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Antes de ser demolido, palco da final da Copa do Mundo de 1958 recebe última partida entre seleções

POR FERNANDO H. AHUVIA

Na próxima quarta-feira, a Seleção Brasileira, ainda ressentida com a perda do inédito ouro olímpico para o México, entrará em campo para amistoso histórico contra a Suécia. O confronto marcará a última partida entre seleções no Estádio Rasunda, onde o Brasil conquistou seu primeiro Mundial. No próximo ano, o palco da final da Copa do Mundo de 1958 será demolido para dar lugar a um conjunto de prédios, lojas e escritórios.

Estádio Rasunda traz boas lembranças

Inaugurado no dia 18 de abril de 1937, em uma partida entre o AIK e o Malmö, o Estádio Rasunda, localizado no município de Solna, na Grande Estocolmo, trás boas lembranças para o torcedor brasileiro. Foi lá, que a Seleção eliminou a França na semifinal e dias depois conquistou a Copa do Mundo de 1958, justamente em cima da Suécia.

24 de junho de 1958 – Brasil 5 x 2 França

O jogo tinha todos os ingredientes de um grande clássico antes mesmo de começar. Vavá abriu o placar para o Brasil. Logo em seguida, Just Fontaine, que havia marcado em todos os duelos até então, empatou. Pouco antes do intervalo, Didi recolocou a Seleção Brasileira na frente.

Na segunda etapa, o jovem Pelé ofuscou o brilho de Fontaine ao marcar três gols em apenas 20 minutos. Roger Piantoni ainda diminuiu a diferença, mas já era tarde demais para a França.

 FICHA TÉCNICA: Brasil 5 x 2 França

Estádio: Rasunda, em Estocolmo (SUE)
Data/horário: 24/06/1958, às 14h (de Brasília)
Árbitro: Benjamin Griffiths-GAL
Assistentes: Raymon Wyssling-SUI e Reginald Leafe-ING
Público: 27.000 presentes.

GOLS: Vavá, aos 2'/1ºT; Fontaine, aos 9'/1ºT; Didi, aos 39'/1ºT; Pelé, aos 7'/2ºT; Pelé, aos 19'/2ºT; Pelé, aos 31'/2ºT; Piantoni, aos 38'/2ºT

BRASIL: Gilmar, De Sordi, Bellini, Orlando e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo. Técnico: Vicente Feola.

FRANÇA: Abbes, Kaelbel e Joncquet; Lerond, Panverne e Marcel; Wisnieski e Kopa; Fontaine, Piantoni e Vincent. Técnico: Albert Batteux.

29 de junho de 1958 – Brasil 5 x 2 Suécia

Jogando diante de sua torcida, os suecos saíram na frente com Nils Liedholm, logo aos quatro minutos. No entanto, o Brasil contava com um belíssimo time. Ainda no primeiro tempo, dois gols de Vavá viraram o marcador.

No segundo tempo, Pelé e Zagallo aumentaram a vantagem para a Seleção Brasileira. Aos 35, Agne Simonsson ainda deu esperanças para a Suécia, mas Pelé terminou com ela com mais um gol, aos 45 minutos.

FICHA TÉCNICA: Brasil 5 x 2 Suécia

Estádio: Rasunda, em Estocolmo (SUE)
Data/horário: 29/06/1958, às 10h (de Brasília)
Árbitro: Maurice Guigue-FRA
Assistentes: Albert Dusch-ALE e Juan Gardeazabal-ESP
Público: 51.800 presentes.

GOLS: Liedholm, aos 4'/1ºT; Vavá, aos 9'/1ºT; Vavá, aos 32'/1ºT; Pelé, aos 10'/2ºT; Zagallo, aos 23'/2ºT; Simonsson, aos 35'/2ºT; Pelé, aos 45'/2ºT

BRASIL: Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Orlando e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo. Técnico: Vicente Feola.

SUÉCIA: Svensson, Bergmark, Axbom, Borjesson, Gustavsson e Parling; Hamrim e Gunar Gren; Simonsson, Liedholm e Skoglund. Técnico: George Raynor.

Outros confrontos

Além dos dois jogos pelo Mundial, o Brasil já disputou mais cinco partidas no Rasunda. No dia 30 de junho de 1965, vitória brasileira por 2 a 1, com gols de Pelé e Gerson. Oito anos depois, a única derrota: 1 a 0 Suécia. No último confronto contra os suecos, em 1988, empate em 1 a 1.

Nos últimos anos, mais duas vitória: 2 a 1 contra o Equador, no dia 10 de outubro de 2006, e vitória pelo placar mínimo sobre a seleção e Gana, no dia 27 de março de 2007.

Homenagens antes e durante o confronto

A partir desta terça-feira, serão prestadas uma série de homenagens. Pela manhã, um reencontro dos ex-jogadores de Brasil (Pelé, Zito, Mazola, Pepe) e Suécia (Johansson, Parling, Hamrin, Simonsson, Gustavsson, Borjesson, Berdntsson e Ohlsson) no campo da final do Mundial de 1958. Em seguida, todos juntos seguirão para o novo Estádio Nacional, batizado Friends Arena, que será inaugurado em novembro num amistoso entre Suécia e Inglaterra. À noite haverá um jantar com a rainha Silvia, de mãe brasileira.

Na noite de quarta, será a vez de os jogadores do presente participarem da despedida. A Seleção Brasileira entrará em campo com uma camisa azul idêntica a utilizada na grande decisão da Copa do Mundo de 1958. Em campo, Neymar e Zlatan Ibrahimovic serão as principais atrações de Brasil e Suécia, respectivamente.

- Sabemos que o Rasunda significa muito para o Brasil, que é quase maior no Brasil do que aqui na Suécia, um lugar quase sagrado. Ele tem uma importância muito grande para o futebol brasileiro, mas também para nós. O jogo de quarta-feira marca o fim de uma época, por isso queríamos tê-los aqui numa reedição da final de 58 - declarou o presidente da Federação Sueca, Karl-Erik Nilsson.

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