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Mais um culpado pelo mal ano do Fla identificado: Joel Santana. Goal.com relembra os seis meses da passagem fracassado do homem da prancheta frente ao rubro negro da Gávea.

POR THALES MACHADO - DIRETO DO RIO DE JANEIRO

AS PASSAGENS DE JOEL PELO FLA
Ano

1996
1998
2005
2007/08
2012
TOTAL

Jogos

79
27
9
2
31
199

Títulos

1
0
0
1
0
2
%

63,3%
59,3%
77,7%
69,1%
59,3%
65,4%
Se o enredo da história é a crise interminável e inefável do Flamengo em 2012, o episódio de hoje nada mais é do que a despedida de outra personagem. Longe de ser vilão principal, Joel Santana foi só mais um dos fracassados supostos heróis que tinham a missão de levar o Fla para o caminho que nunca um time grande, em teoria, deve sair. “Papai Joel” segue o mesmo caminho que Luxemburgo e Ronaldinho Gaúcho: joga-se ao mar um tripulante para resolver o problema, mas se esquece que o comando do barco segue à deriva na temporada. Joel não resolveu e nada indica que o seu sumiço resolverá. Fato é que a retrospectiva não mente: na quinta vez que comandou a barca rubro negra, a prancheta ficou longe de ser uma bússola certeira.

Desde Fevereiro, foram 31 jogos, 17 vitórias, cinco empates e nove derrotas e um aproveitamento de 60,2%. Os números, mesmo não tão bons, não retratam fielmente o fracasso da quinta passagem de Joel pelo Fla e, mesmo assim, é a segunda pior passagem do técnico no time rubro negro, perdendo por pouco para 1998, quando teve 59,3% de aproveitamento. A realidade é que Joel fracassou redundamente no Campeonato Carioca, na Copa Libertadores e parecia que seguia o mesmo caminho no Brasileirão.

Na relação com os jogadores, ficou marcado pelas constantes alfinetadas no elenco, troca de declarações com Ronaldinho e impaciência nos últimos tempos com a imprensa, algo raro de se ver no sempre risonho treinador. O riso ficou para trás há muito tempo, em um dos piores primeiros semestres da história recente do Fla.

Cadê o Rei do Rio?


Joel Santana chegou ao Flamengo em Fevereiro com a missão de substituir Vanderlei Luxemburgo, acalmar um grupo envolto em polêmicas capitaneadas por Ronaldinho Gaúcho e, principalmente, fazer uma boa campanha na Libertadores. Na estreia, uma magra vitória de 1 a 0 sobre o Madureira, lembrou-se que Joel é conhecido como o “Rei do Rio”, dono de oito títulos cariocas e conhecido por recuperar e levar times desacreditados ao título estadual. O Fla, que havia vencido quatro dos últimos cinco campeonatos (um deles com Joel, em 2008 e em 2010, quando o Flamengo não venceu, Joel foi novamente campeão, mas com o Botafogo), se juntou com o treinador papa estaduais. Desta vez, o Rei do Rio não chegou nem perto da coroa.

Desde 2007, o Fla conquistou três Taças Guanabara (2007, 2008 e 2011) e duas Taças Rio (2009 e 2011), além dos quatro estaduais (2007, 2008, 2009 e 2011). Em 2010, único ano em que não foi à final, ao menos teve a chance de decidir a Taça Rio contra o Botafogo de Joel e Loco Abreu. Em 2012, nada. O time foi eliminado da mesma maneira, pelo mesmo adversário, na mesma fase tanto na Taça Guanabara quanto na Taça Rio. Semifinais, para o Vasco, maior rival, de virada, por 2 a 1 e 3 a 2.

Joel não conseguiu acertar o time, que não convencia contra os pequenos. Contra os grandes, nos momentos decisivos, não fez do Fla um time vencedor. O resultado? A eliminação precoce diante do Vasco fez o Flamengo ficar quase um mês sem jogar. O motivo? Uma semana antes, uma eliminação ainda mais vexatória na Taça Libertadores da América.

