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Brasil, no ritmo catalão
O Barcelona se inspira naquilo que o futebol brasileiro abandonou há tempos: o jogo cadenciado da posse de bola. Conseguiremos retornar às nossas origens?
Por Matheus Harb
Shaun Boterill/FIFA
Mais do que o título do Mundial de Clubes, o Barcelona proporcionou, para utilizar as palavras de Neymar, uma aula de futebol contra o Santos. O estilo de jogo, valorizando a posse de bola, destoa daquilo que nos acostumamos no futebol brasileiro, salvo exceções: contra-ataques e movimentação ofensiva para chegar rapidamente ao gol adversário.
Porém, o próprio Pep Guardiola faz uma revelação que pode chocar, para muitos: é buscando inspiração no Brasil de antigamente que o Barça consegue deixar a todos boquiabertos nos dias de hoje. Sendo assim, estaríamos tão longe de conseguir nos aproximar do melhor time do mundo?
O fato de qualquer jogador se integrar ao estilo de jogo dos catalães sem muitos problemas é ressaltado por muitos, mas não se pode ignorar certos fatos. O primeiro deles é que Xavi e Iniesta, agora acompanhados de Fábregas e Thiago Alcântara, são não apenas meias de técnica acima da média, mas também de visão e poder de decisão incomuns, que desempenham papel central em um jogo de toque de bola como o que executa o Barcelona.
No Brasil, entretanto, é quase impossível enumerar atletas com essas características, ainda que as tenha em potencial. Os articuladores presentes na Série A do Brasileirão se destacam mais pela verticalidade, se ficarmos no exemplo de nomes como Lucas, Montillo e Alex, para não dizer outros.
Fazendo uma projeção futura, é complicado imaginar que atletas como Deco e D'alessandro, mais próximos de reproduzir o jogo do toque de bola, não consigam influenciar uma mudança na maneira como o futebol é jogado no país. A queda vertiginosa no rendimento de Ganso, uma esperança nesse sentido, coloca em dúvida a aplicabilidade desse 'novo jeitinho brasileiro' a curto prazo, pelo menos.
Nos últimos anos, a tendência que se instalou no Brasil é a do jogo baseado nos contra-ataques, vertical, como já foi citado acima. Tanto que poucas equipes, inclusive a própria Seleção, se arriscam a fazer algo semelhante ao que faz o Barcelona, que prioriza a posse de bola e a pressão em campo adversário.
É algo que já se tornou parte da cultura do futebol tupiniquim. Times que tocam a bola em demasia geralmente não conseguem avançar sobre o terreno adversário, muito pela falta de recursos básicos do futebol, como o simples um-dois, tão valioso aos comandados de Guardiola. O preparo físico também é voltado aos ataques rápido, em detrimento do fôlego para conseguir manter uma marcação adiantada por mais tempo.
Isso não significa que toda a equipe brasileira está livre de jogar com posse de bola. Se a filosofia brasileira está baseada na marcação recuada, são corriqueiros os casos em que times encontram enormes dificuldades para furar defesas adversárias. Temos um aumento no número de passes, mas sem objetividade, para a irritação do torcedor acostumado à 'correria'. Que treinador irá arriscar sua reputação ao tentar ir contra toda uma cultura?
Nossos jogadores são moldados, a partir das categorias de base, com vistas a perpetuar o estilo veloz que hoje caracteriza o futebol brasileiro. Mais do que isso, os clubes não costumam pensar nos jovens a curto prazo, ou seja, não entram nos profissionais acostumados a um estilo de jogo próprio da equipe principal.
Poucos dias antes do início do Mundial de Clubes, o Brasil teve a oportunidade de receber um dos diretores de La Masia, as camadas jovens do Barcelona, responsável pelo desenvolvimento de boa parte do elenco campeão do mundo. Pode até parecer absurdo, mas os garotos de 12, 14 anos que entram nos gramados reduzidos vestidos com a camisa blaugraná já estão sendo acostumados a fazer o que Messi e cia. conseguem hoje. Um exemplo disso é Fábregas, que chegou há poucos meses e joga como se nunca tivesse deixado o clube, onde não jogava desde 2003.

Não se trata de revelar Messi's, Xavi's ou Iniesta's aos montes. Paulo Vinícius Coelho ilustrou isso muito bem no programa Bate Bola da ESPN Brasil, passada o jogo entre Barça e Santos, a partir do exemplo do volante Busquets. Um jogador de técnica apenas razoável, mas acaba tendo um desempenho acima da média justamente por estar aclimatado a um jeito de jogar desde sua formação como futebolista.
Difícil prever uma vontade de mudar uma cultura tão consolidada no Brasil. Mas a verdade é que: se Barcelona é hoje a cidade do futebol, aquele que se intitula o 'país do futebol' precisa rever alguns conceitos.
Como se atualizar com as notícias do futebol mundial fora de casa? Com http://m.goal.com - sua melhor fonte de cobertura para celulares do futebol.
