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O novo treinador do Flamengo chega referenciado por oito títulos na carreira, bons trabalhos acumulados no Vasco e no Santos, mas uma ligeira queda nas últimas equipes que dirigiu.

POR THALES MACHADO, do Rio de Janeiro

O novo técnico do Flamengo, Dorival Júnior é, pela primeira vez, empregado do clube rubro negro. Depois de Vanderlei Luxemburgo e Joel Santana, velhos conhecidos da torcida flamenguista, o Fla tem um técnico que, apesar de já figurar em times da Série A do Brasileirão há cinco anos, não tem tanta intimidade com a maior torcida do Brasil. Há nove anos trabalhando como treinador, Dorival Júnior já foi dirigente e já treinou 14 clubes brasileiros na carreira, o que dá a ele uma média ruim de permanência nos clubes: sete meses. Apesar disso, os  oito títulos em nove anos de carreira o credenciam como um treinador vencedor, conquistando títulos importantes.

Adryan - Flamengo x Bahia

Dorival Júnior tem uma carreira de ascensão em clubes de médio porte, um apogeu no Vasco, maior rival do Flamengo e no Santos, que começava a ver brilhar Neymar e Ganso seguida por uma recente queda de produção, com trabalhos não tão bons no Atlético-MG e no Internacional, de onde foi demitido dias antes de acertar com o novo desafio na carreira. Assim como o Flamengo, Dorival precisa da oportunidade para se reerguer já que não está longe de poder ser considerado um dos treinadores de ponta do país.
Recuperar o Flamengo de 2012, irrecuperável até agora, é uma grande missão e os louros do sucesso podem ser ainda maiores para Dorival, em sua segunda passagem pelo futebol carioca.

ASCENSÃO
Vida de dirigente, títulos estaduais e surpresa no Paulistão


DE DOIS EM DOIS ANOS...
um Estadual diferente
2004 campeão CATARINENSE pelo Figueirense.
2006 campeão PERNAMBUCANO pelo Sport.
2008 campeão PARANAENSE pelo Coritiba.
2010 campeão PAULISTA pelo Santos.
2012 campeão GAÚCHO pelo Internacional.
Muita gente não sabe, mas Dorival já foi dirigente, antes de começar a vida de treinador. Depois de se aposentar como jogador no Juventude, em 1995, Dorival ficou um tempo parado e se formou em Educação Física para começar a trabalhar como gerente de futebol no Figueirense, em 2003. No Brasileirão, o time vivia uma troca constante de técnicos, e após três tentativas, Dorival resolveu assumir a função de treinador. Deu certo, e o ex-diretor levou o time catarinense para a Copa Sul-Americana pela primeira vez na história. No ano seguinte, já conquistou o primeiro título, campeão catarinense. Ficou até o fim do ano no Figueira, levando o time de novo à Sul-Americana.

A saída do Figueirense não fez bem a Dorival. Em 2005, o treinador rodou por três clubes, sem sucesso em nenhum deles. Fortaleza, Criciúma e Juventude foram clubes em que Dorival não deixou saudade. Só no ano seguinte, no Sport, Dorival conseguiu ser campeão novamente, novamente estadual, desta vez o Pernambucano.

Demitido no início do Brasileirão, Dorival assumiu o Avaí, sem sucesso. Depois chegou ao São Caetano, de onde não conseguiu evitar a queda do clube paulista à Série B do Brasileirão. Mantido no cargo, Dorival apareceu para os grandes clubes no Azulão, quando levou o time à final do Paulistão daquele ano, eliminando o São Paulo, campeão brasileiro com Muricy Ramalho nas semifinais e quase venceu o Santos na finalíssima. Logo após o estadual, Dorival assinou com o Cruzeiro, sua primeira oportunidade em um dos 12 maiores times do Brasil. Começava o apogeu, até o momento, de uma carreira regular nos maiores clubes do país.

TODOS OS TIMES DE DORIVAL | a carreira do treinador, ano a ano, avaliada
ANO
CLUBES
DESEMPENHO
2003/04 Figueirense MUITO BOM
2005 Fortaleza, Criciúma e Juventude RUIM
2006 Sport e São Caetano RAZOÁVEL
2007 São Caetano e Cruzeiro BOM
2008 Coritiba BOM
2009 Vasco da Gama MUITO BOM
2010 Santos e Atlético-MG MUITO BOM
2011 Atlético-MG e Internacional RAZOÁVEL
2012 Internacional e Flamengo ?


