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Participação do argentino na articulação é um dos principais movimentos ofensivos da equipe catalã

Nesta semana, Goal.com dissecará uma equipe que entrará para a história como uma das melhores que o futebol já viu. A série RAIO X DO BARÇA começa com um olhar sobre um dos movimentos ofensivos mais importantes do recém coroado campeão europeu; o recuo de Messi para participar da articulação do meio-campo.

Primeiras experiências e consolidação

Quando Josep Guardiola assumiu o Barça, na vitoriosa temporada 2008-09, Messi ainda atuava como o ponta direita do 4-3-3. Mesmo assim, de vez em quando o argentino aparecia pelo meio-campo, aproveitando sua capacidade de organização de jogo na região central do gramado.

Uma das chaves para a vitória em Roma, na final da Champions League de 2009 diante do Manchester, foi justamente o posicionamento de Messi como quarto homem de meio, desajustando a marcação do adversário e fazendo com que o Barça tivesse superioridade numérica no setor, algo que se repetiu em 2011.

Na época, notícias de bastidores no Barcelona avisavam que Guardiola estava procurando um outro lugar para Messi no campo, já que consideraria o posicionamento do argentino pelo flanco como um desperdício de seu talento.

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Messi ficou preso na marcação da Inter.

Em 2009-10, Guardiola testou o 4-2-3-1 no Barcelona, colocando Messi como o articulador central da linha de três meias. No início, a mudança parecia funcionar. Só que a dupla de volantes da Inter formada por Thiago Motta e Cambiasso expôs o problema de ter o argentino em uma posição quase fixa no gramado. Um Messi centralizado permitiu que Mourinho designasse os dois cabeças-de-área da Inter para anulá-lo, tarefa que foi cumprida com perfeição na semifinal da Champions League.

Foi na temporada atual, a partir da contratação de Villa, que Guardiola achou a solução para finalmente tirar Messi da direita com sucesso. Com o argentino como centroavante, o Barça conseguiu utilizá-lo da melhor forma possível, já que partindo da posição mais adiantada, Messi passou a recuar e causar uma clara indefinição na marcação, algo que foi decisivo para a vitória do último sábado.

Um espaço generoso

Em um futebol onde o espaço para jogar é algo cada vez mais escasso, Messi encontrou o lugar para iniciar suas jogadas e ser extremamente efetivo. A partir da posição de centroavante, o argentino corre para a região que fica às costas dos volantes e à frente dos zagueiros.

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Arrancadas começam com indefinição dos marcadores.

Nessa movimentação, o defensor não tem a segurança de acompanhar a estrela, porque há o receio de deixar espaço demais dentro da área para a infiltração de outro jogador do Barça. Ao mesmo tempo, o volante não percebe que Messi está livre, considerando que já tem a tarefa difícil o suficiente de vigiar Xavi e Iniesta.

Assim, o melhor jogador do mundo parece sempre estar desmarcado e, muitas vezes, é isso mesmo que acontece. Com um pouco de espaço, Messi pode colocar a bola na frente e iniciar suas arrancadas em direção ao gol, ou esperar a movimentação em diagonal de Pedro e Villa para dar passes precisos nas costas dos zagueiros, deixando seus companheiros na cara do gol.

Trio espetacular

Só que nem sempre o recuo de Messi gera jogadas incisivas, como uma iniciativa individual ou uma assistência. Às vezes, o camisa 10 blaugrana recua para simplesmente se juntar a Xavi e Iniesta e fazer a bola rodar com cadência pelo meio-campo, ajudando a construir os números escandalosos de posse de bola que o Barça ostenta.

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O Barça se torna quase imparável quando Messi se junta à dupla de articuladores.

Na final de sábado, isso aconteceu com bastante frequência. Como havia apenas dois jogadores na proteção à defesa (Carrick e Giggs, depois Park), a aproximação de Messi com Xavi e Iniesta causava um desequilíbrio numérico. O Barça tinha três jogadores espetaculares trocando passes na entrada da área sendo marcados por dois adversários.

Eventualmente, isso acabou resultando em oportunidades claras de gol, sempre com um dos três tendo espaço para ajeitar e arriscar o chute de média distância. Foi assim que Messi fez o seu gol e que Xavi e Iniesta arriscaram disparos perigosos defendidos por Van der Sar na segunda etapa.

SÉRIE RAIO X DO BARÇA:

- Marcação pressão

- Posse de bola

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