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Meia da Lazio falou com exclusividade ao Goal.com sobre o sucesso no futebol italiano e o sonho de disputar a Copa do Mundo de 2014 no Brasil

POR FERNANDO H. AHUVIA

Dono de uma visão de jogo invejável, que aliada ao bom passe e às chegadas fortes na área adversária, lhe renderam status de ídolo do São Paulo e da Lazio. Esse é Anderson Hernanes de Carvalho Viana Lima, ou simplesmente Hernanes.

Natural de Recife, o jogador ganhou sua primeira chance como profissional no São Paulo em 2005. Sem espaço na equipe, foi emprestado no ano seguinte para disputar a Série B pelo Santo André. De volta ao clube do Morumbi, Hernanes conseguiu se firmar e foi um dos principais nomes da campanha dos títulos brasileiros de 2007 e 2008. Em agosto de 2010, o ex-volante se transferiu para a Lazio, da Itália. Sem problema de adaptação, o Profeta rapidamente caiu nas graças da torcida Aquilotti.

Em entrevista exclusiva ao Goal.com, Hernanes relembrou sua passagem pelo São Paulo, falou sobre o sucesso na Lazio, revelou seus planos para o futuro e o sonho de disputar a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Confira!

Goal.com - No início da sua carreira profissional, você teve algumas dificuldades e foi emprestado pelo São Paulo ao Santo André. Como foi esse momento? No que isso te ajudou?

A princípio tive algumas dificuldades. Joguei de lateral-esquerdo, direito. Em 2006, o Muricy Ramalho chegou, eu não tive espaço e acabei sendo emprestado para disputar a Série B pelo Santo André. No início fiquei triste por não ser aproveitado, mas sem dúvida foi um ano que eu cresci muito profissionalmente. Acredito que essa minha vontade e dedicação de ter um objetivo e não desistir nunca me ajudaram a enfrentar esse momento difícil. Isso foi fundamental para que eu voltasse a jogar no São Paulo.

Goal.com - Na sua volta ao São Paulo, você conseguiu se firmar e foi um dos principais jogadores na campanha dos títulos brasileiros de 2007 e 2008. O que isso representa para você?

Representa muita coisa. Sempre olhava para os quadros dos times campeões que tem no CT e eu não queria que minha passagem no São Paulo terminasse sem uma foto minha pendurada lá. Foi uma trajetória de muitos obstáculos, mas de muita vontade e superação. Tive o objetivo de saber o que queria e não desisti até que meu sonho se concretizasse. Consegui deixar minha marca dentro do São Paulo. É uma contribuição para a história do clube que cuidou de mim por tanto tempo.

Goal.com - Em agosto de 2010, você se transferiu para a Lazio. Como foi a adaptação à cidade de Roma?

Não tive nenhum problema de adaptação. Por incrível que pareça, o que me ajudou aqui foi o clima. Eu sempre ficava esperando o frio da Europa e quando cheguei me deparei com um calor maior do que o de Recife, que eu estava acostumado. Isso me fez sentir um pouco em casa. O frio também não é tão grande assim. Eu e minha família fomos bem recebidos, estamos muito felizes.


"Eu e minha família estamos muito bem aqui na Lazio. Desde que cheguei aqui tenho dois objetivos: melhorar meu rendimento a cada ano e estar com a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2014".

Goal.com - Qual a diferença entre o futebol brasileiro e o futebol italiano?

A diferença é que aqui a marcação é mais dura. Os jogadores te puxam, empurram. Quando você fica com a bola, os marcadores não te dão muita liberdade de pensar. As equipes procuram se defender bem para depois atacar. Já no Brasil o trabalho tático visa mais o ataque.

Goal.com - Que avaliação você pode fazer dessas duas temporadas na Lazio?

Cheguei a um país diferente, um time diferente, tive que jogar em uma posição diferente da que estava acostumado, mas acabei conseguindo me sair bem. Logo no primeiro ano consegui me destacar. Na última temporada, se não fosse minha lesão, seria melhor. Vejo que tive um saldo positivo, mas que ainda posso melhorar e render mais.

Goal.com - Nas duas temporadas, vocês brigaram na parte de cima da tabela, mas bateram na trave por uma vaga na Copa dos Campeões. Neste ano, até onde a Lazio pode chegar?

É difícil apontar apenas um motivo. Por exemplo, na última temporada tivemos muitos problemas com lesões. Neste ano, será ainda mais difícil. A Internazionale de Milão, que no ano passado não foi bem, se reforçou e irá brigar na parte de cima da tabela. É difícil dizer até onde podemos chegar, mas nosso objetivo é não deixar o nosso rendimento cair.

Goal.com - Como você se sente com o Petkovic (treinador da Lazio)? Onde é que ele vai fazer você jogar?

Tem sido bom. Ele tem me testado em várias posições. Quando começar a competição que realmente vou poder ver qual a ideia dele.

Goal.com - Você acha que daria para jogar com você, Ederson, Zárate e Klose juntos ou o time ficaria muito ofensivo?

Essa é uma pergunta complicada (risos). O grupo de jogadores é bem qualificado. Meu objetivo é trabalhar bem para sempre estar em campo. Com relação à escalação, deixo para o Petkovic decidir.

Goal.com - O que você poderia falar sobre o Klose? Como é jogar com ele?

É um grande jogador, um goleador e um excelente companheiro. Fico feliz de poder estar jogando com um cara que é inteligente, tem muita força, faz gols e ainda volta para ajudar na marcação.

Goal.com - Na atual janela de transferências você recebeu sondagens de outros clubes do futebol europeu. Como você planeja seu futuro?

Eu e minha família estamos muito bem aqui na Lazio. Desde que cheguei aqui tenho dois objetivos: melhorar meu rendimento a cada ano e estar com a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2014.

Goal.com - Num eventual retorno ao futebol brasileiro, você daria preferência ao São Paulo nas negociações?

Nem cogito isso agora. Voltar para o Brasil é uma coisa para o futuro, mas sem dúvidas o São Paulo é o clube que está no meu coração e que pensaria em primeiro lugar.

Goal.com - Falando um pouco de Seleção Brasileira, o trabalho do Mano Menezes vem sendo muito questionado. Como você avalia a atuação do Brasil nas Olimpíadas?

Achava que dessa vez a medalha de ouro não escaparia das nossas mãos. Foi uma surpresa triste. Estava muito confiante na vitória do Brasil sobre o México na final. O futebol é muito engraçado, pois se fosse campeão todos falariam que o trabalho do Mano foi excelente, mas como aconteceu de não conseguir o ouro já está tudo errado. É preciso analisar as coisas mais profundamente e não apenas o resultado.

Goal.com - Recentemente o Mano disse que você briga por uma vaga na armação. Como será essa disputa por uma vaga na equipe que disputará a Copa do Mundo de 2014?

O Brasil é o único país pentacampeão do mundo. Independentemente da posição, não é fácil jogar na Seleção Brasileira. No meio-campo a disputa é muito acirrada, pois tem muitos jogadores de qualidade, mas tudo depende do tempo e do acaso. É preciso trabalhar, acreditar e esperar o tempo. Meu sonho é fazer parte do grupo que estará no Brasil em 2014.

Goal.com - Na próxima quinta-feira (23), o Mano fará convocação para os amistosos contra a África do Sul e a China. Qual a sua expectativa?

A expectativa é grande, pois antes das Olimpíadas estava sendo convocado, meu nome também estava na pré-lista dos jogos olímpicos. Portanto, tenho boas expectativas.

 

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