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Nossos colegas das edições de Goal.com contam mais sobre a história do secretário-geral, e dão seu parecer sobre as declarações que estremeceram a relação entre FIFA e Brasil

Quando o assunto é a Copa do Mundo 2014, FIFA e Governo brasileiro mantiveram uma relação harmoniosa na maior parte do tempo, mas uma declaração parece ter colocado tudo abaixo. Ao dizer que o país merecia ‘um chute no traseiro’ para acelerar os preparativos para o torneio, o secretário-geral Jerome Valcke irritou muita gente, e desde o início de março as coisas nunca mais foram as mesmas.


"Sinto dizer isso, mas as coisas não estão funcionando no Brasil. É preciso mais esforço, quem sabe até um chute no traseiro para que essa Copa seja realizada em condições."

- Jerome Valcke, em março

Mas, antes de coletarmos as impressões dos colegas de outras edições do Goal.com, vamos a um breve histórico da carreira do francês.

Jerome Valcke começou trabalhando como jornalista, nos anos 80. Em 1997, assumiu como diretor-executivo do canal Sport+, em seu país. Alguns anos mais tarde, deixa o ramo e passa a trabalhar com marketing e agenciamento no esporte, antes de chegar à FIFA em 2003, como diretor de marketing e TV. Após ter sido afastado do cargo em um processo que custou alguns milhões à FIFA, voltou em 2007 como secretário-geral, o braço direito do presidente Sepp Blatter.

Peter Stauton, do Goal.com Irlanda, coloca de forma irônica a relação entre o francês e a FIFA, dizendo que ele “se encaixa bem com a entidade e sua ética irresponsável”. Nosso colega lembra que Valcke já se envolvia em controvérsias em sua época no marketing. Por volta de 2003, ele negociou uma parceria com a operadora de cartão de crédito VISA para a Copa do Mundo, quebrando o acordo com a Mastercard, que tinha o direito da primeira negociação. Resultado: a FIFA foi multada em US$ 90 milhões e ele foi afastado. Ainda assim, por razões que não são bem claras, acabou retornando como o dono do segundo cargo mais importante da administração mundial do futebol.

Os problemas não param por aí. Em 2011, o cartola caribenho Jack Warner, que havia sido suspenso do Comitê de Ética e tinha suspeitas de corrupção, vazou um e-mail em que o secretário-geral alegava que o Catar havia comprado seu direito de sediar o Mundial de 2022. Tanto ele quanto as autoridades do país árabe, logicamente, acabaram negando a suposição.



"Meu papel é alertar as autoridades e todas as pessoas envolvidas nesses preparativos para que não seja tarde. Nunca disse que é tarde até que realmente seja, mas meu medo é que as coisas fiquem prontas no último minuto."

"Bebidas alcoólicas são parte da Copa do Mundo FIFA, e isso não muda. Me desculpem se eu pareço um pouco arrogante, mas isso é algo que não negociamos"

Eis que chegamos à polêmica que diz respeito ao Brasil. Em sua defesa, Valcke afirmou que nenhuma sede ainda tinha tantas pendências cinco anos após ter recebido tal função da FIFA. Além da menção ao famigerado ‘chute no traseiro’, também é preciso lembrar a intransigência com a qual vinha conduzindo a questão da venda de bebidas alcoólicas no estádios.

"O trabalho de Jerome Valcke me parece um tanto atrapalhado para mim. Como os secretários-gerais anteriores, ele está sempre muito presente na mídia. É difícil fazer uma avaliação, mas é certo que suas declarações sujaram sua imagem" - Naim Bennedra

Aqui, tanto o jornalista irlandês quanto Naim Beneddra, da França, parecem concordar com a intenção do secretário, mas condenam a truculência das declarações. “A África do Sul também foi um país a receber críticas quanto à organização, mas nada que tenha chegado a esse ponto”, disse nosso colega.

Ofensas à parte, o sentimento generalizado é de que o Brasil está, sim, atrasado em suas obrigações. O mundo está atento ao país que, com ou sem Valcke na mediação, precisa entregar uma Copa do Mundo não só a tempo, mas satisfatória.


"Da perspectiva de alguém de fora, é possível observar condições de insegurança nas obras dos estádios, greves frequentes, deficiências de infra-estrutura, em termos de transportes e acomodações, e a retirada de milhares de pessoas de suas casas nas proximidades dos estádios da Copa. Parece que o país está atrasado nos preparativos, mas simplesmente agredir a FIFA de volta não resolverá esses problemas" - Peter Stauton

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