Porque devemos comemorar o renascimento de Mauro Camoranesi
Gil Gillepsie analisa o ressurgimento do jogador da Juventus.
Haviam aqueles que imploravam ao técnico da Seleção Italiana, Marcello Lippi, para não inclui-lo no grupo para a próxima Copa do Mundo. Mas depois de uma atuação brilhante pela Juventus na goleada de 5 a 2 sobre a Atalanta, ninguém mais duvidará de Mauro Camoranesi de novo.
O argentino naturalizado italiano foi simplesmente fantástico de novo para a Juve. Se não tiver o azar de uma lesão daqui até a Copa do Mundo, dificilmente ele não estará no avião de Lippi para a África do Sul.

Até lá, ele parece pronto para permanecer como o melhor jogador de linha da Juventus, assim como uma das maiores ameaças de gol da equipe.
De repente, parece incrível que na janela de transferências haviam rumores que ele estava de saída para o Lyon, como parte de uma troca envolvendo Fabio Grosso. Antes disso, as especulações o colocavam no Marseille.
Na verdade, o renascimento deste subvalorizado meio-campista vem acontecendo há algum tempo.
Se você rebobinar a mente para a metade de junho, lembrará de Camoranesi como um dos poucos jogadores da Itália com boa atuação na desastrosa campanha na Copa das Confederações. Dois meses depois, ele foi um dos melhores da Peace Cup, disputada na Espanha. Depois, nós fomos introduzidos às suas habilidades no jogo aéreo quando ele cabeceou para marcar o gol de empate da partida entre Itália e Irlanda pelas Eliminatórias. Finalmente, as grandes performances pela Juventus contra Maccabi Haifa, Sampdoria e, mais recentemente, Atalanta.
Parece estranho dizer, mas se alguém merece crédito pelo retorno da Juve à forma, é Mauro Camoranesi.
Então quem é este argentino que fez Massimo Oddo cortar um pedaço de seu cabelo na celebração do título mundial em 2006, antes de olhar para a câmera e dizer: "essa é para os meninos da vizinhança"? E o que um argentino está fazendo jogando pela Itália?
Bom, Mauro Camoranesi Serra, para dar-lhes seu nome completo, nasceu em Buenos Aires, Argentina e foi revelado pelo Gimnasia y Esgrima antes de ir para o Atletico Aldovisi, da terceira divisão. Mesmo assim, ele faria sua estreia no nível profissional com o Santos Laguna, do México, clube com o qual venceu o título nacional em sua primeira temporada.
Apesar de se tornar um favorito entre os torcedores, ele só ficou no México por uma temporada antes de ir para o Montevidéo Wanderers, do Uruguai, e depois para o Banfield, de volta à Argentina. O México foi seu destino mais uma vez quando ele foi para o Cruz Azul, onde teve uma passagem espetacular e despertou a atenção do Verona, da Itália. No ano 2000, ele se mudou para a Europa e sua odisseia italiana começou. Dois anos depois, a Juventus pagou cerca de 8 milhões de euros por seus serviços e o resto, como dizem, é história.
Mas que história fascinante é esta de Camoranesi.
Como seus avós italianos nunca chegaram a renunciar sua cidadania italiana, Mauro tem a dupla cidadania que o permitia defender a Itália ou a Argentina. A Itália, é claro, tem uma longa história em utilizar jogadores nascidos na Argentina como Raimono Orsi, que marcou um dos gols da Azzurra na final da Copa do Mundo de 1934. Mas desde os anos 60, a Itália não tinha um jogador naturalizado em seu grupo.
Lendas argentinas incluindo Diego Simeone e Gabriel Batistuta se manifestaram publicamente contra a decisão de Camoranesi de jogar pela Itália e condenaram com veemência a atitude do jogador.
"Eu não sou um traidor. É só um assunto do futebol, nada mais", foi a resposta o tanto tímida de Camoranesi às duras críticas que recebeu.
Apesar das dúvidas que ele provavelmente teve, o meio-campista fez sua estreia defendendo o país de seus avós em 2003, com 26 anos de idade. Desde então, atuou em 51 jogos pela Azzurra.

O que seus desempenhos recentes pela Juve e pela Itália nos lembraram é que, quando está em forma, Camoranesi é um grande talento. É difícil elencar outros wingers que consigam cobrir todo o campo como ele faz. Ele tem um baixo centro de gravidade, muita habilidade para o drible, arrancada para vencer os marcadores e, se os eventos recentes são um indicativo, o desenvolvimento de um instinto de artilheiro. Não esqueçamos, também, de sua incrível qualidade no jogo aéreo.
Talvez por causa das suspeitas que cercavam sua escolha de país em 2003, os italianos nunca o idolatraram. Agora, porém, ele parece ter pela primeira vez um lugar nos holofotes e não tem mais medo de agir como uma estrela.Os zagueiros gigantes ao redor do mundo não podem dizer que não foram avisados. Pelo clube e pela seleção, Mauro Camoranesi está no melhor momento de sua vida e está, quase literalmente, pulando de alegria.
Gil Gillespie, Goal.com Internacional
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