Depois de passar os cinco primeiros jogos do Brasileirão sem perder, derrota para o Grêmio expõe dificuldades preocupantes do time de Joel Santana. Goal.com analisa.
POR THALES MACHADO - DIRETO DO RIO DE JANEIROCaiu a invencibilidade do Flamengo no Brasileirão. Junto com ela vai se muito do otimismo que o torcedor carregava no comecinho do campeonato. Até domingo, ao ser derrotado para o Grêmio de Luxemburgo por 2 a 0, o Fla se sustentava como um dos quatro times do Brasileirão que ainda não conhecia o amargo sabor da derrota.
Se a rodada serviu para deixar o Fla fora desse grupo, a derrota em Porto Alegre, nenhum absurdo como resultado, escancarou problemas escondidos pela invencibilidade. Duas vitórias e três empates não foram capazes de encantar ninguém e a única derrota, no entanto, foi capaz de mostrar alguns dos erros ocultos que o Fla precisar corrigir para engatar uma sequência convincente. Mais que não perder, o Flamengo precisa convencer.
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" Vamos chegar. O time está mais aguerrido, rejuvenescendo, mais brigador, não tem aquela preguiça. Promovemos uma situação tática e foi cumprida, mas temos que reconhecer que o Grêmio jogou bem. Estamos com uma garotada boa. Eles criaram e fizeram. Nós criamos e não fizemos" -Joel Santana, após a derrota para o Grêmio
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Joel Santana se mantém otimista, mas sabe que tem que corrigir, urgentemente, alguns pontos fundamentais para o Fla buscar algo a mais no campeonato. O título, no momento, é algo que só Joel consegue sonhar.

| A falta de entrosamento da defesa |
Uma pequena (mas movimentada) história da linha defensiva rubro negra em 2012. Para início de conversa, uma linha de defesa, usualmente, é formada por um lateral direito, dois zagueiros e um lateral esquerdo. Assim é no Flamengo. Jogando juntos, os jogadores têm mais tempo de adquirir entrosamento, conseguindo, portanto, bons desempenhos de forma mais fácil em campo.
No Fla, a linha de quatro hoje é formada por Welligton Silva, Marllon, González e Magal. No começo do ano era formada por Léo Moura, David Braz, González e Júnior César. Só o zagueiro chilenos resistiu ao turbilhão de mudanças.
No fim do primeiro semestre, David Braz se machucou e logo foi negociado com o Santos, entrando Wellinton em seu lugar. Logo depois, Júnior César foi negociado com o Atlético-MG, transformando a linha defensiva em Léo Moura, Wellinton, González e Magal, o substituto. A formação durou alguns dias, até que o capitão Léo Moura, único não criticado da defesa, se machucou. Foi a vez de Welligton Silva entrar em seu lugar. Pelo mau desempenho, Wellinton foi sacado da equipe para a entrada do jovem Marllon na formação atual. Menos de três meses e quatro mudanças nas peças de uma formação fixa. Não há entrosamento defensivo que se crie em uma realidade assim.
| QUEM SÃO OS TITULARES? | A evolução da do sistema defensivo do Flamengo |
| Até Março |
Até Abril |
Até 6 de Junho |
Até 9 de Junho |
Até quando? |
| Léo Moura, David Braz, González e Júnior César | Léo Moura, Welliton, González e Júnior César | Léo Moura, Wellinton, González e Magal | Welligton Silva, Wellinton, Gonzalez e Magal | Welligton Silva, Marllon, González e Magal |
| Sai David Braz (negociado), entra Welliton |
Sai Júnior César (negociado), entra Magal |
Sai Léo Moura (lesionado), entre Welligton Silva |
Sai Wellinton (desempenho), entra Marllon |
Até Léo Moura se recuperar de lesão. |
Se a torcida do Flamengo não sabe de cor os nomes dos seus defensores, nem Joel parece saber. Mudanças de peças acontecem a todo momento e tal fato atrapalha demais o treinador a entrosar um setor fundamental para o Flamengo alçar voos maiores no Brasileiro. Léo Moura, talvez o único titular absoluto, lesionadom não volta nos próximos jogos e os laterais, jovens, com pouca experiência no Flamengo, por vezes parecem ainda mais perdidos que os zagueiros em campo.