APOGEU
Ídolo no Vasco e lapidador de Neymar e Ganso


Dorival chegou a um Cruzeiro em 2007 destroçado pela final do Campeonato Mineiro, quando perdeu por 4 a 0 a primeira partida para o Galo, maior rival. O treinador assumiu o time para o Brasileirão e fez bela campanha, ameaçando até sair com a taça de campeão. No fim, o time perdeu fôlego mas manteve a 5ª posição e a vaga na Libertadores da América. A diretoria cruzeirense, no entanto, preferiu Adílson Batista para o seu lugar e Dorival, valorizado, e para muitos injustiçado, acabou voltando para o Sul do país, para dirigir o Coritiba.

No Coxa, Dorival foi de novo campeão, mantendo a tradição de vencer um estadual diferente a cada dois anos. Campeão paranaense, o treinador fez boa campanha com o Coxa no Brasileirão, terminando na 9ª posição, mas brigando durante boa parte do certame por uma vaga na Libertadores. Ainda mais valorizado, Dorival entraria pela primeira vez em um time grande do eixo Rio-São Paulo com um grande desafio: subir o Vasco, recém caído para a Série B, para a elite do futebol nacional.

O ano de 2009, em aproveitamento, foi o melhor momento da carreira de Dorival. Comandando o Vasco na segunda divisão, o treinador conseguiu o acesso e o título com algumas rodadas de antecedência. Idolatrado pela torcida vascaína, o treinador, em acordo com a diretoria, decidiu não seguir no time carioca na temporada de 2010.
Adryan - Flamengo x BahiaAdryan - Flamengo x Bahia

Muito valorizado no mercado, Júnior acertou sua ida para o Santos, substituindo Vanderlei Luxemburgo e comandando um time que tinha Robinho, Neymar e Paulo Henrique Ganso na melhor fase da carreira. Foi o semestre de mais sucesso, onde Dorival conquistou seu título mais importante da carreira, a Copa do Brasil de 2010. Mantendo a “mania” de ganhar um Estadual a cada dois anos, Dorival também levou os meninos da Vila a um emocionante título paulista, diante do Santo André.

Uma desinteligência com Neymar acabou gerando a saída do treinador do Santos, após punir o jogador, o treinador acabou demitido pela diretoria santista, interrompendo um bom trabalho que vinha fazendo. A partir daí, apesar de ter conquistado mais dois títulos e mais duas boas campanhas no Brasileirão, Dorival não viveu mais o apogeu de sua carreira como treinador.

QUEDA
Bons trabalhos que geram demissão

Dorival começou bem no Atlético-MG. Contratado para, novamente, substituir Vanderlei Luxemburgo, o treinador espantou qualquer chance de rebaixamento do Galo, que perigava na zona de descenso e ainda conseguiu uma vaga na Sul-Americana. No ano seguinte, no entanto, só decepção. A diretoria investiu, mas Dorival não conseguiu bons resultados e, no meio do Brasileirão, foi demitido.

QUEDA NO RENDIMENTO
Ano

2009
2010
2010
2011

Jogos

64
61
60
63

Clube

Vasco
Santos
Atlético-MG
Internacional

%
74,7%
67,1%
60,0%
62,0%
Como agora, quando acertou com o Fla, o treinador não ficou muitos dias desempregado. Logo acertou sua volta ao sul do país, para dirigir um time gaúcho pela primeira vez. Em seu segundo jogo como treinador do Internacional, Dorival conquistou o seu sétimo título na carreira, o da Recopa Sul-Americana, ao vencer o Independiente  da Argentina, por 3 a 1 em Porto Alegre. O Brasileirão seguiu e, aos trancos e barrancos, Dorival conseguiu manter o time onde pegou, ficando com a vaga na Libertadores, mas sem ameaçar o título em nenhum momento.





Em 2012, apesar do título Gaúcho (o seu quinto título estadual consecutivo em anos pares), Dorival não agradou. O Internacional não passou de figurante na Libertadores, sendo eliminado pelo Flu nas Oitavas de Final e começou uma campanha ruim no Brasileirão. A demissão veio depois de 10 jogos, deixando o time na 8ª posição.

FLAMENGO
Um novo desafio

Dorival não está acostumado a pegar grupos em crise e salvar, como vários outros técnicos, mas costuma fazer bons trabalhos. No Flamengo, pega um time já formado, em meio de tabela e cheio de problemas. No Atlético-MG, o treinador foi bem na mesma situação, mas os melhores trabalhos foram feitos quando ele inicia a temporada no comando, como o fez no Vasco, Coritiba, Cruzeiro e Santos.

Do elenco atual, quase nenhum jogador trabalhou com Dorival Júnior, só o recém chegado lateral esquerdo Ramon, que fez parte do elenco do Vasco que conquistou a Série B em 2009.

O novo capítulo da carreira de Dorival, que completa 10 anos à beira do gramado em 2013 é, talvez, o mais complicado deles. O primeiro objetivo é simples: chegar lá. Em meio a uma diretoria perdida, só uma ótima campanha mantém o treinador até o ano que vem no comando do time da Gávea. A conferir.

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