thumbnail Olá,

O nome de Zinho é o certo para dirigir o futebol do Flamengo? Experiente e ídolo rubro negro em campo, ele tem que conquistar a confiança dos jogadores e dirigentes flamenguistas.

POR THALES MACHADO - DIRETO DO RIO DE JANEIRO

               O Flamengo está prestes a ter em sua equipe do futebol mais um campeão mundial, só que desta vez, fora de campo. Além de Ronaldinho Gáucho e Kleberson, pentacampeões da Copa do Mundo em 2002, o ex-meia Zinho, tetra em 1994, pode ser anunciado como o novo diretor executivo do futebol no Fla. Um jogador de sucesso enquanto esteve na ativa, revelado e identificado com o preto e o vermelho, mas que não é nenhuma garantia de sucesso na nova função. A nova empreitada do desorganizado Flamengo de 2012, com Zinho a frente do futebol, pode ser mais um capítulo do barco rubro negro que aos poucos afunda, ou a figura do ex-meia pode ser o comandante do ressurgimento do futebol do Flamengo no ano?

                A contratação de Zinho  ganha força a cada dia no Flamengo. O meia conversou ontem com a diretoria rubro negra e acerta os últimos detalhes sobre a sua contratação. Zinho pretende também conversar com o Nova Iguaçu, onde é diretor técnico, e com o canal de TV onde é comentarista para tomar a melhor decisão. Fato é que a confirmação do ex-jogador como o mais novo membro da diretoria do Flamengo só não se realiza se mais alguma das confusas reviravoltas dos bastidores da Gávea acontecer.

                  

               É uma honra ser convidado. Difícil é separar a paixão pelo clube da razão. Tem que ter tempo para trabalhar. Não é algo que se faz da noite para o dia. É o Flamengo, né? Não é o clube ali da esquina.


-Zinho

                Flamengo, Palmeiras, Yokohama Flugels, do Japão, Grêmio, Cruzeiro, Nova Iguaçu, Miami F.C e Seleção Brasileira. Sem dúvidas, Zinho tem experiência no mundo da bola. Os 20 anos de carreira como jogador levam centenas de jogos, gols, dias de concentração, títulos e convivência com jogadores de todos os tipos. Outra afirmação que não necessita dúvidas é de que o Fla precisa de alguém assim no seu futebol. A última entrevista de Deivid, atacante, deixou clara a necessidade do grupo de ter alguém da diretoria para conversar. Patrícia Amorim ou qualquer outro dirigente já demonstraram uma clara incapacidade de lidar com o dia a dia dos atletas. Várias das crises deste ano poderiam ter sido evitadas se o um diretor "boleiro" estivesse ali para ajueitar as arestas e apagar os incêndios. Zinho, se na época de jogador exercia muito bem a função de meio de campo, agora terá a missão de fazer esse complicado outro meio de campo entre diretoria e jogadores. Atualmente dirigente e comentarista, o ex-jogador tem a habilidade de saber como é o diálogo de vestiário, de como conversar com jogadores e tentar melhorar esta relação que já é mais do que desgastante.

Agora provável dirigente, Zinho já jogou com Ronaldinho Gaúcho

                Zinho tem 44 anos e só deixou de jogar futebol há seis. O último time do jogador foi o Miami F.C, nos Estados Unidos, time que também foi cobaia da sua primeira experiência como treinador. A maior prova que o dirigente terá uma boa relação com os jogadores é simples: mesmo já aposentado, Zinho já jogou com sete jogadores das fotos abaixo, todos do atual elenco flamenguista que disputará o Brasileirão.

Quem já jogou com Zinho?

 

 

 

 

 Vágner Love, em início de carreira no Palmeiras, foi companheiro do já experiente Zinho no Palmeiras de 2002, quando o time foi rebaixado para a Série B. Em 2003, transfeirdo para o Cruzeiro, Zinho jogou muito e conquistou o Brasileirão, a Copa do Brasil e o Campeonato Mineiro daquele ano. Dividia o meio campo com o encostado Maldonado e com o criticado Deivid, ambos no grupo atual do Fla. Anos depois, em sua volta ao Flamengo, Zinho dividiu meio campo com Ibson, que deve ser o primeiro grande reforço anunciado para o segundo semestre.

Em 2005, Zinho jogou seu último campeonato pelo Fla e no grupo estava Renato Abreu que, inclusive, estreou com a camisa do Fla substituindo Zinho no segundo tempo de uma partida contra a Portuguesa Carioca pelo Carioca de 2005. Também chegando ao grupo estava Léo Moura, jogador mais antigo no elenco atual.

