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Muitas mudanças no time em três jogos mostram gana por modificação da realidade do Fla no ano. Dorival começa bem, mas precisa de peças para continuar seguindo com bom trabalho.

POR THALES MACHADO - DIRETO DO RIO DE JANEIRO

Não houve ser humano nascido depois do século XVII que não teve sua vida influenciada por Napoleão Bonaparte. Da pequena linha de homens que mudam o mundo, Napoleão foi destes que ensinam com atos. Dizia o homem, recalcado pelas guerras que, até então, só tinha vencido, que “a grande arte era mudar durante a batalha”. Em raro momento de descontração, Bonaparte dizia sentir piedade do “do general que vai para a batalha com um esquema”. Acreditem ou não, no fogo cruzado da Gávea em 2012, mais confusa que a Europa do século XVIII, Dorival Júnior vem seguindo as lições do Imperador francês. Se veio como mudança, que se mude. Dorival mexe no time, não se dá por vencido, troca os soldados e tenta vencer a guerra, ou, ao menos, sair dela sem ferir o esquadrão de maior torcida do país. Dorival não quer a pena de Bonaparte.
Adryan - Flamengo x Bahia
E para isso ele tenta. Já são três jogos a frente do Fla (quatro se contarmos com a estreia diante do Portuguesa, mas não foi o comandante que escalou a equipe), com uma derrota e duas vitórias. Dorival pegou uma equipe sem padrão e já cheia de vícios na escalação deixadas por Joel Santana. Mesmo pedindo e recebendo (poucos) reforços, Dorival vai mudando, tentando fazer algo inédito no Fla em 2012: dar certo. Do goleiro ao ataque, Dorival experimentou. Mostrou que está aprendendo a grande arte.

Mudança no gol e dúvida na zaga

Nos três jogos, Dorival Júnior resolveu tentar dar padrão à defesa, que sofre por não conseguir manter um mesmo padrão, quiçá uma mesma escalação desde Janeiro. Três das quatro posições já parecem ser definidas pelo treinador. Léo Moura, evidente, é o titular da camisa 2. Só não jogou contra o Náutico porque estava suspenso. Do outro lado da lateral, Ramon parece ser mesmo um homem de confiança do comandante. O lateral esquerdo é o único do elenco que já havia trabalhado com o treinador (no Vasco, em 2009) e parece ser o dono da posição.

Adryan - Flamengo x BahiaNa zaga, uma das vagas é do chileno González. O zagueiro vem treinando bem e foi o único na posição escalado nos três jogos de Dorival. Thiago Medeiros e Welliton disputam a segunda vaga, mas se nenhum dos dois inspita confiança, o primeiro parece não ter agradado na oportunidade que teve. Medeiros entrou como titular contra o Figueirense mas foi substituído e parece que não terá mais oportunidades nos próximos jogos.

Outra mudança de Dorival foi no gol, e já parece ter dado resultado. Paulo Victor foi sacado para a volta de Felipe e nos dois últimos jogos o Fla não tomou gol. Paulo Victor era, até a penúltima rodada, o goleiro mais vazado do Brasileirão.


Do meio para frente: experimentações e mudanças

Dorival deu posições certas para o meio do Flamengo em dois jogos. Mesmo sem um meio campo dos sonhos, ao menos a torcida sabe quem é volante e quem é armador com o novo treinador. A chegada do paraguaio Cáceres tirou de vez a vaga de Airton como titular. Luiz Antônio, prestigiado por Joel, continua com a moral lá em cima com o novo técnico. O jovem jogador é o único que jogou as três partidas na posição.

Adryan - Flamengo x BahiaOs meias armadores são as grandes incógnitas do esquadrão que Dorival quer montar. Ibson, Renato, Camacho, Botinelli e Negueba já foram testados. O que fica claro é que Ibson e Renato disputam posição. Jogando com posição mais definida, a tendência é que Renato fique com a vaga. Dorival pensa que não se pode jogar com os dois meias, de características defensivas. O paradoxo é que eles não disputam vaga mais atrás, já que têm características ofensivas. Para isso, a última vaga está mais para Negueba. O jovem, no entanto, ainda é dúvida e, apesar de titular nas duas vitórias, sempre foi substituído.

Dorival vem jogando com um meia mais próximo do único atacante, Vágner Love. Thomás, que é um pouco atacante, um pouco meia, parece o preferido, mas Adryan, querido pela torcida, fica perto de uma vaga. O fato é, no entanto que é Liédson que Dorival espera ver bem para jogar ao lado de Love. Adryan ou Tomás devem, no entanto, seguir entre os onze com a saída de um meia. Liédson deve tomar a vaga de Negueba do time.

O time que Dorival quer. A opinião de Goal.com

GOLEIRO

Felipe


LATERAL DIREITO
ZAGUEIRO
ZAGUEIRO
LATERAL ESQUERDO

Léo Moura

González

REFORÇO

Ramon

VOLANTE

Cáceres

MEIA
MEIA

Luiz Antônio

Renato

MEIA

Thomás

ATACANTE
ATACANTE

Liédson

Vágner Love

Se é louvável o fato de Dorival fazer como Bonaparte e tentar as mudanças no meio da batalha para um melhor resultado na guerra do Brasileirão, o treinador sabe que os dias melhores do Flamengo na competição não dependem só das mudanças que ele faz em campo. Pensador mais recente, e mais a ver com o futebol,  Eduardo Galeano também filosofou sobre a mudança. Disse o escritor uruguaio, fã do esporte, com maestria: “Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos.” Quase um recado poético para a diretoria de um clube que necessita de mudanças.

* Pedimos desculpas pelos erros técnicos apresentados mais cedo na matéria. Estão todos corrigidos. Obrigado pela compreensão. 

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