Porém, o próprio Pep Guardiola faz uma revelação que pode chocar, para muitos: é buscando inspiração no Brasil de antigamente que o Barça consegue deixar a todos boquiabertos nos dias de hoje. Sendo assim, estaríamos tão longe de conseguir nos aproximar do melhor time do mundo?
| "Nós passamos a bola o mais rápido possível. Quando temos a bola nos pés, tocar o mais rápido possível. Isso cria desequilíbrio. Tocamos a bola quantas vezes necessário for para chegar ao gol. O Barcelona passa a bola como meu pai falava que vocês [brasileiros] faziam." - Pep Guardiola
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A falta das 'cabeças pensantes'
O fato de qualquer jogador se integrar ao estilo de jogo dos catalães sem muitos problemas é ressaltado por muitos, mas não se pode ignorar certos fatos. O primeiro deles é que Xavi e Iniesta, agora acompanhados de Fábregas e Thiago Alcântara, são não apenas meias de técnica acima da média, mas também de visão e poder de decisão incomuns, que desempenham papel central em um jogo de toque de bola como o que executa o Barcelona.
No Brasil, entretanto, é quase impossível enumerar atletas com essas características, ainda que as tenha em potencial. Os articuladores presentes na Série A do Brasileirão se destacam mais pela verticalidade, se ficarmos no exemplo de nomes como Lucas, Montillo e Alex, para não dizer outros.
Fazendo uma projeção futura, é complicado imaginar que atletas como Deco e D'alessandro, mais próximos de reproduzir o jogo do toque de bola, não consigam influenciar uma mudança na maneira como o futebol é jogado no país. A queda vertiginosa no rendimento de Ganso, uma esperança nesse sentido, coloca em dúvida a aplicabilidade desse 'novo jeitinho brasileiro' a curto prazo, pelo menos.
Cultura enraizada
Nos últimos anos, a tendência que se instalou no Brasil é a do jogo baseado nos contra-ataques, vertical, como já foi citado acima. Tanto que poucas equipes, inclusive a própria Seleção, se arriscam a fazer algo semelhante ao que faz o Barcelona, que prioriza a posse de bola e a pressão em campo adversário.
É algo que já se tornou parte da cultura do futebol tupiniquim. Times que tocam a bola em demasia geralmente não conseguem avançar sobre o terreno adversário, muito pela falta de recursos básicos do futebol, como o simples um-dois, tão valioso aos comandados de Guardiola. O preparo físico também é voltado aos ataques rápido, em detrimento do fôlego para conseguir manter uma marcação adiantada por mais tempo.
Isso não significa que toda a equipe brasileira está livre de jogar com posse de bola. Se a filosofia brasileira está baseada na marcação recuada, são corriqueiros os casos em que times encontram enormes dificuldades para furar defesas adversárias. Temos um aumento no número de passes, mas sem objetividade, para a irritação do torcedor acostumado à 'correria'. Que treinador irá arriscar sua reputação ao tentar ir contra toda uma cultura?
Começando por baixo
Nossos jogadores são moldados, a partir das categorias de base, com vistas a perpetuar o estilo veloz que hoje caracteriza o futebol brasileiro. Mais do que isso, os clubes não costumam pensar nos jovens a curto prazo, ou seja, não entram nos profissionais acostumados a um estilo de jogo próprio da equipe principal.
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"Os treinadores têm que aplicar o que nós queremos trabalhar. Não adiantaria ter uma escolinha do Barça que não passasse a metodologia do Barça. O que queremos é uma escolinha do Barça e que todos os meninos joguem da mesma forma."
- Xevi Marcé, diretor internacional do La Masia
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Poucos dias antes do início do Mundial de Clubes, o Brasil teve a oportunidade de receber um dos diretores de La Masia, as camadas jovens do Barcelona, responsável pelo desenvolvimento de boa parte do elenco campeão do mundo. Pode até parecer absurdo, mas os garotos de 12, 14 anos que entram nos gramados reduzidos vestidos com a camisa blaugraná já estão sendo acostumados a fazer o que Messi e cia. conseguem hoje. Um exemplo disso é Fábregas, que chegou há poucos meses e joga como se nunca tivesse deixado o clube, onde não jogava desde 2003.

Não se trata de revelar Messi's, Xavi's ou Iniesta's aos montes. Paulo Vinícius Coelho ilustrou isso muito bem no programa Bate Bola da ESPN Brasil, passada o jogo entre Barça e Santos, a partir do exemplo do volante Busquets. Um jogador de técnica apenas razoável, mas acaba tendo um desempenho acima da média justamente por estar aclimatado a um jeito de jogar desde sua formação como futebolista.
Difícil prever uma vontade de mudar uma cultura tão consolidada no Brasil. Mas a verdade é que: se Barcelona é hoje a cidade do futebol, aquele que se intitula o 'país do futebol' precisa rever alguns conceitos.
Como se atualizar com as notícias do futebol mundial fora de casa? Com http://m.goal.com - sua melhor fonte de cobertura para celulares do futebol.
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