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Coletamos a opinião de nossos colegas do Goal.com sobre o trabalho de quase dois anos do técnico à frente da equipe verde-e-amarela

Ao final da Copa de 2010, o Brasil deu início à preparação para o Mundial do qual será o país-sede, substituindo Dunga por Mano Menezes no comando da Seleção brasileira. Foi uma troca celebrada por grande parte da imprensa especializada, bem como pelos torcedores.

Passados quase dois anos da era Mano, muitas questões cercam seu trabalho. Mas o que o resto do mundo pensa a respeito do tema?

O bom, e o ruim

A renovação imediata que sucedeu a passagem de Dunga é talvez o grande trunfo de Mano no trabalho que vem sendo executado. Na opinião do nosso colega Peter Staunton, do Goal.com Irlanda, o treinador fez bem em trazer caras novas à Canarinho, o que ajudou a consolidar este processo de mudança.

“É uma solução com boas chances de terminar em sucesso. Trazer jogadores novos após um fracasso, como aconteceu com Dunga, dá chance para um novo começo e proporciona um sentimento de renovação.”
– Peter Staunton


Contudo, fica difícil colocar as novidades à prova em amistosos que proporcionam pouco ou nenhum desafio ao conjunto. Gabão, Egito, Bósnia e Costa Rica são alguns exemplos de adversários escolhidos pela CBF que em nada contribuem para uma análise mais série do time equipe, tanto que ela não obteve sucesso em compromissos mais ‘sérios’, como nas partidas contra Alemanha e Holanda, ou mesmo o fracasso na Copa América do último ano.

Como bem coloca o alemão Fabian Biastoch, a força dos adversários escolhidos para os testes até o Mundial pode não ser tão decisiva, como coloca no exemplo de seu próprio país.


“O Brasil precisa de oponentes mais fortes. Concordo com Romário, que chamou a Seleção de ‘porcaria’, depois do que vi na Copa de 2010 e na Copa América de 2011. Este Brasil sofre de uma falta de coesão, muito maior do que as equipes do passado. E as coisas não vão melhorar com jogos contra Egito, Gana ou Gabão.” – Peter Staunton

“As coisas mudaram, pois no passado o Brasil tinha muita certeza de que venceria cada Copa que disputasse, então jogar contra adversários mais fracos era uma desvantagem. A Alemanha fez isso em 2006 mas conseguiu um grande começo no torneio” - Fabian Biastoch

Afinal, qual é o time?

Um problema que preocupa a todos diz respeito à formação de uma equipe, o que até hoje não acontece. Mano demorou algum tempo para definir os titulares de algumas posições, como na lateral-esquerda e entre os volantes, enquanto outras ainda vão sendo testadas. Se Thiago Silva e Neymar são alguns nomes considerados certos para 2014, o Brasil ainda não sabe qual será seu centroavante, quantos homens jogarão no meio ou, ainda, se Lucio e Julio César ganharão respaldo até o torneio, apesar das atuações recentes bem abaixo do esperado.

As convocações também são alvo de críticas. Um jogador como Ronaldinho não justifica o fato de ter sido chamado para representar a Seleção, tanto pelo que faz por seu clube ou por aquilo que efetivamente produz com a camisa amarela. Enquanto isso, atletas que poderiam apresentar algo de novo, como Ramires ou Kaká, acabam ficando de fora, para não falar naqueles que se destacam na Série A do Brasileirão.

“Quero ver mais jogadores que atuam no Brasil jogando pela Seleção. Isso de chamar mais jogadores que jogam por clubes europeus no passado já funcionou, mas hoje isso não acontece mais. Os melhores estão em seu país e, em minha opinião, é onde eles devem ficar.  Incentivamos isso na Alemanha, e olhe onde chegamos hoje” - Fabian Biastoch

Essa situação acaba não apenas gerando uma dificuldade na definição dos selecionáveis (Mano já usou mais de 70 até então), como também não resolve a carência que alguns setores ainda sofrem especialmente a defesa. Fabian, por exemplo, acha que a equipe precisa de um ‘novo’ Lúcio. Staunton, por sua vez, vê problemas estruturais muito mais graves, ao ponto de quase sugerir uma remodelação da Seleção por inteiro.

“Tudo está mal. Não existe unidade defensiva, o meio campo é pouco criativo e um centroavante confiável ainda não foi encontrado. É o pior time dos últimos 20 anos” - Peter Staunton

Perspectivas pouco animadoras

No final das contas, fica difícil em apostar no sucesso da Amarelinha na Copa, com o quadro que se apresenta atualmente. O torcedor brasileiro, no geral, está mais contente com o trabalho de Mano Menezes se comparado às reações suscitadas durante a era Dunga, muito em virtude da busca por um futebol mais vibrante, analisa nosso amigo do Goal.com Alemanha. Ainda assim, está certo de que uma avaliação positiva ou negativa do treinador virá a partir do desempenho em 2014.

“Parece-me que os torcedores estão mais felizes com Mano do que com Dunga. Antes, a questão da disciplina tática foi bem trabalhada, mas os brasileiros não consideram que aquele era o ‘jeito certo’ de se jogar futebol. O choque pela ausência das estrelas de 2010 foi superado, e os torcedores ficarão ou não satisfeitos dependendo do que acontecer na Copa do Mundo” - Fabian Biastoch

Muito mais crítico, Peter Staunton duvida do sucesso do Brasil no torneio, pela falta de unidade em uma equipe que sequer tem os titulares bem definidos. Sem um desafio realmente consistente, Mano Menezes não consegue levar a Seleção ao próximo nível, ‘coroando’ a preparação desastrada do time até aqui. Uruguai, Alemanha, Espanha, França, Argentina são vistos como destinos muito mais prováveis para a taça do Mundial do que a sede da CBF, no Rio de Janeiro.

“O torcedor deve estar preocupado. Todos querem ver o Brasil campeão, mas atualmente essa chance é zero. Existem pelo menos duas equipes na América do Sul, e outras seis na Europa, com mais chances de conseguir isto. A Seleção não é um conjunto de ponta no futebol, carece de jogadores de melhor nível e Mano Menezes ainda não tem ideia de quem são os titulares. A preparação é inadequada, os adversários são escolhidos por motivos financeiros e não futebolísticos. Acho que Mano deveria ter sido demitido após a Copa América, mas agora é tarde demais” - Peter Staunton

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