Sem se redimir de 2008

Apesar do grupo em crise, a situação do Fla quando Joel assumiu era muito boa para o treinador. Que técnico não quer dirigir um time já classificado para a fase de grupos da Libertadores? Joel ainda teria a chance de se redimir de 2008 quando saiu do Flamengo pela última vez. Na época, contratado para dirigir a seleção da África do Sul, o treinador foi campeão carioca em um Domingo e na Quarta, em sua despedida, foi eliminado sumariamente da Libertadores pelo América do México, em uma derrota por 3 a 0 que o treinador nunca esqueceu.

E o fracasso da prancheta de Joel na competição internacional foi ainda pior. O time não chegou nem a se classificar para as Oitavas de Final, sendo eliminado de maneira dramática depois de duas vitórias, dois empates e duas derrotas. No pacote, um empate com o Olimpia no Engenhão por 3 a 3 após estar vencendo por 3 a 0; uma derrota para o Emelec por 3 a 2 no Equador após estar vencendo até os 40 do Segundo Tempo e uma eliminação nos últimos minutos, já com o jogo decidido, já que o time dependia de outros resultados. Restava o Brasileirão para o Fla, e para Joel, salvar a temporada.

Adryan - Flamengo x Bahia


Muito tempo para treinar para pouco resultado
Nas onze primeiras rodadas do Brasileirão Joel Santana treinou o Flamengo. Conseguiu quatro vitórias, três empates e quatro vitórias, pouco mais de 45% de aproveitamento e o meio da tabela: 10º lugar. Se não foi tão ruim, o copo ficou mais vazio do que cheio para Joel. O time não deu liga em momento algum, não chegou a dar lampejo que estava certo e ganhou mais destaque com a saída de Ronaldinho e com a dificuldade para contratar alguém.

Adryan - Flamengo x Bahia

NÚMEROS DA PRANCHETA
A passagem de Joel pelo Flamengo
2 milhões é a multa que o Fla vai ter que pagar a Joel por demitir o treinador.
2 clássicos Joel ganhou como treinador do Fla em 2012, contra o Flu e Vasco.
26 jogadores, usou Joel em onze rodadas no Brasileirão.
3 competições "Papai" disputou: Carioca, Libertadores e Brasileirão.
11 rodadas o time foi dirigido por Santana no Brasileirão.
A demissão de Joel vinha sendo cogitada e o treinador fritado desde o fim da Libertadores. No clima quente peculiar ao time, Joel teve 28 dias sem jogos para preparar o time para o campeonato. Reforços não chegaram, o treinador teve problemas e na estreia - empate diante do Sport - já se percebeu que a missão não seria fácil para Joel. O time até conseguiu somar pontos em boas vitórias como a contra o Bahia, fora de casa. Mas pesaram resultados ruins como o empate com o time reserva do Internacional no Engenhão, a derrota para o Cruzeiro que selou a saída do treinador e, principalmente, a derrota acachapante por 3 a 0 para o Corinthians no Engenhão.

"Foi o conjunto da obra, já venho analisando o comportamento da equipe, o dia a dia do trabalho. Não foi especificamente o jogo do Cruzeiro. Nada contra o Joel"

No fim, em onze rodadas, Joel viu R10 abandonar o barco, Vágner Love parar de fazer gols, Deivid em crise de rendimento, Botinelli desagradando à torcida como nunca e a zaga não parando de tomar gols (17 em 11 partidas). Se não bastassem os problemas dentro de campo, Zinho, contratado para coordenar o futebol do Fla, ainda parece perdido na função e Patrícia Amorim, presidente do clube, não parece ser quem vai mostrar o caminho. Sobrou para o Papai.

Foi o conjunto da obra, já venho analisando o comportamento da equipe, o dia a dia do trabalho. Não foi especificamente o jogo do Cruzeiro. Como diretor de futebol, estou analisando o futuro, a posição da equipe na tabela, poder de reação do grupo, o poder da comissão técnica de conseguir resultados. Nada contra o Joel.

End of the line para a prancheta no Flamengo.  É a vez de Dorival.

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