Otimista, Joel aposta na dupla entre o experiente Gonzalez e o garoto Marllon, muito elogiado nos treinos. O gol de Marcelo Moreno, primeiro da vitória do Grêmio contra o Fla, mostra, no entanto, que o otimismo passa longe da linha defensiva do Fla, seja ela qual for. É preciso definir os titulares e entrosá-los, coisa que o treinador promete fazer desde antes da eliminação do time na Libertadores deste ano.
| Um companheiro no ataque para Love |
O ataque do Flamengo carece de uma segunda peça confiável. Vágner Love é o grande ídolo do atual time, artilheiro da temporada com 15 gols. Só o camisa 99, no entanto não dá conta. Os números são claros: depois de Love, com 15 gols, o maior artilheiro do time na temporada ainda é Ronaldinho Gaúcho, com sete e já fora do time há quatro rodadas.
Impressiona que as outras opções (Deivid, Diego Maurício, Negueba e Hernane) tenham, somados, só nove gols. Se Ronaldinho era o companheiro de ataque no primeiro semestre e já não estava bem, a situação não melhorou com sua saída e sem a contratação de reforços. Deivid, substituto natural, não padece de muita confiança da torcida e com uma lesão no pé, não tem previsão de volta. Diego Maurício não durou duas rodadas como titular e Hernane, recém chegado, mostrou no jogo contra o Grêmio que a vice artilharia do Paulistão pouco significa em jogos duros do Campeonato Brasileiro.
| AS OPÇÕES (números de 2012) |
| DEIVID |
HERNANE | DIEGO MAURÍCIO | NEGUEBA |
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| JOGOS |
21 |
3 |
6 |
21 |
| GOLS |
6 | 1 | 0 | 2 |
| Substituições não surtem efeito |
Joel Santana, quando realiza um bom trabalho, costuma ter estrela. O treinador é daqueles que aposta em algum jogador do banco e, quando o bota em campo, sempre, a substituição faz efeito e, por vezes muda o jogo. A própria torcida do Flamengo já viu isso. Em 2007, por exemplo, as entradas de Diego Tardelli e Obina no segundo tempo deram o título carioca ao Mengão, inclusive nas finais. Em 2010, no Botafogo, Joel apostava as fichas no jovem atacante Caio, atualmente no Figueirense. Sempre que o jogador entrava, marcava um gol. Virou um talismã da torcida e do treinador. No Flamengo, em 2012, Joel não vem tendo a mesma sorte.

Com o 1 a 0 no placar para o Grêmio, Joel tentou uma mexida ousada, que, para o torcedor que vê o jogo sempre na esperança de uma vitória, poderia surtir efeito. Botinelli, meia mais avançado do grupo, entrou no lugar do lateral direito Welligton Silva, mal na partida. Precisando de um gol, o Flamengo acabou tomando outro e o meia argentino pouco fez no jogo.
A entrada posterior de Negueba no lugar de Hernane mostrou o descontentamento com o ataque e a última cartada, Mattheus, filho de Bebeto, substituindo Magal no fim, mais serviu para chamar a atenção para à jovem estrela do que para, de fato, surtir algum efeito no jogo.
Joel está mexendo errado, ou faltam opções para o treinador? O Flamengo precisa encontrrar o companheiro ideal para Love ou apostar em algum jogador da base? Qual a formação ideal para a defesa rubro negra? Perguntas que serão discutidas durante a semana e que voltam a ser parcialmente respondidas no Domingo, ás 16h, quando o Flamengo enfrenta o Atlético-GO em casa, pela 7ª rodada do Brasileirão.




