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Com um bom planejamento, a Velha Senhora retornou ao posto de um dos principais clubes italianos. O próximo passo é retornar a ser grande na Europa

Depois de estar envolvida diretamente com escândalos do futebol italiano, a Juventus voltou a ser grande. O bom desempenho na temporada atual é o resultado de um longo trabalho que começou desde o rebaixamento à Série B do Calcio 2005-06.

E para esse ressurgimento, três fatores foram fundamentais para o clube que tem mais títulos italianos voltar ao cenário europeu: a montagem de um time competitivo, o resgate do espírito "juventino" e a construção da Arena Juventus.

Na temporada 2005-06, o clube foi punido pela Federação Italiana com um rebaixamento, a perda dos dois títulos nacionais (2004-05 e 2005-06) e 30 pontos perdidos, tudo por um envolvimento do presidente na época, Luciano Moggi, em esquema de manipulação de resultados. Assim, estava decretada uma fase tenebrosa ao time de Turim. A torcida perdeu a identidade com o time, jogadores considerados "medalhões" sairam da equipe e o baixo orçamento contribuiram para tempos inglórios. Algo precisaria ser feito para recuperar a imagem frente ao futebol italiano e europeu.

OS SEGREDOS DO RENASCIMENTO JUVENTINO

O primeiro passo era recuperar a identidade da torcida com o clube. Para isso, uma das ideias foi a construção de um novo estádio. Inaugurado em setembro do ano passado, a Arena Juventus tornou-se um símbolo do orgulho da torcida, pelo fato de se sentir em casa.



A Arena resgatou o torcedor do time de Turim e atraiu mais novos amantes do futebol.
O espetáculo que a torcida faz nos dias de jogos é algo impressionante, mostrando definitivamente que o juventino se sente em casa. A capacidade do novo estádio é de 41.000 lugares.

Uma outra estratégia foi a contratação de Antônio Conte para treinador. Os motivos eram simples: um ex-jogador que fez história no futebol italiano por atuações na seleção e principalmente pela identificação que tinha com a camisa da Velha Senhora. Com um discurso de união entre jogadores com a torcida e fazer os atletas saberem o que é a Juventus, Conte aos poucos foi reestruturando a instituição.


"A coisa mais importante das que estamos trabalhando é o espírito, voltar a ver o que a Juve sempre teve. Temos que ter vontade de lutar, de sair do campo suados. Devemos saber que estamos na Juve. Por isto, estamos trabalhando junto com o grupo que tem vontade de superar os dois últimos anos infelizes", declarou Conte em sua chegada ao clube em julho do ano passado.


O presidente Andrea Agnelli sabia que uma andorinha só não faz verão. A visão do mandatário ao contratar Andrea Pirlo - saiu do Milan de graça - à atual jornada foi determinante para o crescimento do serviço de Conte. Um meia inteligente, com toque refinado e experiente para dividir as responsabilidades com os ídolos da equipe como o goleiro Buffon, o zagueiro Chiellini e o atacante Del Piero.

"Além da técnica e qualidade, é um grande profissional. É redundante falar na sua colocação tática", elogios do treinador à Pirlo.

O esquema 3-5-2 formado pelo treinador à equipe foi uma reinvenção no futebol italiano e europeu. Essa formação utilizada bastante na Copa de 1990 é uma espécie de antídoto ao 4-4-2. Dentre os quatro maiores clubes da Itália, a Juve é a única que fez voltar este esquema. A defesa se tornou sólida com Bonucci, Barzaglo e Chiellini, juntamente com a experiência do goleiro Buffon. Contando com bons e jovens laterais. O 3-5-2 é fundamental quando se tem laterais-alas, ou seja, que apoiam e guardam posição. Cáceres pela direita e Paolo De Ceglie na esquerda dão equilíbrio ao time. Os volantes Vidal e Marchisio oferecem suporte necessário para Pirlo criar as jogadas e servir Matri e Vucinic na frente ou então Del Piero e Quagliarella quando entram na equipe.

MIRANDO O FUTURO

O sucesso juventino foi reconhecido por um dos maiores ídolos do futebol da Itália e da própria Juve. Em entrevista ao Lancenet em fevereiro deste ano, o ex-goleiro Dino Zoff fez elogios à diretoria ao saber escolher as peças certas para remontar o quebra-cabeça.



"A nova diretoria soube trabalhar de forma paciente, e o resultado está ai. Voltamos a figurar entre os grandes da Itália e, sem dúvida, nosso retorno à Liga dos Campeões vai causar um impacto. Conte sabe como ninguém o que representa vestir a camisa da Juventus, passou isso aos jogadores. Pirlo é o toque de classe que faltava. Já o novo estádio é o símbolo desse ressurgimento", declarou Zoff, que atuou em 330 partidas pelo time de Turim entre os anos de 1972 e 1983.


Agnelli ressalta com orgulho todo o trabalho de reconstrução feito no clube: "Começamos um percurso há dois anos e os resultados começam a serem vistos. Por mérito do trabalho na área técnica que alistou uma equipe e por mérito de Conte e dos seus jogadores que são extraordinários".

A aposta está dando certo. Hoje, depois de 29 rodadas, a equipe é a segunda colocada no campeonato italiano e está invicta com apenas 17 gols sofridos, a menos vazada do Calcio. São 15 vitórias e 14 empates, quatro pontos atrás do Milan na disputa pelo título. É finalista da Copa Itália onde enfrentará o Nápoli. Praticamente garantida na próxima Liga dos Campeões, sem dúvidas, a temporada que a Juventus é faz é de ressurgimento para alcançar novamente o caminho das glórias.

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