                O mais surpreendente, no entanto, é saber que Zinho foi companheiro de Ronaldinho Gaúcho em 2000, no Grêmio, quando R10 ainda começava a carreira e jogava sua última temporada pelo time gaúcho. Zinho e R10 eram titulares do time gremista que foi eliminado pelo São Caetano nas semifinais da Copa João Havelange. Seria uma reedição da parceria, agora com um dentro e outro fora de campo, algo que possa recuperar o sumido bom futebol de Ronaldinho? Só uma das incógnitas que a contratação de Zinho trará.

Um dirigente rubro negro não é garantia de um bom trabalho

                É de domínio público que Zinho é flamenguista. Carioca, o ex-jogador conquistou os título mais importante da carreira pela Seleção (Copa do Mundo de 1994) e Palmeiras (Libertadores de 1999), mas também virou ídolo no Flamengo. Rápido e técnico, o jogador foi revelado pela base do Fla em uma época de ouro, e teve a oportunidade de jogar ao lado de ídolos da infância, como Zico e Júnior. Pouco depois, no entanto, foi  Zinho que virou ídolo da torcida com os títulos conquistados no fim da década de 80 e começo da de 90: dois Cariocas (1986 e 1991) e dois dos Brasileiros do Fla (1987 e 1992).

                Zinho foi para o Palmeiras em 1993 e só voltou a vestir a camisa do Fla mais de uma década depois, em 2004, após o sucesso no Cruzeiro. Revivendo a idolatria da década de 90, o meia conquistou o seu último título na carreira, o Campeonato Carioca de 2004.

                A contratação de Zinho como diretor executivo é espelhada em Vágner Love. O sucesso das duas passagens do atacante na gestão de Patricia Amorim mostrou que a chegada de alguém identificado com o clube, que tem paixão e identificação com a história do Flamengo pode ser positiva para um bom resultado. Love é exemplo e Ibson, próxima contratação, segue na mesma linha.

                Tal fato, porém, na gestão de Patricia, só funcionou dentro de campo. Fora dele, o exemplo é gigante. Zico, maior ídolo da história e pessoa mais identificada com o clube em todo o mundo, é a prova de que a desorganização da diretoria do Flamengo pode afetar o trabalho de um membro da diretoria, até mesmo se esse alguém for o ídolo supremo da torcida rubro negra. O Galinho de Quintino ocupou, em 2010. o cargo que Zinho ocupará e a esperança de ver o maior ídolo comandando o futebol no Flamengo só durou dois meses. Em meio a uma grave crise política no clube, Zico se viu obrigado a pedir demissão em Outubro daquele ano, afirmando não haver mais condições de trabalhar com o ambiente conturbado dos comandantes flamenguistas.

               Considero nesse momento que não é possível fazer no Flamengo aquilo que eu gostaria. Percebo que a minha presença não tem sido favorável e, desde a minha chegada, vem causando o descontentamento de muitas pessoas. Não há condições para eu continuar.

-Zico, em carta de demissão de 2010
Falta de experiência como dirigente é fator preocupante para Zinho

                Depois de encerrada  a carreira como jogador Zinho foi treinador nos Estados Unidos, dirigente no Nova Iguaçu e mais recentemente, comentarista na Fox Sports. Tantas variações em tão pouco tempo mostram que, de fato, Zinho ainda não decidiu o que quer ser na vida após a bola e ainda não se preparou adequadamente para nenhuma das opções. Como treinador, permaneceu por três anos no Miami F.C., em uma liga onde seu trabalho pouco pode ser avaliado. Como dirigente, fez um bom trabalho no Nova Iguaçu, mas que pouco tem a ver com o seu trabalho no Flamengo. Zinho conseguiu organizar bem a base do time da Baixada Fluminense, mas nada se compara ao tamanho de um time profissional com a maior torcida do país.

                - A parte de diálogo com os jogadores, do campo, é fácil. Até porque fui técnico nos Estados Unidos. Na parte administrativa, não tenho experiência. A parte de relação com a direção, de entender o focos políticos do clube, só trabalhando mesmo - disse, em entrevista ao site globoesporte.com.

                O próprio dirigente admite a falta de experiência, mas, aceitando o cargo, claramente aposta que consegue vencer o turbilhão político-esportivo chamado Flamengo. A diretoria do clube aposta alto no nome do ídolo. A torcida é para que Zinho tenha o mesmo sucesso que teve como jogador na nova carreira, a de dirigente.

A primeira prova, inegavelmente, é de fogo.

Relacionados