotado, das tais verdades absolutas e inefáveis. Dizer que tal jogador é bom, que o outro só joga em time grande e que aquele time nunca ganha. O Flamengo, por exemplo, convive com a alcunha de ser um “time de chegada”. Seja lá o que isso signifique, fato é que a chegada de Dorival Júnior criou a verdade absoluta de que o time vive momentos melhores. De fato, esta é a impressão que passa mesmo que pareça estranho dizer isto dois dias depois do time ter sofrido uma goleada por 4 a 1 diante do Internacional.

A goleada, e, principalmente, a posição na tabela, no entanto, quebram o paradigma das melhoras com a troca de treinador. Joel deixou o Fla na 10ª posição e hoje, após nove jogos de Dorival, o time é 12º. Hora de analisar o que é verdade e o que é só meia verdade na nova fase do Flamengo.

Números duvidosos

As verdades absolutas do futebol tentam, pelos detentores das mesmas, serem justificadas de diversas formas, mas não há argumento mais usado, de forma quase sacerdotal, do que os números. A objetividade é tanta que se esquece até mesmo do objetivo. Gols feitos, posse de bola, jogos sem perder. Qualquer número perde para o que realmente importa no Brasileirão: a posição na tabela. E, neste quesito, a verdade, absoluta ou não, é que Dorival está devendo. O treinador assumiu o time na 12ª rodada do campeonato, na 10ª posição, meio absoluto da tabela. Hoje, nove rodadas depois, o Fla caiu duas posições.

Dorival: quando assumiu e atualmente

  J V E D GP GC S Pts
10º 11ª rodada 11 4 3 3 15 17 -2 15
12º 21ª rodada 20 7 6 7 23 27 -4 27


Com Dorival, o Fla chegou à 13ª colocação na 14ª rodada, a pior do time até aqui no campeonato. Não passou do 9º lugar, algo que Joel conseguiu no comecinho do campeonato. Além das dificuldades iniciais de um trabalho em time como o Flamengo, Dorival enfrenta um adversário nos seus números iniciais: o jogo a menos diante do líder Atlético-MG.

Um jogo a menos como álibi

No dia 26 de Setembro, o Flamengo enfrentará o líder Atlético-MG em jogo válido pela 14ª rodada do Brasileirão, atrasado pela CBF devido à falta de condições de se jogar no Engenhão. Até lá, o Brasileirão já estará na 26ª rodada e Dorival terá visto o seu time bater de frente com Ponte Preta, Coritiba, Santos, Grêmio e Atlético-GO. O jogo a menos, no entanto, ainda é “álibi” de Dorival para mostrar que, mesmo com o time abaixo na tabela, a equipe ganhou com a sua chegada.
 
Se tivesse jogado e vencido o Atlético-MG, o Flamengo estaria hoje na 9ª posição, uma acima da que Dorival assumiu. Um empate contra o líder em casa levaria o time à 10ª colocação, mesma que Joel deixou o Flamengo após uma derrota para o Cruzeiro em Belo Horizonte.

Ataque pior, defesa melhor: Joel tinha mais aproveitamento

Já se vão 10 rodadas desde que Dorival assumiu o Fla. E nas últimas dez rodadas, sempre com o porém do jogo a menos, o Flamengo é 15º colocado, na frente apenas da Ponte Preta, próximo adversário, e dos quatro times que figuram atualmente na zona de rebaixamento.

Até agora Dorival dirigiu o time nove vezes, alcançando três vitórias, três empates e três derrotas, em um aproveitamento de 44,4%. Joel Santana dirigiu o time por onze rodadas, alcançando quatro vitórias, três empates e quatro derrotas, em um aproveitamento um pouquinho superior: 45,4%.

Daqui a dois jogos, Dorival iguala o mesmo número de jogos que Joel. Precisa pontuar contra a Ponte, em casa e contra o Coritiba, fora, para superar a primeira metade do campeonato, quando o time foi dirigido pelo “Papai”, atualmente desempregado.  Na “era” Joel, durante o primeiro turno, o time empatou fora de casa com a Ponte Preta e venceu pela primeira vez no Brasileirão diante do Coritiba, no Engenhão, por 2 a 1.

Uma coisa é inegável: Dorival melhorou a defesa do Fla. Se o efeito pode se ver em campo, também pode ser ver nos números. Com Joel, no Brasileiro, a média de gols sofridos era de 1,54 por jogo. Com Dorival, antes da goleada de Domingo, a defesa rubro negra só sofreu uma média de 0,75, menos da metade. Mesmo com os quatro gols sofridos no Sul, a média subiu para 1,11, abaixo da época de Joel.

No ataque porém, mesmo com a chegada de Liédson, Dorival ainda não achou o ponto certo. A média de gols do time baixou de 1,36 com o antigo treinador, para 0,88 com o atual. São apenas 8 gols marcados em nove jogos. Muito pouco.

Joel x Dorival
no Brasileirão 2012 pelo Flamengo

10º POSIÇÃO NA TABELA (todo)
12º
45,4% APROVEITAMENTO
44,4%
1,36 por partida MÉDIA DE GOLS PRÓPRIOS
0,88 por partida
1,54 por partida MÉDIA DE GOLS SOFRIDOS
1,11 por partida
5 jogos (1ª à 5ª rodada) SEQUÊNCIA SEM PERDER
3 jogos (18ª à 20ª rodada)
2 jogos (9ª e 10ª rodada) SEQUÊNCIA SEM VENCER
3 jogos (19ª à 21ª rodada)
10º (da 1ª à 11ª rodada) POSIÇÃO NA TABELA (por treinador)
15º (da 12ª à 21ª rodada)

Não é exagero, portanto, dizer que Dorival ainda passa longe do sucesso no Flamengo. Uma demissão de treinador no meio da competição, certa ou errada, acontece para trazer melhorias, e são poucas as que são comprovadas até agora. O ambiente melhorou, o time parece ter mais volume de jogo mas, ainda mais quando se fala de técnicos, futebol acaba sendo resultado. Flamengo e Dorival precisam, mais do que nunca, deles.

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